De volta ao ponto de partida


Os sensacionais ingleses do programa THINK! acabam de tornar pública sua nova campanha visando aumentar o uso do cinto de segurança na Grã-Bretanha.

Segurança no trânsito é uma coisa que não acontece por acaso nem se faz por etapas cumulativas. Desde 1973, muito antes de se tornar obrigatório na Inglaterra, o Departamento de Transporte promove campanhas sobre o mesmo tema. Por que voltar ao assunto? Simplesmente porque educação para o trânsito não é uma herança que se transmite de geração para geração nem se perpetua ao longo do tempo.

Na Inglaterra, em 2007 morreram 1.432 ocupantes (motoristas ou passageiros) em acidentes, dos quais 34% nao estavam utilizando o cinto de segurança. 34% !!!! As pesquisas indicaram que poucas pessoas admitem viajar regularmente sem o cinto, mas 24% dos passageiros confessaram que nao o utilizam quando estão no banco traseiro e 10% deles nao o utilizam no banco dianteiro. Nao utilizar o cinto é mais frequente, ainda, em viagens curtas, trajetos conhecidos ou quando o veículo está em baixa velocidade.

A queda no uso do cinto de segurança não é um fenômeno inglês. Em levantamento feito com 1.034 estudantes de faculdades públicas e privadas de São Paulo e Rio, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) verificaram que, em 2006, 93% dos passageiros do banco dianteiro usavam a proteção, mas em 2008, esse índice sofreu uma redução para 85%.

A Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) de São Paulo reforça a constatação dos cariocas por meio do crescimento de multas por falta de uso de cinto de segurança: entre 2006 e 2007, o número de multas desse tipo cresceu 9%, passando de 110.315 para 120.058 – uma média de 13 por hora. Podemos supor, por conseguinte, que o uso do cinto de segurança vem caindo em São Paulo porque simplesmente nao há fiscalização dessa infração grave do Código de Trânsito – 13 multas por hora em uma cidade em que circulam 4 milhões de veículos por dia é NADA.

Vale destacar que a pesquisa não observou o uso do cinto no banco dianteiro, nem há a informação de quantas multas foram aplicadas aos passageiros do banco traseiro sem cinto em São Paulo, porque para isso não é preciso pesquisa nenhuma no Brasil: o número de usuários é tão insignificante que é melhor afimar que NINGUÉM usa o cinto lá atrás.

A verdade é a seguinte: a chance de morrer em uma colisão é 2 vezes maior quando não se usa o cinto de segurança.

Estratégia da Campanha

A estratégia da nova campanha do THINK! utiliza um comerciais para TV e radio, e um recurso online interativo – um simulador de colisão utilizando-se ou não o cinto de segurança, demonstrando os efeitos reais do nao uso em diferentes velocidades.

O público-alvo da campanha são os condutores e passageiros, com ênfase especial nos homens jovens e nas mulheres na faixa etária de 17 a 34 anos. Esse grupo tem a menor taxa de uso combinada com a mais alta incidência em acidentes.

O problema é o uso irregular do cinto. Essas pessoas tomam decisões, conscientes ou nao, ao entrarem no carro e usar ou deixar de usar o cinto. Em viagens curtas a velocidades baixas, por exemplo, é mais provável que não se perceba a necessidade de usar cinto de sergurança.

A campanha tem por objetivo convencer esse público que é necessário usar o cinto em todas viagens no carro e sensibilizá-lo para a vulnerabilidade quando não se utiliza o cinto. Isso é feito mostrando-se as conseqüências dramáticas do não uso do cinto e, para isso, empregam-se recursos gráficos poderosos nos anúncios de TV.

O comercial “Three strikes”

O vídeo ” Three Strikes” (três colisões) é uma excelente demonstração que se você não usar o cinto, você sofrerá lesões fatais mesmo a baixas velocidades [clique no link para download do vídeo]

O video mostra uma colisão envolvendo o personagem “Richard”, que está dirigindo dentro do limite de velocidade. No instante da colisão, ele é arremessado para frente e seu corpo experimentará três colisões:

  1. seu veículo colide com o outro carro;
  2. seu corpo se choca contra o volante o parabrisa;
  3. seus órgão internos são esmagados contra a estrutura torácica e se rompem.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2011.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

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