Lucky 13. Aventuras pelos buracos da vida


 

lucky13

As aventuras do abobalhado Lucky 13 acabam de ganhar um novo episódio – o  quinto episódio [arquivo PDF, em inglês] da campanha de segurança para motociclistas da Associação Européia de Fabricantes de Motocicletas [ACEM].

O novo episódio fala dos riscos para a pilotagem causados por pavimentos danificados, trincados, esburacados e, muitas vezes, mal e porcamente reparados. Se essa é a situação das ruas de Milão, Barcelona ou Lyon, realmente não sei dizer, mas por aqui a rua-buraco é praticamente uma instituição histórica.

Em São Paulo, era utilizada até recentemente uma placa de aço para tapar os rasgos feitos na via pelas concessionárias de serviços públicos (água e esgotos, gás e outras), ao longo da madrugada e, às vezes, do dia inteiro. A placa ficava como um esparadrapo na rua, até que o problema fosse resolvido. Bom, melhor do que deixar um buraco de terra. Pena que aço é uma coisa lisa e impermeável; passar por cima em duas rodas era uma loteria. O mais incrível é que o remendo ficava dias ali, enviesado na rua, o tanto que se julgasse necessário para o andamento dos reparos das entranhas da cidade.

Aço no lugar de asfalto, vamos combinar, é muito sadismo de uma vez só. Retirava-se, então, a pesada placa e finalizava-se com um monte de asfalto quente, um rolo compressor, quando muito, e era isso.  Agora a via ganhava uma cicatriz que se somava a outra mais acima, outra na curva, mais uma na esquina… tantas quantas são as urgências dos sistemas de gás e águas etc.

Quem disse que era preciso restaurar a via, deixando-a em perfeitas condições de tráfego e segurança? A rua já era uma porcaria mesmo. Então, de tempos em tempos, tem início mais um grande investimento municipal de renovação/recapeamento das ruas. As ruas ficam uma lindeza, até notarem que asfaltaram as tampas de ferro dos sistemas subterrâneos e começarem a pipocar as emergências de sempre, um cano d’água estourado, outro vazando gás. 

Esse processo ininterrupto de construção/destruição das vias é uma coisa impressionante – depois de um tempo você não sabe qual é a diferença entre dirigir em uma rua de paralelepípedos, numa estradinha de terra ou no meio de sampa. É assim que se transforma uma pista de rolamento em uma pista de rally. São Paulo é um organismo vivo! Como duvidar?

O resultado são superfícies irregulares que exigem do motociclista maior controle da motocicleta – esse é, enfim, o tema do quinto episódio do Lucky 13.

A campanha foi lançada em 13 de outubro de 2008 e escolheu a linguagem dos quadrinhos para aumentar a consciência de motociclistas e, principalmente, de jovens pilotos de scooters, acerca dos riscos potenciais relacionados com a infraestrutura das vias.

Escrevi sobre a idéia da campanha anteriormente, que é uma iniciativa consistente da indústria européia da motocicleta (que está anos-luz à frente da miserável atuação de sua congênere tupiniquim), fundamentada em dados objetivos do MAIDS, e muito bem realizada em termos graficos. Continuo considerando, no entanto, equivocado o conceito do bobalhão sortudo que é salvo na hora H dos muitos perigos – o lucky 13. Conteúdo e forma parecem muito desajustados do foco principal que são os jovens, partiularmente pilotos das versáteis e frágeis scooters.

Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

2 comentários em “Lucky 13. Aventuras pelos buracos da vida”

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