HONDA !!


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O que diria o maior fabricante de motocicletas do Brasil sobre o “corredor”?

Não é estranho o silêncio dos fabricantes sobre a polêmica proibição da circulação das motos entre as filas de carros? Ou não há polêmica alguma em jogo? 

Imagino que os engenheiros que projetam as motocicletas e a indústria que as produzem conheçam em profundidade como a máquina deve ser operada para garantir segurança ao seu usuário, bem como as condições além das quais o risco supera a segurança. Isso é o assunto de todo bom manual – aquele livrinho que quase ninguém lê porque tem certeza de que nasceu sabendo.

Fui buscar, então, no manual do Curso Avançado de Pilotagem da Honda, maior fabricante de motocicletas do Brasil, uma resposta. Qual é a estratégia correta de condução da motocicleta no trânsito? O que a Honda tem a dizer sobre o posicionamento da motocicleta na via?

A resposta está lá e é bem simples: o “corredor” não existe como conduta segura de operação da motocicleta. A Honda estabelece claramente qual é o único posicionamento seguro da motocicleta na via: na faixa de trânsito, como qualquer outro veículo.

Com a palavra, Honda san!! 

Distância de seguimento

Um espaço mínimo de segurança lhe dá 2 segundos entre você, o carro da frente e o carro atrás. Use o método de contagem tomando um objeto fixo como referência para estabelecer a distância entre outros veículos. Ao estabelecer uma distância atrás de um outro veículo, é importante estar ciente que, à medida em que a velocidade aumenta, a distância necessária para parar aumentam de uma forma dramática.

Distância de segurança

No trânsito, distância é segurança. Neste ponto, você leva vantagem sobre o motorista:  pode mover-se de um lado para outro dentro da faixa. Ao mover-se dentro da faixa, seu objetivo deve ser procurar aumentar sua distância em relação aos outros veículos.

Algumas ocasiões exigem mudança de posição dentro da faixa. A primeira é quando há carros cruzando a moto, em sentido contrário. Nesse caso, você deve procurar manter-se no centro da faixa. Mantendo-se no centro da faixa, você evita maior proximidade com relação ao veiculo que o esta ultrapassando. Ao se colocar à direita da faixa, você abrirá campo para um possível motorista, que se encontrar atrás, poder ficar ao seu lado. Portanto, a posição mais adequada, nesse caso, é a central.

Quando cruzar com um caminhão grande, lembre-se de que ele provoca vácuo. E o vácuo afeta seu equilíbrio na moto. Para não sofrer a ação do vácuo, você deve posicionar-se no centro da faixa.

De moto, você vê coisas que o motorista não vê. Sua visão está acima dos carros. Imagine que há um engarrafamento no transito. Quem tem mais possibilidades de ver o que está acontecendo lá na frente é o motociclista.

Alem de ver sobre os carros, você pode mover-se de um lado para o outro dentro da faixa, o que possibilita uma visão melhor, especialmente nas curvas. Assim, movendo-se de um lado para o outro da faixa você terá uma visão melhor do que a de um motorista.

Em situações de transito urbano, é difícil manter a distância de seguimento (de 2 segundos em relação ao veiculo da frente) segura. Porque ao deixar uma distância em relação ao veiculo da frente, você possibilidade que outros veículos ultrapassem sua moto. Por isso, quando você não puder manter a distância de seguimento necessária, procure pilotar em velocidade reduzida. Pilotando em baixa velocidade, será preciso menos tempo para frear com segurança.

É preciso manter a distância de seguimento na cidade e na estrada. Na cidade, os carros estão sempre  “se apertando”, procurando encontrar uma brecha para ultrapassar. Na estrada, entretanto, os caros costumam manter uma distância bem maior entre si. Portanto, na estrada fica mais fácil manter a distância de seguimento.

Escolha da pista

Onde você se posiciona em relação ao transito é mais uma das estratégias a serem usadas ao pilotar a moto. Posicione a sua moto de tal forma que seja criado um espaço de segurança entre você e outros veículos. Isto não só ajudar você a enxergar as condições do transito mais claramente, mas também lhe permite o tempo necessário para reagir, e lhe deixa aberta uma rota de fuga.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

7 comentários em “HONDA !!”

  1. Senhor Biavati,

    A exceções entre os motociclistas. Alguns, além de ler o manual do curso avançado de pilotagem, realizam tal curso na prática, seja nas concessionárias Honda, seja no próprio centro de pilotagem da fábrica em Indaiatuba/SP.

    E certamente ocupar a vaga de um veículo com o trânsito em movimento é a atitude mais correta, preferencialmente, se mantendo visível ao condutor do veículo que está a frente, em que pese o fato de muitos condutores nem se lembrar que o espelho retrovisor existe.

    A título de informação. dia desses a caminho de Serra Negra com um grupo de motociclistas, nos deparamos com um condutor de um GM/Astra, com o retrovisor do lado esquerdo fechado, ou seja, ele estava em uma rodovia a transitar dessa forma, qual reflexo essa atitude iria resultar, não sabemos.

    Bem, voltando a questão do posicionamento da motocicleta na via, acatando o desafio de duas amigas técnicas de trânsito, também reconhecidas nacionalmente, que participaram da elaboração do atual CTB, experimentalmente, passei a não utilizar o “corredor” por alguns dias, e o resultado foi lamentável.

    Os condutores não estão preparados e não tem a paciência necessária para entender que a motocicleta deve como milita Vossa Senhoria de maneira ferrenha, ocupar o espaço de um veículo. Fechadas e invasão do espaço que a motocicleta ocupa é algo comum, e por vezes, cheguei a temer pelo pior, mesmo sendo este subscritor um motociclista consciente.

    Uma das regras também previstas no curso de pilotagem avançada é conduzir preventivamente, de maneira a evitar se envolver em acidentes, e por vezes, a condução a baixa velocidade no “corredor” e melhor que atrás de outro veículo.

    Sou motociclistas desde os 14 anos, apesar de infringir a regra do antigo RCNT, sempre utilizei capacete, pois minha família possuia um comércio distante de onde morávamos. Já fui vítima de dois acidentes, um deles sério. Por ironia do destino, em um deles eu estava parado em uma grande avenida com minha motocicleta na ocasião de grande cilindrada ocupando a vaga de um veículo quando fui acertado em cheio por um Ford Escort XR3. Como estava bem equipado, nenhum dano físico me ocorrreu além dos hematomas no outro dia. No outro, um condutor simplesmente cortou a minha frente, saindo da faixa da direita para a esquerda para realizar uma conversão proibida. Resultado, tive a “cabeça” do osso rádio estourada.

    Desconheço se o Senhor é motociclista ou não, se afirmativo, espero que sua experiência seja melhor que a minha ao transitar ocupando o lugar de um veículo.

    Com relação aos gastos com o pagamento do DPVAT, a partir do momento que o condutor de um veículo é tido como o seu “parachoque”, nada mais normal que ele estar no topo das indenizações pagas. Lembrando sempre que bons e maus motociclistas, pagam R$ 294,00 de DPVAT, esteja ele no “corredor” ou não.

    Abraço,

    Renato Campestrini
    Sor. 27/MAI/2009.

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  2. Olá, Renato,

    Se você foi um dos quase 100.000 alunos que já frequentaram nos últimos 10 anos os cursos promovidos pela Honda no excelente Centro de Treinamento de Indaiatuba, você não aprendeu que é melhor circular no “corredor” a baixa velocidade”. Esse conceito NÃO EXISTE para a Honda em NENHUMA situação porque ele reduz drasticamente a segurança do motociclista. Releia os manuais: não há uma única linha sequer mencionando o “corredor”. Se de fato um instrutor treinado pela HONDA, autorizado a ministrar o conteúdo dos manuais por ela publicados, anda ensinando os motociclistas a utilizarem o “corredor” seria o caso de denunciar essa prática.

    Vemos diferentemente o “corredor” porque sua opinião não consegue olhar para além das duas rodas nem para longe de sua experiência empírica individual. Eu não estou preocupado com a segurança do motociclista apenas. O que está em jogo, para mim, é a segurança coletiva, de TODOS usuários do trânsito. O exemplo do DPVAT é apenas um indicador disso: 10% da frota produz 30% dos acidentes e consome 60% dos recursos do DPVAT. Não há nada de justo, nem proporcional, nem normal nisso.

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  3. Sr. Renato Campestrini, PARABÉNS! Com serenidade soube explicar mas não convenceu ainda ao Sr. Eduardo: O Corredor. Se o Sr. Eduardo está muito preocupado com a segurança coletiva de todos, INICIE PELA DO MOTOCICLISTA QUE É O PRÓPRIO PARACHOQUE E PERDEM VIDAS e deixe os motoristas perderem seus retrovisores para segundo plano. Que tal uma prioridade no trato em prol dos motociclistas?
    Boa sorte a todos nós.

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  4. Caro Sr. Edu,

    Releia O “corredor”, especialmente a parte final do post. Eu não escrevi sobre retrovisores. Nem eu nem ninguém está preocupado com os retrovisores perdidos. Eu falei de outras perdas. O que têm perdido os pedestres?

    A vitimização do motociclista faz supor que ele é o maior problema e o maior coitado do trânsito brasileiro, quando isso não passa de uma compreensão egoísta e limitada da realidade. A verdade é que eles são um problema secundário atualmente no Brasil. Problema mesmo são os pedestres. Ainda será necessário morrer muitos motociclistas para que se aproximem da relevância e importância social que representam as mortes dos pedestres. A título de informação: quase a metade das mortes no trânsito no Brasil é de pedestres. Não há, portanto, porque defender prioridade alguma aos motociclistas; antes deles há outros usuários muito mais vulneráveis a proteger.

    Como disse anteriormente, se houvesse prioridade e justiça na política publica, não deveria ser destinado um único centavo para a questão das motocicletas, nem para o erro das faixas exclusivas, nem para campanhas, nem para educação, enquanto não tivessemos controlado o massacre dos pedestres.

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  5. Senhor Biavati,

    Creio que houve um equivoco de sua parte acerca de meu comentário.

    Em momento algum, este subscritor disse que aprendeu em um curso de pilotagem da Honda a andar no corredor, vejamos o que escrevi em meu post:

    “Uma das regras também previstas no curso de pilotagem avançada é conduzir preventivamente, de maneira a evitar se envolver em acidentes, e por vezes, a condução a baixa velocidade no “corredor” e melhor que atrás de outro veículo.”

    Bem, analisando aquilo que escrevi na ocasião, dissemos que uma das regras da pilotagem avançada é CONDUZIR PREVENTIVAMENTE de maneira a evitar o envolvimento em acidentes, não dissemos que os instrutores ensinam a circular por ele.

    Acredito que a análise de Vossa Senhoria está focada no motociclista transitando no “corredor” mesmo com o trânsito fluindo, prática essa que abomino, e como motociclista consciente, evitamos, mas com o trânsito parado, ao parar a motocicleta, além dos xingamentos pois o condutor do automóvel quer ocupar aqueles três metros de extensão que a motocicleta ocupa (sim senhor Biavati, não são só os motociclistas os mal-educados!), estamos mais suscetíveis a roubos, pois meliantes nos abordam e levam nossas motocicletas “corredor” adiante, para abastecer o mercado de peças usadas de motocicletas.

    Quando Vossa Senhoria diz que não consigo olhar para fora de minha experiência de “duas rodas”, o Senhor comete mais um equívoco, pois me coloco semanalmente nas vias como pedestre, ciclista, motociclista e condutor de automóvel, além de ser habilitado também em caminhão, mas esse eu não tenho meios para vivenciar o dia a dia.

    Posso afirmar sem sombra de dúvidas, que não é apenas o “corredor” a grande causa de toda tragédia no trânsito.

    Pedestres que atravessam fora da faixa, que não utilizam passarelas quando elas existem, desrespeito ao sinal vermelho, condutores de ônibus intermunicipais e condutores de carretas que excedem os 120 Km/h em uma rodovia, são defensas metálicas em altura elevada que cortam como navalha o corpo de um motociclista que cai mesmo que dentro dos limites de velocidade permitido, são tachas e tachões para incentivar a redução da velocidade que para um automóvel não causam transtornos, mas para um motociclista ou ciclista, pode representar uma queda, assim como faixas termoplasticas que escorregam como sabão quando úmidas.

    Acredito que pelos exemplos acima elencados, minha visão de trânsito, não se limite apenas ao fato de ser este subscritor um motociclista que a cada dia sofre para transitar com segurança, pois se vende a imagem de que aquele ser sobre a motocicleta é um crapula, sem sentimentos, sem família, cuja existência somente se justifica se transgredir as regras.

    Como eu, há inúmeros juizes, promotores de justiça, médicos, psicólogos, pedreiros, padeiros e outros profissionais dignos que se utilizam do veículo.

    A sociedade que critica a pressa dos motofretistas, motoboys ou demais profissionais do gênero, é a mesma que liga dez, quinze vezes para a pizzaria para reclamar que a pizza está demorando, e nem ao menos dirige um “Boa Noite” ao entregador, pois é ele o culpado pela demora.

    É preciso separar o jôio do trigo, é preciso parar de pensar que a proibição é a solução para tudo neste país, fiscalização e ações educativas ininterruptas, essas sim são chaves para a mudança.

    Abraço,

    Renato Campestrini
    Sor. 01/JUN/2009.

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  6. Olá, Renato,

    Você tem razão, cometi um erro de leitura. Eu não entendi que era sua a conclusão de que a “condução a baixa velocidade no “corredor” é melhor que atrás de outro veículo”. Não faria sentido se fosse uma recomendação da Honda, para quem a condução PREVENTIVA é sempre a condução NA faixa de trânsito.

    Essa discussão sobre o “corredor” não é um julgamento moral do caráter dos motociclistas, Renato. É apenas um questionamento sobre a insustentabilidade urbana contemporânea e sobre as escolhas que faremos, coletiva e politicamente.

    Eu considero a prática do “corredor” um dos vetores da violência no trânsito no Brasil atualmente. Há outros vetores, muito mais antigos, bem sabemos. Não decorre disso que os motociclistas sejam bons nem maus, dignos ou indignos. O “corredor” é uma produção social, é um modo pelo qual decidimos viver na cidade. Ninguém inventou o “corredor”, de modo que seria um erro dizer que alguém tenha consciência da violência engendrada por essa prática, da mesma maneira que consumimos alegremente sem-número de produtos, que chegaram até nós como frutos do suor do trabalho infantil.

    Quando afirmei que seu modo de compreender o “corredor” não olha para além das duas rodas quis apenas acentuar que essa compreensão é prisioneira de uma vitimização do motociclista que torna toda violência mera externalidade – ele sofre a violência de todos e até mesmo da cidade, ele nunca produz a violência com sua conduta. Minha crítica, portanto, não diz respeito à sua capacidade de observação do mundo ao redor, ela se refere à essa redução equivocada do que é observado.

    Discordamos é claro, mas não haveria debate sem discordância e, de resto, nenhum sentido em manter esse espaço aberto. O assunto renderá muitos desdobramentos, proibindo-se ou não o que quer que seja. Obrigado pela participação.

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  7. Senhor Eduardo:

    Quisera que suas preocupações com a vida fosse primor das atuoridade públicas e dos construtores de veículos. Parabéns pelo seu trabalho atém então. Foi o que atenou o pessoal da pós de Blumenau, Gaspar, Timbó e Rio do Sul (Arnaldo, Pedro, Marcionise, José e Adelor)

    Joinville, 03 de dezembro de 2011

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