As aventuras de Lucky 13


As aventuras do Lucky 13 chegaram ao ponto final, depois de 13 episódios mensais, traduzidos em 11 línguas e lidos por centenas de milhares de leitores.

Produzida pela Associação Européia de Fabricantes de Motocicletas [ACEM], a campanha adotou a linguagem das histórias em quadrinhos (HQ) para aumentar a PERCEPÇÃO DE RISCO de motociclistas e, principalmente, de jovens pilotos de scooters, acerca dos riscos potenciais relacionados com a INFRAESTRUTURA das vias.

É estranho imaginar que as rodovias européias estejam tao ruins assim, ou que as ruas de Roma e Paris estejam em tão mal estado de conservação, mas o fato é que 14 % dos acidentes são causados por falhas na infraestrutura, de acordo com o superestudo MAIDS. Como se não bastassem esses problemas, as necessidades específicas dos veículos de duas rodas são geralmente negligenciadas na engenharia viária, que na Europa e em toda parte ainda pensa sobre APENAS sobre quatro rodas.

Pois bem, diante de tantos hazards (o mundo lá fora não é dos mais amistosos para as duas rodas), o comportamento do piloto em lidar com cada situação e suas escolhas de ação desempenham papel fundamental. A missão do personagem Lucky 13 é representar de maneira cômica justamente as escolhas erradas. A idéia é de um motociclista desligadão, boa praça, mas que escapa sempre por um triz das situações mais perigosas e malucas.

Escrevi sobre o Lucky 13 várias vezes ao longo do ano (ver em especial o post Traffic calming e motocicletas. Novas aventuras do Lucky 13 e também o Lucky 13. Aventura pelos buracos da vida) porque a simplicidade e o pragmatismo da campanha européia foram como um antídoto às idéias ridículas dos defensores tupiniquins da ocupação do “corredor” (a fila entre carros) pelas motocicletas.

Todos os episódios do Lucky 13 repetiram que o controle da motocicleta e a segurança do motociclista estão diretamente relacionados ao posicionamento na via e, mais importante ainda, à distância de segurança em relação aos demais veículos. O motociclista deve manter uma “bolha de segurança” ao seu redor, maximizando sua VISIBILIDADE no trânsito – é tudo, em suma, o que não se consegue circulando no “corredor”.

Os HQs são bem desenhados, curtos, ágeis, coloridos, mas nada disso disfarça o arremedo do Pateta (o Goofy da Disney) no antológico desenho animado em que ele, todo desastrado, bobalhão como sempre, entra no carro e se transforma no Sr. Motorista – um animal sanguinário que sai pelas ruas transtornado, daí ao sair do carro o monstro se transforma no Sr. Pedestre, um desastrado do bem, incapaz de pisar em uma formiga. A questão a saber é se esse tipo de personagem serve para o público que se quer atingir: jovens em suas scooters.

Os episódios podem ser lidos [formato PDF] em português:

  1. junctions (cruzamentos)
  2. roadside hazards (perigos ao longo da via)
  3. dangerous road surfaces (superfícies perigosas)
  4. diesel and liquid spills (derramamento de líquidos na pista)
  5. damaged and repaired surfaces (superfícies danificadas e reparadas)
  6. traffic calming devices (mecanismos de controle de tráfego)
  7. night time hazards (perigos noturnos)
  8. surface debris (detritos na pista)
  9. central islands (canteiros centrais)
  10. curves (curvas)
  11. decreasing radius bends (curvas fechadas)
  12. metal fixtures and paint markings (Elementos metálicos e pinturas no asfalto)
  13. winter and ice treatments (inverno e cuidados no gelo)

Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

6 comentários em “As aventuras de Lucky 13”

  1. Doutor Eduardo,

    O sistema viário brasileiro não está preparado para as motos. Predomina a lógica da divisão do espaço para o auto. Olhando o CTB, os motociclistas são contraventores, visto trafegarem entre faixas. O pior é que as faixas tendem a ser mais estreitas ainda em razão de se criar mais faixas para acomodar o volume crescente de veículos. A idéia da bolha de proteção e adoção de ações de segurança máxima ficam em segundo plano.

    O dilema para o poder público é que ele tem de levar adiante o discurso da segurança e do cumprimento do CTB, ao mesmo tempo em que não gera solução para o tráfego seguro das motos, nem consegue administrar o provável congestionamento advindo da situação em que o motociclista passe a ocupar o espaço como se um carro fosse.

    Não sei se poderíamos falar em hipocrisia da política pública, no sentido de que estaria implícita a seguinte fala: olha, eu preciso que você esteja disposto a arriscar sua vida trafegando entre faixas, pois não conseguiria administrar o trânsito se assim não fosse.

    Essa hipocrisia vale também para o motorista. Ele não suporta ter um motociclista na sua frente. Como a moto não gera qualquer barreira visual, ele acaba enxergando o carro à frente e preciona o motociclista a sair da frente. Quero dizer com isso que o motorista “naturalizou” a idéia de que o espaço da moto é entre faixas e não se predispõe a dividir com ele o espaço do auto.

    É isso.

    Grande abraço,

    Marcos Evêncio.

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  2. Olá, Marcos,

    Demorei a aprovar seus comentários e a escrever algo porque estava envolvido em viagens seguidas por causa da Semana Nacional de Trânsito.

    Pois bem, a minha opinião é que existe uma funcionalidade oculta e, talvez, largamente inconsciente, na manutenção do “corredor” para os gestores públicos de trânsito. Isso ficou claro há alguns anos, quando participava das discussões sobre como enfrentar a violência crescente envolvendo motociclistas em São Paulo. Não fosse pela insegurança e pela redução geral de performance dos tempos de viagem, o “corredor” é a máxima utilização do espaço viário. O “corredor” faz valer cada centavo gasto na construção do espaço viário. Os gestores toleram (e muitos têm sérias dúvidas em se colocar contra) o “corredor” porque ele adia a busca de novas soluções de engenharia para a acomodação de todos os usuários nos seus vários veículos (será que ela existe? serão as motofaixas exclusivas?). É uma hipótese, mas é possível que essa tolerância não seja mais do que o esgotamento da criatividade e da competência de criar uma nova solução e, principalmente um sinal grave da fraqueza política do tema.

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  3. Oi Edu,

    estava dando uma lida geral no seu blog, que está ótimo diga-se de passagem, e parei nessa parte das motocicletas, apesar do post ser antigo gostei da discussão.

    Eu como uso moto no meu dia-a-dia posso ver os 2 lados da coisa. No geral, as pessoas no trânsito de São Paulo dirigem muito mal, costurando o tempo todo, mudando de faixa sem dar seta e de maneira muito rápida, para a maioria o sinal amarelo é o mesmo que o verde…isso vale para carros e motos.

    Tenho andado muito atento por medo de acidentes, a moto nunca tem uma resposta tão rápida quanto os carros no freio. Procuro andar na fila dos carros e simplesmente ultrapassar pela lateral. O famoso ‘corredor’ uso somente quando o transito está parado. O que acho que poderia ser feito é se convencionar um ‘corredor’ para motos entre os carros, ou na direita ou na esquerda pois o que realmente confunde é que as motos andam em todos os corredores e isso fica muito perigoso mesmo.

    Abração,
    Rico

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  4. Oi, Ricardo,

    Quer dizer que é você que fica lendo os posts antigos? rararara Eu vejo umas visitas nas estatisticas e sempre me pergunto: mas quem é que teve a paciência de xeretar um assunto lá de trás??? Agora está resolvido o mistério!

    Mas falando sério: essa questão é complexa de todos os ângulos que se queira ver. Eu só acentuei a análise das motocicletas nesse e em vários posts anteriores e subsequentes porque era (e ainda é) um assunto cada vez mais crítico da segurança no trânsito. Caberia muito mais a dizer, mas você já matou a charada: o trânsito é um sistema, uma barca em que todos estamos juntos, de modo que realmente a toda ação corresponde uma reação (muito embora as coisas não sejam perfeitas e equanimes: a uma ação de um caminhão pode não corresponder qualquer reação do motociclista por exemplo). Bom, tudo isso pra dizer que uma análise sociológica do fenomeno cotidiano da violência no trânsito teria que lidar com esse nosso modo de vida que produz a transgressão e o risco – sabotamos as regras coletivamente e pagamos coletivamente por isso.

    Buenas, nem sabia que voce está motociclista em sampa… o que eu posso dizer pra não te apavorar? A gasolina ainda está barata!! raraarra e use SEMPRE o capacete.

    Temos que nos ver nao é? Eu PROMETO que vou na sua proxima discotecada (se fala assim?). Obrigado pelo comentário, Biavati

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  5. Fala, sumido!

    Há nessa última mensagem, do Ricardo, a afirmativa “(…) as pessoas no trânsito de São Paulo dirigem muito mal (…)”. Faz tempo procuro “criar” uma metodologia que identifique e distinga o que seja dirigir mal e dirigir bem. Tenho anotado várias possibilidades, mas não cheguei a um “dirigômetro”.

    Também leio seus posts à la Chico Xavier e não me recordo, corriga-me por favor, de ter lido abordagem sobre esse assunto. Que tal se jogasse algumas variáveis no blog para verificar o que aparece de sugestão / contribuição? No mínimo, identificaríamos as expectativas que temos “dos outros”. É isso.

    Como diria Caetano, não se esqueça de mim, não desapareça.

    Grande abraço,

    Marcos Evêncio.

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  6. Oi, Marcos,

    Nao, sua memória não falha: eu nao escrevi ainda sobre os “bons” e “maus” motoristas. Eis um bom assunto para um futuro post.
    Não esqueci de você! Me aguarde.
    Amanha, terça, estou indo para Poços de Caldas, me empanturrar de doce de leite rararara To brincando, vou para uma palestra com o DER/MG e um monte de professoras e diretas de escolas. Muito bom.

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