O ping e o pong. Notas sobre a campanha “Sou legal no trânsito”


No final de outubro de 2009, o Ministério das Cidades lançou a campanha Sou legal no trânsito – um investimento de R$ 70 milhões, que se espalhou por rádios, outdoors, revistas e jornais, cinemas e, principalmente, as redes de televisão. Sobrou alguma mídia? Não. A maior campanha pública de segurança no trânsito dos últimos 10 anos entregou-se inteira à internet: as peças gráficas, os vídeos, os spots de áudio, além de widgets especiais para a divulgação em blogs e redes sociais, estão disponíveis para uso livre do cidadão, COMO-DEVE-SER.

O desembarque da campanha na internet tem alta relevância estratégica porque ele permite a abertura de um diálogo inédito com o cidadão (especialmente com os jovens cidadãos) e coloca no horizonte a possibilidade de formação de uma comunidade em torno da segurança no trânsito. É uma ruptura importante com todas as campanhas anteriores, fechadas em si mesmas, formatadas para uma audiência passiva diante da televisão e do papel impresso. Ao invés do antigo “eu falo, você ouve“, inaugura-se o “eu falo, você ouve e diz o que pensa“. Tínhamos um PING, agora temos um ping e um PONG!!

No website da campanha estão disponíveis as ferramentas para esse diálogo. Quem chegou a elas, porém, o fez por conta própria e queria muito falar, porque nenhum dos vídeos ou qualquer outra peça da campanha menciona a existência de tal website, muito menos que lá estão à disposição recursos generosos para o registro das histórias e idéias de cada um. É um esquecimento estranho para uma produção de alto padrão de qualidade e com tal orçamento, mas, ao cabo, isso pouco importou: as pessoas acharam o caminho, santo Google!, clicaram o mouse e derramaram o quanto quiseram sobre “ser legal” no trânsito.

Ao longo de 72 dias (para ser exato, de 21 de novembro de 2009 a 02 de fevereiro de 2010), 801 pessoas registraram seus PONG no website da campanha, motivadas pela intensa exposição aos vídeos (veiculados maciçamente por dois meses, até 31 de dezembro) e, é claro, pela disponibilidade de uma interface simples e bem conhecida, que permite ler e comentar todos os registros anteriores.

Está lá, na página de abertura, o convite para um depoimento, o relato de uma vivência real no trânsito – e foi isso mesmo que centenas de pessoas fizeram, como se quisessem desabafar há muito tempo.

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No dia 31 de março de 2001, perdir o meu pai em um acidente de transito.Nesse mesmo di ao meu estava fazendo 45anos, eu estava esperando ele para comemoramos quando recebir a noticia que ele tinha sofrido um acidente.Quando cheguei ao local ele estava preso entre as ferragens, com a boca e o olho aberto e MORTO. O meu pai era instrutor de transito a mais de 15 anos, e morreu porque o outro motorista que vinha em sentido contrario, estava ultrapassando em uma curva com faixa continua dupla e sem visibilidade, e acabou topando com o carro dele de frente e matando ele.

Meu amigo, de nome Wilson Roberto, no último dia 28 de dezembro de 2008, pilotava sua motocicleta pela Rodovia Castelo Branco, quando na altura do Km 22 foi fechado por um veículo corsa de cor escura, que havia mudado de faixa sem sinalizar com seta, e, para evitar a colisão, meu amigo foi de encontro à divisória de concreto, sendo sua esposa arremessada para o outro lado da rodovia e o mesmo teve sua perna direita amputada no impacto com um poste, bem como múltiplas fraturas na perna esquerda. Hoje, quase um ano depois, o motorista do veículo não foi identificado, a esposa de meu amigo perdeu alguns movimentos do braço esquerdo em razão da ruptura de tendões, enquanto ele fará a quinta cirurgia para tendar recuperar a perna esquerda para poder utilizar uma prôtese na perna direita que foi amputada.

Perdi uma filha com 21 anos. O motorista saiu da pista dele e pegou ela pelas costas sem direito de defender. Embriagado, inabilitado e ele, Ênio Gomes Moreira, não aconteceu nada com ele. Minha filha faleceu na hora e nem o seguro do carro foi pago. Ela deixou um filho na época com 3 anos isto aconteceu em 30/09/95, na cidade de Contagem.

Eu estava me deslocando de Nova Iguaçu para o Rio de Janeiro, na Avenida Brasil, quando em uma ultrapassagem surgil um motoqueiro, ele estava em uma velocidade acima da permitida, quando ele se aproximou do meu veículo ele achou que eu estava dando uma fexada nele. Saiu pela outra faixa e derepente ele ficou na minha traseira e me cortou pela direita tirou o capacete, eu pensei que ele iria reclamar algo, engano meu. Ele com ato de selvagem arrancou o meu retrovisor com o capacete.

Convidadas a “ajudar a conscientizar“, as pessoas entregam, como se vê, histórias bem pouco “legais” do cotidiano das ruas e das rodovias. Dar vez ao PONG tem disso: nem sempre se ouve o que se quer. As pessoas falam do conflito e da disputa agressiva. Elas falam da desigualdade e da injustiça. Elas denunciam a inação dos agentes do Estado. Elas expressam indignação pela impunidade! Elas relatam a não-convivência no trânsito e, contribuem assim, de modo muito autêntico, para resgatar tudo o que havia sido cuidadosamente expurgado dos textos e, principalmente, das imagens da campanha.

Os franceses do Prévention Routière fazem do acidente e de suas repercussões humanas o centro da mensagem de segurança. Por aqui, ao contrário, a violência é anulada completamente – a travessia da rua, que poderia acabar em um atropelamento, acontece na faixa de pedestres, devidamente respeitada pelo motorista; a mudança de faixa, que poderia acabar em uma colisão com o motociclista, é evitada pelo motorista com um simples sinal de seta, prontamente compreendido pelo motociclista que, surpreendentemente, não estava escondido no “corredor” entre os carros. Tudo sempre acaba bem, de modo quase divertido, quando a pessoa tem uma atitude “legal”, certo? Não, errado, afirmam os autores dos PONGs, que demonstram claramente que a segurança não é um ato de vontade do indivíduo.

“Ser legal” é legal, tudo bem. Usar o cinto de segurança ou o capacete é, afinal, uma ação do indivíduo. A pessoa usa se quiser, de acordo com sua consciência. O problema… o problema são os outros, é essa enrascada que é viver em sociedade.

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Tenho muita conciencia quando estou dirigindo, morro de medo de atropelar alguem,deus me livre disso. mais oque mais observo e os pedestres.incrivel eles adoram andar no meio da rua.

Pilotar uma motocicleta ou dirigir automovel, requer técnica e conhecimento das leis que regulamentam o trânsito. Peço aos motoristas de São Luis e do Brasil que respeitem os motociclistas, pois até hoje sofro as consequências das irresponsabilidades de motoristas que não respeitam as leis.

O brasileiro está cada dia mais mal educado, e no trânsito muito pior, são tantas barbaridades que a gente custa a acreditar no que vê. Ultrapassagens perigosas e irregulares, excesso de velocidade, jovens dirigindo embriagados, moleques costurando pra se aparecer, neuróticos que precisam chegar logo num compromisso sem se importar com mais nada nem ninguém, pedestres preguiçosos e inconsequentes, ciclistas que não estão nem aí, motoqueiros sem amor à vida. É claro que isso se dá pela impunidade que essas pessoas experimentam desde sempre.

Sou motorista há 12 anos. Nunca me envolvi nem dei causa a nenhum tipo de acidente. Dou passagem, dou preferência, corrijo situações de perigo que outros provocam. Exercito a paciência! Porém, não depende de mim fazer com que as pessoas tenham amor pela própria vida.

Eu procuro sempre atravessar nas faixas de pedetre, e também aguardo pacientemente o sinal para os pedestres abrir, mas infelismente não há sinas em todos os cruzamentos, e os moteoristas não respeitam muito os pedestres. Aqui em Londrina PR, eu já testei faz aquele sinal com a mão para atarvessar, mas não teve resultado não, os motoristas simplesmente ignoraram. Será que isso vai dar certo?

Sou motociclista desde o tempo da lambreta, há muito tempo, nunca sofri nenhum acidente. Porém, de alguns anos para cá, estou reduzindo as saídas porque a selvageria no transito,falta de educação, despreparo dos motoristas e motoboys, aliado com a complacência e indiferença dos órgãos públicos que não fiscalizam e não punem com mais rigor estes maus motoristas, que querem sempre chegar na frente, com seus carrões e caminhonetes potentes, acham que são donos do mundo,e saem cortando todo mundo falando no celular como verdadeiros malabaristas, e a febre do uso do celular dirigindo está aumentando cada vez mais.

De que adianta ser “legal” no trânsito, se ninguém mais o é!? Os pedestres “legais” reclamam de todos, que nunca os respeitam; os motociclistas reclamam de outros motociclistas e todos juntos dos motoristas; e os motoristas “legais” acusam, unânimes, os motociclistas pela desordem e pelo caos. Não há grande novidade nisso: a violência é sempre culpa do outro, e se não der para botar na conta do outro, que se coloque na do Estado, que é uma espécie de poço sem fundo pelo qual ninguém responde.

O cara “legal” no trânsito segue regras, antes de tudo. É curioso que, apesar da forma moderna e bem acabada, a campanha sirva ainda a uma repetição da velhíssima lição da educação para o trânsito: siga as regras, respeite a lei. Eis a boçalidade do conceito de “ser legal”. Não é estranho, porém, que à volta do cara “legal” todos sejam infratores?

Vale lembrar de uma pesquisa publicada em outubro de 2009, pelo Caderno +Mais! do jornal Folha de São Paulo, sobre o que é ético e moralmente correto em nossa sociedade. Avançar o sinal vermelho é considerada uma atitude moralmente inaceitável pela quase totalidade (83%) dos brasileiros, tanto quanto falsificar documentos (97%) ou vender o voto (94%). Convidados a passar do julgamento moral e ético de determinadas práticas ilegítimas ou ilícitas para a confissão de que já as praticaram, os entrevistados entregam, porém, outro retrato: 26% avança o sinal vermelho, para ficar apenas no exemplo do trânsito. O triunfo do velho faça-o-que-eu-digo-não-faça-o-que-eu-faço é a principal revelação dessa pesquisa, porque ela dá uma medida de como estamos longe de distinguir o público e o privado e do quanto são escorregadios nossos “marcadores éticos e morais“, para usar uma expressão do filósofo Renato Lessa.

É duvidoso que nosso cara “legal” seja tão ético em suas condutas no trânsito como afirma, mas não resta nenhuma dúvida de que ele se vê imerso em uma realidade de transgressão e impunidade e, por isso mesmo, de conflito e violência. Ninguém tira os pés do chão, quando diz que é tão bom ser “legal”. Ao contrário, as pessoas entendem que sua segurança depende da coletividade e que ela é resolvida, ou não, na interação que todos, cada qual com interesses distintos e poderes desiguais, estabelece no trânsito. A salvação não está em “ser legal”.

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A campanha “Sou legal no trânsito” inaugura o uso das mídias sociais para ampliar o alcance da mensagem e promover a formação de uma comunidade em torno das questões da segurança no trânsito. Essas são potencialidades do uso da tecnologia. Falar em redes sociais nesse caso é, ainda, um certo exagero. Mas, nesse primeiro passo, descobrimos que há muita gente do lado de lá disposta a falar.

Será que elas também querem ser ouvidas? Redes sociais são ferramentas poderosas, mas não coisas inofensivas. Não existe diálogo sem confiança – basta lembrar de todas as vezes em que você ficou falando para ninguém, até descobrir que a linha do telefone tinha caído… Os depoimentos formam um painel que merece atenção porque eles colocam contra a parede a aversão moralista à realidade dos acidentes, das mortes e das lesões. Desse ponto de vista, não começou ainda um diálogo – o universo em que flutuam os personagens da campanha não é o universo de que falam os PONGs.

O que fazer com os PONGs? O que você esperaria em resposta ao seu depoimento?

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

8 comentários em “O ping e o pong. Notas sobre a campanha “Sou legal no trânsito””

  1. Ao ver os depoimentos no site da campanha, especialmente aqueles que postou aqui, vemos que há um engajamento das pessoas que de alguma forma (geralmente traumática, ou relacionada a uma forte experiência pessoal) foram captadas para o assunto da violência viária. Há ainda dois outros grupos de pessoas (simplificando bem): um formado por aqueles de alguma forma conscientes e exemplares cidadãos no trânsito, alguns engajados com a causa – talvez para esse grupo a campanha “ser legal no trânsito” seja internalizada; outro, pelos apáticos, alienados, transgressores. Afinal, a quem estamos comunicando?
    É preciso avaliar se sempre comunicamos para o mesmo grupo, já captado pelo seu discurso ou por sua vivência. Sim, é preciso manter o diálogo com estes.
    Mas onde está o problema? De quem esperamos mudança de comportamento? É preciso comunicar-se e aprofundar o diálogo com o grupo mais desafiador…
    Sou admiradora de seus textos, Eduardo. Abraço!

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  2. Olá, Maria Amélia,

    Diversos públicos, diversas necessidades de informação, diversas linguagens. Quem fica de fora das escolhas temáticas e estéticas da campanha “Sou legal no trânsito”? A resposta seria um bom indicador qualitativo do investimento público realizado. E isso nos leva a outras questões: qual é a avaliação objetiva da campanha? O plano de marketing deve ter previsto o monitoramento da repercussão da campanha, do alcance da mensagem, estratificada por faixa etária, região do país, e assim por diante. Não seria importante tornar transparentes esses resultados?

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  3. Você tem argumentos consistentes Eduardo e concordo com você em alguns aspectos.
    Mas, na minha opinião, a campanha convida, talvez de forma ingênua, a todos os que utilizam o espaço de circulação a serem “legais”. Acredito que só isso não basta, mas levou as pessoas a refletir, a se incomodar com o tema. Qualquer ação educativa obteve êxito se provocou alguma reação que tire as pessoas da apatia e da alienação…

    Não me incomoda se esta campanha dialoga ou não com a realidade, sinto-me incomodada pela realidade que a confronta . E as relações no trânsito podem ser modificadas de diversas formas, não existe uma fórmula mágica e não é só essa a ação educativa. Há muitas ações não ligadas à educação que também cumprem a função de educar.

    Nossa sociedade não é homogênea (não acredito que alguma seja) e uma campanha voltada pra um público tão diversa alcança algumas pessoas e outras não. Isso também aconteceria em uma abordagem mais agressiva ou mais realista…

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  4. Olá, Mariangela,

    Bemvinda!

    Nenhuma mensagem ou campanha pública pode alcançar a todos e a todas em toda parte. É uma limitação da linguagem e, sobretudo, um obstáculo imposto pelas diferenças entre gerações. Ao invés de uma única grande campanha anual, deveríamos produzir várias, com abordagens distintas, focando questões e grupos específicos. O problema é que isso custaria recursos que nunca estão disponíveis, o que nos leva a questionar qual deveria ser a prioridade da utilização dos recursos. Se temos apenas 70 milhões de reais, quem deveria ser o público alvo do investimento?

    Provocar “alguma reação” nas pessoas não justifica todo esse dinheiro, menos ainda se essa reação não significa qualquer reflexão sobre “ser legal”. É muito grave, ao contrário do que lhe parece, que a campanha não dialogue com a realidade, porque é dessa realidade que falam as pessoas. A ação educativa provocada pelo convite realmente ingênuo do “ser legal”, portanto, não se realizou e sequer serviu para balançar a alienação das pessoas, como fica claro em muitos depoimentos. E isso nos traz de volta à questão central: para quem falou a campanha? Aos jovens, talvez?

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  5. A campanha falou a mim… rs e tenho 24 anos. mas eu, assim como as pessoas que prestaram o depoimento, não represento o todo.

    Quando digo alguma reação, não falo de forma leviana, “qualquer coisa tá bom”, mas acredito que se as pessoas encontraram esse espaço que, como você mesmo disse, não estava tão óbvio, imagino que de alguma forma elas tenham sido tocadas (talvez tenham ficado indignadas… quem sabe?) pela campanha e queriam saber mais.

    Ainda sustento a ideia de que não é o mais importante representar a realidade, a educação por meio da mídia pode ocorrer (e ocorre o tempo todo) por situações que fogem da realidade, ou que fingem retratar a realidade (na verdade, desde a graduação tenho estudado muito educação por meio da mídia e nunca vejo a realidade sendo retratada, pra mim é sempre uma caricatura – e acredito que a campanha faz a caricatura do bom, do gentil, do exemplo – as pessoas interagem com aquela imagem de forma subjetiva, de acordo com suas vivências, mas sempre interagem em maior ou menor profundidade).

    Mas, ao final, duas questões ficam pra mim:

    1) Como estão sendo aproveitados esses outros espaços de educação virtual?

    2) Justifica-se o gasto de R$70 milhões em qualquer ação que seja, considerando o orçamento que se disponibiliza à educação para o trânsito?

    Abraços,
    Mariangela

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  6. Olá, Mariangela,

    As pessoas não foram tocadas pelo conteúdo da campanha – essa é a essência da minha crítica. O conceito do “ser legal” não conversa com nada do que as pessoas expressam. A minha interpretação é que elas ignoraram o conteúdo da campanha e simplesmente falaram o que queriam falar – queriam muito, aliás, porque ninguem divulgou que havia excelentes canais de comunicação à disposição. O antagonismo entre o Ping da campanha e o Pong das pessoas deveria ser levado muito a sério.

    É fundamental educar a partir do real, Mariangela. Do concreto ao abstrato – esse é sempre o movimento dialético da construção do pensamento. Por que recorrer à caricaturas de comportamentos? Essa operação idealista e profundamente moralista está na origem dos problemas da educação para o trânsito, como argumentei em post anterior.

    Isso tudo nos leva, mais uma vez, às suas duas questões. Qual é a prioridade? Qual é a eficácia de tudo isso?

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  7. Na minha opinião as campanhas de segurança no trânsito no Brasil são, de certa forma, ingênuas. Basta que vejamos os filmes de campanhas estrangeiras como as tchecas para se certificar disso. No Brasil nunca mostram o impato da batida, o momento do acidente, ou seja, a consequência da irresponsabilidade do condutor. Isso toca, impacta, choca, mexe com alguma coisa escondida sei lá em que dobra de nós mesmos que acende o sinal de alerta: preciso ser responsável no trânsito. O trânsito é um sistema social, interdependente, em que não basta que um seja legal se todo o conjunto não é. Sem dizer, a dubiedade da palavra legal, implicitamente dizendo: respeite as leis. Trânsito é valores, exercício de negociação: se você respeita o outro nas situações cotidianas porque construiu esses valores, vai respeitar no trânsito, e assim por diante. Precisamos de campanhas menos ingênuas, mais realistas, impactantes.

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  8. Olá, Márcia,

    Bemvinda! Obrigado pelo comentário. O contraste entre as campanhas públicas de trânsito brasileiras e estrangeiras é muito forte mesmo. Isso ficou claríssimo no conceito da campanha “Sou legal no trânsito”. É uma escolha de linguagem e, na verdade, uma desorientação profunda quanto ao público que se quer atingir, mobilizar, incentivar. Não é que a campanha seja inútil ou que não comunique nada a ninguém – a questão é saber quem se move pela mensagem que é transmitida. Os jovens? Duvido muito. Mas se uma campanha pública ignora que são eles as principais vítimas, os principais alvos da mensagem, então é preciso questionar para que serve essa campanha.

    Participe sempre que puder e quiser. O espaço está aberto.
    Obrigado, Biavati

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