o cinto

Ata-nos! A segurança dos ocupantes


Uma simples fita de nylon, fixada em três pontos na estrutura do veículo, que passa de um lado a outro da linha do quadril e diagonalmente ao longo do tórax do ocupante, com um único objetivo: retê-lo no assento, em caso de colisão. Conhecemos essa fita pelo nome de cinto de segurança, uma das maiores invenções da indústria automobilística no Século XX.

O cinto de segurança salva vidas e, sobretudo, contribui decisivamente para a redução da gravidade das lesões do motorista e dos passageiros em um acidente de trânsito. A chance de sobrevivência torna-se 50% maior, mas requer uma decisão e uma ação concreta do ocupante do veículo: usar o cinto.

Por muito tempo, o uso do cinto foi uma opção das pessoas e quase não lembramos mais que praticamente ninguém escolhia usá-lo nos veículos brasileiros até 1997. O novo Código de Trânsito Brasileiro catalisou, então, a transformação da letra morta da obrigatoriedade do uso do cinto em uma realidade que se impôs firme pela fiscalização e penalidades rigorosas, somadas à uma ampla campanha de educação. Aprendemos a usar o cinto e, mais do que isso, adotamos um hábito que é repetido hoje por mais de 90% dos motoristas e passageiros do banco dianteiro no país.

O cinto de segurança foi o objeto de uma revolução cultural que salvou a vida de milhares de brasileiros e de mais de 1 milhão e meio de pessoas em todo mundo. A revolução estancou, porém, quando chegou ao terreno do banco traseiro. Pouquíssimos brasileiros o considera importante quando viajam lá atrás – apenas 1 pessoa em cada 10 decide não viajar solta; o resto segue ignorante de que suas chances são 2 vezes maiores de sofrer lesões graves ou fatais e, além disso, agravar os ferimentos do passageiros da frente, mesmo quando estes estão usando o cinto.

Esse é o desafio proposto pela Semana Nacional de Trânsito de 2010 – universalizar a adesão ao cinto de segurança por todos os ocupantes dos veículos. Devemos conquistar os jovens para o uso consciente do cinto, reforçando suas atitudes de autocuidado, e, antes deles, conquistar as crianças, que agora contam com regras precisas para viajar como passageiras no banco traseiro.

A introdução dos dispositivos obrigatórios de transporte de crianças até 7 anos e meio demanda o aprendizado de novas habilidades pelos pais, mas sobretudo os torna objetivamente responsáveis pela segurança da criança no veículo ao longo do seu crescimento. É preciso fomentar essa responsabilidade, torná-los vigilantes das novas regras e, afinal, formadores de futuros jovens para os quais será inquestionável usar o cinto no banco traseiro, nas noites de balada que virão.

Temos a oportunidade, assim, de preencher antigas lacunas e dar um passo além na disseminação do entendimento de que a segurança de cada um depende da segurança de todos – partilhamos juntos uma mesma viagem.

São Paulo, Junho de 2010

Eduardo Biavati

[texto de apresentação da Semana Nacional de Trânsito de 2010, de 18 a 25 de setembro, publicado pelo DENATRAN]

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2011.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

3 comentários em “Ata-nos! A segurança dos ocupantes”

  1. Olá, Eduardo!

    Bem, velhos problemas, soluções a serem pensadas e aquelas já pensadas que precisam ser reelaboradas.

    A resolução 277 chegou ao conhecimento da “massa” dois anos depois da sua publicação fazendo barulho e causando tumulto. Resultado até agora: dúvidas, inadequações, desfuncionalidade de itens etc., etc. Campanhas educativas que estão sendo feitas às pressas, fiscalização que foi prorrogada e a ausência da promoção da reflexão. Fica apenas a lei pela lei, a regra pela regra e a disseminação da informação do dinheiro a ser pago pela infração. Espero que o quadro de medidas se reverta para que não fique apenas a superficialidade de uma mudança.

    Quando penso, como você menciona, no aprendizado de novas habilidades por parte de pais e responsáveis, fica a ligação extremamente estreita entre segurança e responsabilidade. A segurança dos pequenos se emaranha nas atitudes de responsabilidade dos grandes. Esses mesmos que serão colocados contra a parede pela utilização do equipamento de segurança; algo que os próprios podem nem fazer uso no dia a dia e colocar para os caronas do banco traseiro.

    Creio que esta jornada será um árduo e contínuo exercício de avanço para a compreensão de que a segurança de cada um depende do coletivo.

    Tomei conhecimento de seu blog há pouco tempo. Estou gostando muito dos artigos e da oportunidade de reflexão, de pensar e repensar idéias e conceitos. Sua aula de Sociologia do Trânsito, no próximo final de semana, dará mais espaço para tal dinâmica.

    Abçs, Simone.

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  2. Olá, Simone,

    Bemvinda! Se o blog serve para disseminar informações e incomodar os conceitos, está valendo!

    Ou todos temos segurança ou ninguém tem – é uma conquista coletiva, ao contrário do que parece. Teremos oportunidade de conversar sobre isso e muitas outras coisa no curso. É um curso de estréia – vamos ver se o roteiro funciona e, principalmente, se todos se engajam. Será um ganho se todos percebermos as conexões complexas que fazem o trânsito – é disso que procurarei falar: das conexões e um novo modo de pensar a educação e as campanhas. Esse têm sido temas constantes aqui no blog.

    Pois bem, leia, comente, divulgue. Os posts são textos abertos, na verdade. Essa é a idéia.

    Abraço,

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  3. Olá Biavati,

    tenho uma dúvida em relação ao transporte escolar de crianças com idade a 7 anos e meio, como será feito? Pq se nós pais tomamos os devidos cuidados em relação à segurança dos nossos filhos quando transportamos em nosso veículo particular. Minha preocupação, no transporte escolar eles vão ter esses cuidados? a resolução 277 vale para tb valer pra eles? Pq senão é tapar o sol com a peneira, até pq vejo sempre os transportes escolares cometerem infrações de trânsito com os nossos filhos dentro do veículo.

    Abraços, Sheyla.

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