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Comendo poeira. Breve história de como a poupança atropelou a segurança no trânsito


ParsatavillageNo dia 22  de dezembro de 2010, 189o da Independência e 122o da República, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um Decreto instituindo a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) com a finalidade de:

“promover a educação financeira e previdenciária e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores”.

É claro que ninguém notou o ato derradeiro porque estávamos preocupados demais com festas, comes e bebes e a renovação de ilusões natalinas de harmonia e paz entre os homens. Além disso, todo mundo sabe que finzinho de mandato é sempre assim: assina-se qualquer coisa, concede-se quaisquer bondades, agrada-se gregos e troianos, num velho jogo de apagar da luzes e alguma vantagem futura.

O ato presidencial guarda, no entanto, alta significação ideológica e política que não deveria passar em branco. Ao menos entenderíamos melhor porque o Brasil não moveu uma palha sequer na direção da Década de Ações pela Segurança no Trânsito – o grande movimento internacional capitaneado pela ONU do qual não fazemos parte ainda, exceto como nação periférica e alienada de si.

A “Estratégia Nacional de Educação Financeira” define uma série de iniciativas pedagógicas voltadas aos jovens alunos do Ensino Médio e Fundamental, bem como aos adultos, com o objetivo de

erradicar o analfabetismo financeiro no país

Nada de ensinar a colocar moeda no porquinho! Na sala de aula, as crianças e os jovens serão orientados a dimensionar o valor de bens desejados (lanches, brinquedos, roupas, lazer etc.), aprendendo a formar um julgamento racional e ponderado do custo e da necessidade das coisas. O cidadão responsável é aquele, afinal, que assume as consequências do que faz com seu dinheiro. A longo prazo, espera-se que a sociedade brasileira desenvolva, assim, habilidades financeiras que ajudem na identificação dos riscos e oportunidades envolvidos em cada decisão econômica, tanto no âmbito do orçamento doméstico, como nos hábitos de poupança ou nas escolhas de seguros, financiamentos e até nos planos da futura aposentadoria.

É mais do que evidente para os ideólogos da novíssima “Estratégia Nacional” que adultos que foram orientados ao longo da vida ao bom uso do dinheiro fazem escolhas mais equilibradas, gastam menos com juros e, portanto, consomem com mais qualidade. É tudo muito óbvio, mas é exatamente o contrário do que fazem os consumidores tupiniquins! Pesquisas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que 82% dos brasileiros desconhecem os juros que pagam quando tomam empréstimos! 3 em cada 10 paga o mínimo da fatura do cartão de crédito! Muito pior: 87% não poupa um único centavo!!! Donde se conclui que o brasileiro é mesmo um A-N-A-L-F-A-B-E-T-O financeiro.

Será possível que até nisso copiaremos a lambança e descontrole de norte-americanos e europeus que gastaram tudo o que tinham e o que não tinham, comprando imóveis, bens, carros e tudo mais que viam pela frente? Agora que a América quebrou, todo mundo perdeu emprego e as hipotecas estão sendo executadas a rodo, ficam lá eles, chorando as pitangas! Isso para não falar daqueles analfabetos que derramaram dinheiro gordo nas mãos de um trambiqueiro-mór de nome Maddoff, dentre eles:

  • Fairfield Greenwich Advisors, 7,5 bilhões de dólares
  • Tremont Capital Management, 3,3 bilhões de dólares
  • Banco Santander, 2,87 bilhões de dólares
  • Bank Medici, 2,1 bilhões de dólares
  • Ascot Partners, 1,8 bilhão de dólares
  • Access International Advisors,1,4 bilhão de dólares
  • Fortis-ABN AMRO, 1,35 bilhão de dólares
  • Union Bancaire Privée, 1 bilhão de dólares
  • HSBC, 1 bilhão de dólares

Como se pode ver, um bando de banqueiros e financistas muuuito analfabetos…

O analfabetismo financeiro dos brasileiros tornou-se problema para o Sistema Financeiro Nacional e, agora, objeto de uma Política Pública específica por razões muito claras: o crescimento da economia brasileira nos últimos anos é indissociável de uma transformação estrutural do financiamento da produção e do consumo. O volume de crédito na economia expandiu enormemente na última década, partindo de um patamar de R$ 380 bilhões em 2002 para mais de R$ 1,6 trilhão de reais no final de 2010. Novas formas de financiamento, como o crédito consignado e a ampla oferta de cartões de crédito, além de taxas médias de juros declinando e prazos maiores, viabilizaram o aumento do número de tomadores de crédito de 8,5 milhões de pessoas em 2004 para mais de 25 milhões agora.

A bancarização da sociedade brasileira é mesmo um fenômeno extraordinário com amplas repercussões econômicas e sociais. Ao final de 2009, tínhamos mais de 81 milhões de contas-correntes ativas no Brasil, um aumento de 69% em comparação aos 48 milhões no início da década passada. De certo modo, o brasileiro torna-se cidadão e sujeito de políticas de Estado no guichê das agências bancárias espalhadas pelo território nacional: é por lá que passam os ganhos da aposentadoria e a renda essencial do bolsa-família, por exemplo. Conta em banco, cadastro, cartão, crédito – tudo isso é, também, uma forma de inclusão, de afirmação de pertencimento à economia formal – um vínculo quase inalcançável para milhões de trabalhadores há 10 anos ou mais.

A valiosíssima contribuição dos bancos à sociedade brasileira é inegável. Talvez por isso não estranhemos os lucros estratosféricos dos líderes do setor ao longo da última década. Enquanto aqueles bancos analfabetos de Nova Iorque evaporavam na crise de 2008 em diante, por aqui tudo seguiu sólido como nunca antes na história. O gigante Itaú-Unibanco terminou 2010, por exemplo, com um lucro de R$ 13,3 bilhões – 32,3% superior a 2009!! Foi o maior resultado anual da história de todo o setor financeiro nacional, turbinado por uma expansão de 18% das operações de crédito. Banco do Brasil e Bradesco não ficaram muito atrás, alcançando R$ 11,7 bilhões e R$ 10,02 bilhões de lucro, respectivamente, no último ano. Só nos resta agradecer orgulhosamente, eles merecem!! Como é justo esse mundo!

O problema é que nem a expansão do crédito nem a capacidade de pagamento das pessoas e das famílias são infinitos. Vai-que alguma coisa escape ao controle? Vai-que a “classe média emergente”, novata no campo financeiro movediço, se estrepe em uma espiral de juros impagáveis? Vai-que esses milhões de analfabetos financeiros se tornem inadimplentes… todos ao mesmo tempo? Isso seria um risco sistêmico gravíssimo para a economia nacional. Não se pode brincar com isso, e é bom lembrar que 1/5 quinto dos alunos que terminam o ensino médio não sabe em matemática nem o que se espera para um estudante do 5º ano (ou 4ª série) do fundamental, ou seja realizar operações básicas como soma e divisão, de acordo os resultados de 2009 da Prova Brasil e do SAEB.

Nada como prevenir o pior: já que mau devedor pode se tornar um vírus destrutivo perigosíssimo (veja só o que os americanos-caloteiros fizeram com o pobre do Lehman Brothers!), é preciso atacar logo pelo front surrado da educação, formando o cidadão a tomar decisões racionais, equilibradas e responsáveis desde cedo. Está mais do que na hora, portanto, de abandonar álgebra e trigonometria (que mal têm uso na vida real), e começar a ensinar conteúdos mais simples, tais como matemática financeira e juros compostos! Educação é a salvação!

A essência da “Estratégia Nacional de Educação Financeira” é contribuir para a solidez do sistema financeiro nacional e isso explica os sócios de peso que a sustentam:

É mole ou quer mais? O empreendimento conta ainda com apoio financeiro e técnico do Banco Mundial e é diretamente incentivado pela OECD (organismo internacional do qual o Brasil nem é membro, mas que vem fomentando a inclusão da educação financeira em mais de 60 países, alguns dos quais, aliás, estão praticamente falidos, como a Grécia e a Irlanda).

Faltava apenas um Decreto da Presidência da República como reconhecimento máximo de um trabalho que vem sendo elaborado desde 2007 e que, aliás,  já foi implementado em 410 escolas da rede pública dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal e do Ceará em 2010. A educação financeira não é uma promessa: é pra já!!

Era essa, pois, a surpresa natalina do Decreto presidencial: ganhamos de presente um novo tema transversal no Ensino Médio e no Ensino Fundamental que fará parte do currículo das 200 mil escolas da rede pública a partir de 2012!!! Quanta generosidade! Que visão!

Falta apenas uma peça nesse enredo: como implementar o novo tema transversal sem envolver o Ministério da Educação? Ora, e quem disse que esqueceram dele? O MEC é sócio majoritário e avalista essencial do novo tema transversal da educação financeira desde o princípio. O programa foi desenvolvido sob orientação de e em parceria direta com o MEC, que promete, aliás, capacitar os professores para a nova missão educacional.

Mas, espere um minuto: não tem sido essa exatamente a demanda da educação para o trânsito, desde a promulgação do Código de Trânsito Brasileiro em 1997? Está lá prevista, no artigo 76, a cooperação indispensável e evidente do Ministério da Educação:

“A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1o, 2o e 3o graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União (…)”

Nada disso, entretanto, saiu do papel. O Estado Brasileiro não dispõe até hoje de uma política pública federal sobre o assunto. Depois de vagar 13 anos por corredores de Brasília, com uma lei debaixo do braço, a educação de trânsito poderia se perguntar: o que a educação financeira tem que eu não tenho?!!

As respostas chegaram todas juntas, um mês antes da assinatura do Decreto-Presente, graças ao Dr. Carlos Artexes Simões (Diretor de concepções e orientações curriculares para Educação Básica do Ministério da Educação). Ele apresentou ao público do III Seminário DENATRAN de Educação e Segurança no Trânsito as razões pelas quais esse Ministério NUNCA colaborou para a implementação da educação para o trânsito em qualquer nível educacional e muito menos nacionalmente:

  1. O marco legal (Código de Trânsito Brasileiro, uma Lei Federal vale lembrar) é insuficiente para a apropriação da Educação para o Transito nos sistemas de ensino de ensino e unidades escolares;
  2. O Ministério da Educação não tem poder de determinar a qualquer gestor estadual, municipal, e nem mesmo ao gestor de uma unidade educacional, a inclusão de um tema transversal;
  3. A educação brasileira está saturada de temas transversais que competem em cada unidade escolar por recursos humanos e tempo limitados;
  4. A formulação dos objetivos da educação para o trânsito não está articulada com nenhum dos múltiplos atores institucionais – trabalhadores da educação, estudantes e Conselhos de Educação – que compõem os Sistemas de Ensino brasileiros;
  5. As Diretrizes Nacionais de Educação para o Trânsito (Portaria no. 147, do DENATRAN) e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, ambas publicadas em 2009, simplesmente não dialogam entre si.

Que descascada geral! Trocando em miúdos, o Dr. Carlos quis dizer: “vocês querem educação para o trânsito? Comecem do ZERO! Minhas senhoras e meus senhores, VÃO À LUTA!!” E todos ficaram mudos porque o sabão espumava fundamento para todos os lados.

O que temos oficialmente no Brasil por “Educação para o Trânsito” é fruto de um monólogo, no máximo o produto da inteligência de uma ou poucas cabeças. As “Diretrizes Nacionais” do DENATRAN são, na melhor da hipóteses, um consenso ideológico de um grupo restrito de educadores e educadoras engajados com a temática do trânsito. Quando as idéias ali foram expostas ao diálogo com outras formas de entendimento do trânsito? E, para além desse campo temático limitado, quando elas integraram conhecimentos que estavam à disposição nas áreas de saúde e segurança pública, por exemplo? Se tivessem levado em conta os dados e análises de outros setores, as “Diretrizes” deveriam ter focado com urgência o Ensino Médio, ao invés de a Pré-escola…

Dr. Artexes tem razão. Enquanto se gastavam neurônios em como ser “legal no trânsito”, formulavam-se em Brasília e pelo país afora um conjunto de novas políticas públicas de segurança e para a juventude, marcadamente intersetoriais e multiinstitucionais, todas solenemente ignoradas pelas “Diretrizes Nacionais” do DENATRAN. Tivessem acompanhado ao menos os estudos demográficos e sociais do IPEA e do IBGE, os formuladores oficiais da “Educação para o Trânsito” descobririam que estavam falando sozinhos e atirando no alvo errado. Quem sabe até teriam descoberto que ao esvaziar a “Educação para o Trânsito” de qualquer reflexão sobre a violência e sobre a juventude, eles aniquiliram o contato com o mundo concreto.

É claro que ninguém no Ministério da Educação dedicou meio minuto de atenção a uma proposta vazia de objetivos que se pretendia a salvação da educação nacional (o tal “resgate dos valores pela cidadania no trânsito”), mas não passa de um amontoado de moralismos que não se sustentam nem pedagógica nem sociologicamente.

O representante do Ministério da Educação desnudou com muita precisão as razões do isolamento da “Educação para o Trânsito” desde 1997. Ao cabo, as tais “Diretrizes” nunca foram nacionais em sentido algum e nem de longe representam uma Política Pública Federal sobre o assunto. Sempre me pareceu muito estranha mesmo a enorme resistência do setor de educação à… educação para o trânsito. Agora, sim, fica tudo bem explicado!

Entretanto, não é incrível que a inclusão da educação financeira como novo tema transversal da Educação Brasileira tenha se tornado uma Política Nacional, apoiada e patrocinada pelo Ministério da Educação, no curtíssimo período de 3 anos? Onde foram parar todos aqueles obstáculos complexos e o papel limitadíssimo do MEC?

Não conclua que essa breve história narre simplesmente a vitória do TER sobre o SER – esse é o escapismo fácil de todo moralista de plantão. Ao invés disso, considere que TODAS as instituições representativas do Sistema Financeiro Nacional e importantes instituições internacionais se UNIRAM em torno de uma proposta concreta, fundamentada conceitual e metodologicamente e validada empiricamente. Ao contrário, a Educação para o Trânsito nos últimos 13 anos não passou de uma idéia genérica, cheia de boa fé e um punhado de dogmas pedagógicos (pobre Paulo Freire! pobre Piaget!), que não uniu nem mesmo os órgãos gestores do tal Sistema Nacional de Trânsito.

Cada detalhe do Decreto Presidencial revela, então, que a estratégia institucional, os conceitos e a prática da educação para o trânsito estiveram profundamente equivocadas na década que passou e que deveríamos resgatá-las do amadorismo político e da inteligência limitada em que se afogaram.

Por último, toda escolha é uma eleição de prioridade, sem dúvida – a da hora é ensinar nossos jovens a navegar nas águas abundantes e traiçoeiras do crédito bancário. A Presidência da República decidiu pela fascinante educação financeira e os mistérios da poupança; em outro momento poderá escolher a educação para o trânsito e a segurança, porque de pouco adianta, afinal, ensinar o jovem a poupar e usar crédito e perdê-lo depois, atropelado no meio da rua.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

29 comentários em “Comendo poeira. Breve história de como a poupança atropelou a segurança no trânsito”

  1. Com gestores despreparados não podemos esperar algo sobre segurança no trânsito, estes esquecem que o trânsito é umas das causas de mais óbitos nesse país e acidente de trânsito custa muito aos cofres da naçao, a escola financeira sugerida poderá trabalhar essa questão para amenizar essa falta de inteligência do gestor público que não viu como importante e educação para o trânsito.
    Está no CTB, mas só está e nao sai do papel, é uma pena que isso estaja acontecendo.

    Voldinei João Sebben – Sananduva- RS

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  2. Eduardo, parabéns pelo texto, com certeza o esforço de alguns em realizar projetos de educação para o trânsito são insuficientes para revertermos o triste quadro de mortalidade entre nossos jovens. Necessitariamos mesmo de uma ação de governo, dentro de uma poilítica nacional, porém não interessa a nenhum governo, seja em nível federal, estadual ou municipal. O que vemos são pessoas abnegadas pela educação para o trânsito buscando ano a ano construir uma consciência nos jovens para que não morram no trãnsito, com parcos recursos e pouco apoio institucional. parece que agora os Detrans estão acordando e realizando mais campanhas educativas, o que sem projetos educacionais nas escolas também não resolve.

    Acredito que a sociedade como um todo, não está nem aí para questão das mortes no trânsito, pois se preocupa apenas com a questão da fluidez, desejando que as vias devam proporcinar condições de tráfego sem limites de velocidade, com espaço para todo o tipo de infração, sem que qualquer fiscal o aborde, com a certeza de que nenhum acidente ocorrerá com ele, pois afinal, é motorista ha tantos anos, e assim por diante. Muitas vezes nos choca vermos em uma conversa com alunos, os professores ficarem aterrorizados com os números de mortos no trânsito e, logo após a palestra, os professores são os primeiros a não usarem o cinto de segurança a cometerm infrações de trânsito.

    Então, temos muito ainda a avançar.

    EDUCAÇÃO PARA TRÂNSITO JÁ.

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  3. Olá, Bira!

    Obrigado. Muito bom contar contigo em Ijuí para pensar essas questões.
    Bom, o assunto é velho mas não podemos deixar passar batido: por que a segurança no trânsito não se consolida como uma política prioritária dos governos e, muito mais importante, como uma demanda da sociedade civil? Muito pelo contrário, o que se constata é a divergência de interesses, cada um lutando por si, todos delegando a alguma entidade (o tal Governo) que se faça qualquer coisa. Isso envolve os empresários, os padres e pastores, escolas e docentes (!!) e até mesmo, para ser franco, muitos pais e maes. Quantos jovens deveriam morrer para que isso mudasse?

    Não há uma resposta única para se romper o isolamento da “educação para o trânsito” e nem por isso devemos desistir de pensar e agir. Mas é sempre bom observar o que ocorre ao nosso redor para colocar tudo em perspectiva: o sucesso da educação financeira oferece muitas pistas.

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  4. Olá, Voldinei,

    Veja que as vozes gaúchas abriram hoje os comentários no blog!
    Você está enganado em um ponto: os gestores SABEM EXATAMENTE que o trânsito mata e mata jovens demais. Ninguém é tão alienado, nem mesmo o Prefeito ou Governador de plantão. A questão é que nada disso importa, em termos políticos. Não é uma demanda de ninguém, de nenhum grupo organizado ou, para ser mais genérico, da sociedade civil. Se ninguém cobra, se a cobrança não é um problema, para que gastar tempo e dinheiro com isso?

    Abraço,

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  5. Legal!
    Estava curiosa em ler o post depois de seus teasers no facebook e twitter.

    Minha avaliação principal: vontade política e entidades efetivamente interessadas – entidades AR-TI-CU-LA-DAS.
    Quando os interesses convergem parece que o negócio tende a funcionar.

    Daí vem a minha pergunta: que interesses tão distintos têm as intituições que atuam no segmento de trânsito e transportes?

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  6. Ei Eduardo, parabéns pelo artigo. O tema é atualizadíssimo. A questão de ainda não termos uma política nacional de educação para o trânsito, assim como as circunstâncias que justificam as escolhas e as prioridades dadas pela União para os chamados temas transversais da educação, está bem fundamentada nesse texto.

    Parte da expansão desse crédito foi para o consumo de veículos, o que tem levado os municípios a lidarem com uma realidade para a qual não estavam e não estão preparados: a do crescimento exponencial da frota e dos conflitos advindos do uso das vias urbanas face à onipresença dos congestionamentos.

    Do ponto de vista do cidadão, há a percepção de que a educação para o trânsito não acontece. Pior: nem se espera grande coisa do Estado, que se contenta em fazer campanhas. O que é perceptivo para ele é o interesse do poder público em fiscalizar e multar, numa verdadeira “judicialização” do CTB. As responsabilidades do cidadão têm de ser cumpridas enquanto as do poder público tornam-se isentas dessa obrigatoriedade. Essa relação iníqua só faz aumentar a imagem negativa que o cidadão faz do poder público, visto como instância que não trabalha a seu favor.

    Outra questão: os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito tendem a preencher, mau e porcamente, a lacuna deixada pelo DENATRAN/MEC, e criam setores de educação para o trânsito que buscam adestrar as pessoas para a lógica da segurança subordinada à necessidade da “naturalização” da fluidez.. A quem interessa a falta de clareza de responsabilidade institucional sobre o tema (MEC ou órgãos gestores), assim como a consecução dos financiamentos da educação para o trânsito?

    Você faz bem o papel de denunciar os caminhos que estão sendo tomados, ao mesmo tempo em que provoca a todos debruçar sobre o tema. Pena que o DENATRAN não demonstre incômodo com tais prioridades governamentais. Pena mesmo!

    Grande abraço,

    Marcos Evêncio.

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  7. Oi, Maria Amélia,

    Esse post demorou! Estou escrevendo desde dezembro, mas o assunto já incomodava muitíssimo há uns 2 anos, quando ouvi pela primeira vez a pretensão da “educação financeira” em se tornar uma política de educação nacional. Acho simplesmente ridícula a idéia, mas tenho nada contra. O que me deixou indignado é que tenha virado um Decreto Presidencial, justo na hora em que o Poder Executivo poderia ter articulado algo, qualquer coisa, mesmo que fosse ficção, para apresentar à Década de Ações 2011-2020.

    Depois de um tempo, ficou claro que o episódio contava uma história de sucesso que contrasta muito com o nada da educação para o trânsito no país. Por que esse nada? Ora, porque há dissenso mesmo entre os gestores da política pública de segurança viária e praticamente nenhuma representatividade da sociedade civil organizando-se pela demanda da educação. Você conhece bem os órgãos gestores do Sistema Nacional de Trânsito e já deve ter percebido que a “educação” é uma caixinha irrelevante no organograma, e no espaço físico, de todos os órgãos. A “educação” não dispoe de nada: nem pessoal, nem recursos, nem autonomia para PENSAR e EXECUTAR qualquer coisa que se possa chamar de “educação para o trânsito”. Todos os gestores máximos de qualquer órgão dirão, porém, que nada é mais prioritário do que a educação bla-bla-bla. Eu já ouvi o mesmo discurso emocionado pelas vidas perdidas e pelas milhares que salvaremos jorrando da boca de figuras absolutamente descomprometidas com a realidade.

    Isso nao quer dizer que ninguem faça nada de importante, que tudo seja inútil, que os profissionais sejam imprestáveis. Isso quer dizer apenas que as coisas não se resolvem assim, na base de “cada formiguinha levando seu graozinho”. As montanhas não se movem por causa das formiguinhas, infelizmente.

    Mantenha contato!
    Abraço,

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  8. Oi, Marcos,

    Veja que a partir de um tema aparentemente tão distante do trânsito, estamos mesmo é pensando o trânsito e, principalmente, a política do trânsito.

    A quem interessa a falta de clareza da responsabilidade institucional? Serei rigoroso na resposta: a responsabilidade institucional não se move sem um suporte social, sem que a sociedade civil organize a demanda pela responsabilidade. Não importa que os gestores seja responsáveis, por definição da lei. Gostaríamos que a Lei resolvesse alguma coisa por todos nós, mas isso não acontece assim. A pergunta deveria ser dirigida à sociedade: a quem de vós interessa a educação para o trânsito? As igrejas? As escolas? Os docentes? Os trabalhadores e os sindicatos? As uniões estudantis? A quem interessa suportar a demanda politicamente até que se torne uma política pública?

    Há outros aspectos que respondi ao comentário da Maria Amélia, dê uma olhada.

    E o dados? Como vai a busca?

    Vou encaminhá-lo

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  9. Caro Eduardo,
    Aqui acolá leio seus posts, onde vc consegue sempre captar sagazmente o momento do nosso caos no trânsito. Este ultimo foi muito feliz no tema, bastante atual, e resume-se no batido “continuamos vivendo como se não houvesse o amanhã” A questão do interesse dos políticos demonstra sempre que prevalece o interesse individual sobre o coletivo, exatamente e na medida em que não se tem um nível de organização suficiente para “cobrar ações concretas” destes mesmos políticos… Concluo com uma lembrança triste mas curiosa: qdo em Porto Alegre uma mobilizacao pacifica de ciclista é interrompida por um maluco que arremeteu o veiculo que dirigia atropelando todo mundo… que coisa!?!…

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  10. Como vai, Mario?

    Obrigado por acompanhar o blog! Ótima surpresa!
    Coincidentemente, ontem entrei em contato com o companheiro Bruno Attademo, da Petrobras. Já faz uns anos do trabalho com as turmas pelo RN/CE e pensei que poderíamos propor uma reciclagem – segurança é assunto infinito. Ele me contou que haverá eleições para as CIPAS por agora, certo? Vamos ver se haverá interesse. Será um prazer reencontrar todos por aí.

    Agora, quanto ao post, você tem razão: se não há uma demanda organizada, os interesses se levam pelo individual, deixando o coletivo sempre em segundo plano. Não é um defeito da política brasileira; é da política. Mas podemos piorá-la quando preferimos acreditar que é dever dos políticos resolverem o mundo para nós.

    Já o absurdo de Porto Alegre anteontem é de outra natureza: ali o problema é mais profundo. Vamos ver o que a Justiça gaúcha decidirá. Foi mesmo um singelo ato de legítima defesa ou ato comum de atentado contra a vida?

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  11. Bravo, Eduardo!
    Que “artigo” magnífico!
    Ostenta bem sua língua afiada, sua saliva ácida, seu dedo sempre em riste sentenciando culpas; apontando, com tamanha convicção, o certo e o errado, o bom e o mau (não seria esse um “escapismo fácil para um moralista de plantão”???).
    Como lhe faz bem “descascar geral”, desopilar seu veneno à custa do esforço alheio. Esforço, diga-se de passagem, da Câmara Temática de Educação, da qual VOCÊ participa, a meu convite. Mas qual importância tem o trabalho dos outros para um ser tão superior, não é mesmo?
    “Trocando em miúdos”: por que VOCÊ não começa logo a gastar seus ricos neurônios para “fazer” educação para o trânsito (com sustentação pedagógica e sociológica)? Por que VOCÊ, com sua inteligência privilegiada, não começa tudo do zero? Por que VOCÊ não vai à luta? Por que VOCÊ não apresenta uma Política Pública Federal sobre o assunto, já que tudo foi tão “bem explicado” pelo MEC?
    Pensando bem, talvez seja porque VOCÊ não tenha coragem suficiente para botar sua cara à tapa nem seja capaz de ter “contato com o mundo concreto”. É bem possível que, ao tomar alguma atitude (no “mundo concreto”), depare-se com o sarcasmo, o menosprezo, o desrespeito… E, certamente, seu ego não está preparado para isso. Caso contrário, já teria aprendido a falar menos e a FAZER mais…

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  12. Bom dia , Eduardo!

    Estou estupefata com teu artigo. Realmente fiquei sem palavras para contrapor, no mesmo nível de acidez e descaso com o trabalho de outros, este teu artigo. Só pergunto: quem é dono da verdade?
    A Portaria 147 foi fruto de um grande esforço da Câmara Temática de Educação para o Trânsito, da qual, segundo me consta, ainda és membro titular. Não seria lá o fórum para detonares este trabalho que, em nenhum momento, ofende Piaget ou Paulo Freire.
    Além de estupefata, fiquei muito decepcionada. Acredito que tu deves saber bem o porquê, uma que já realizamos trabalhos juntos, nesta área, que infelizmente, está eivada da busca de implementação de “poupança” individuais.
    Que pena ter tomado conhecimento deste artigo.

    Ana Maria Escobar Bernardes

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  13. Pode ser que a Política da Educação Financeira tenha bons frutos, mas como toda e qualquer ação (seja ela pública ou privada), tem que ser elaborada com o conhecimento técnico de algumas pessoas, mesmo que contem com participação, opinião, sugestão de milhares. Eu tive oportunidade de contribuir com as duas, Financeira e do Trânsito.
    O maior vazio deste país talvez ainda esteja no eu acho, eu penso… Os dois trabalhos envolveram profissionais com conhecimento técnico, científico, opiniões e sugestões. No caso do trânsito, dezoito membros tiveram colaboração e responsabilidade efetiva (Câmara Temática), incluindo vc. Se falta algo, se há falhas, nada impede aos que a vê, incluindo o MEC, de apresentar algo mais apurado e concreto, contribuir de fato, sem crític apela crítica. A Portaria é que temos num país que passou mais de doze anos sem nem mesmo elaborar ou propor algo parecido, nem melhor nem pior. Por que será Eduardo? Por que MEC? Depois de longos anos na área de trânsito, em especial com a educação, de buscar apoio técnico e científico adequado no mestrado e doutorado concluído, vejo que temos muito a avançar, mas não acredito que o seja possível desta forma, apenas com trabalho, cumprindo as missões e apresentando propostas para expor à sociedade e instituições como o fizemos (todos os membros da Câmara Temática de Educação e Cidadania) com a Portaria 147/09. Ou estou equivocado que eram todos os membros.

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  14. Olá, Juciara,

    Bemvinda ao blog!

    Esse é um espaço democrático. Nada como o intercâmbio de idéias. Há muitos modos de ver a realidade, até mesmo na Líbia! Por isso, o bloco do eu-sozinho é sempre um enredo do fracasso. Veja bem que a construção do novo tema transversal da educação brasileira não cometeu esse erro político.

    Obrigado pelas opiniões,
    Biavati

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  15. Olá, Ana!

    Sim, sou membro da Câmara Temática e ainda tenho idéias próprias sobre muitas coisas. O fórum para discuti-las, porém, é aqui mesmo, nesse espaço aberto e democrático.

    Eu não detonei nada, ao contrário do que parece. As coisas afundaram por si mesmas, ignoradas de cabo a rabo pelo único Ministério do Poder Executivo da República que poderia torná-las realidade, isoladas de qualquer suporte civil ou político, não importa quantos milhares de cópias de “diretrizes” tenham sido espalhadas país afora. O que nos ensina, em contraste, o sucesso da “educação financeira”? Esse é o tema do post.

    Abraços, Biavati

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  16. Caro Leles,

    Eu não colaborei, nem tenho responsabilidade efetiva pelas “diretrizes”. À época, ainda não era membro da Câmara Temática. Se fosse membro, então, eu não concordaria em ignorar o ensino médio e, muito menos, em anular do conteúdo pedagógico a reflexão sobre a violência, porque isso denotaria, no mínimo, uma ignorância analítica do que já repetiam todos os dados nacionais e internacionais e, sobretudo, um autismo em relação à discussão crescente sobre juventude, segurança e saúde, que atravessava intersetorialmente várias instâncias da federação.

    A portaria é tudo o que temos, pois é, 13 anos depois. O fato é que isso é bem menos, quase nada, perto do que alcançou a “educação financeira”. É dessa que se ocuparão nossos jovens nos próximos anos.

    Temos muito a avançar, você tem razão. Poderíamos começar analisando os caminhos trilhados pela “educação financeira” até que tornasse uma política pública federal, por exemplo.

    Abraços, Biavati

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  17. Parabéns pela reflexão!

    Acompanho há 18 anos o teu esforço em colocar a educação para trânsito na pauta das discussões das politicas educacionais. Continue com a tua firmeza de propósito e lucidez de idéias e ideais. Você já caminhou muito e ainda há muito o que fazer! Assim, meu amigo, não esmoreça e nem desista porque você já é um ícone nacional respeitado pelo seu esforço e reconhecido pela sua competência.

    Em tempo, se a escola for a única responsável em ensinar tudo e um pouco mais, em que momento ensinaremos a ler e escrever?

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  18. Que texto ótimo…
    Só tenho motivos para concordar com o biavati. Que sistema é esse que vivemos? Em que mundo vamos chegar pensando assim com o MEC? Eu gostei da pergunta feita pela Biavati: o que a educação financeira tem que eu (Educação no trânsito) não tenho?!!
    Um texto muito inteligente que nos faz pensar em como será o futuro de nossas crianças. Esse é o nosso país, né???

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  19. Eduardo, lamento toda essa discussão acerca de um trabalho tão elaborado, por todos nós, incluindo você, que na condição demembro da Camara Tematica de Educação do CONTRAN também deu seu aval.
    É muito facil “lavar as mãos” e o dificil é participar, contribuir e acima de tudo apresentar proposta que possam agregar ….
    Pois é…. assim como os demais membros da Camara acredito que estamos sim fazendo muito pela Educação de Trânsito em nosso país.
    Nao basta apenas grandes shows, teatros, enfim toda uma “pantomina” o que realmente importa é construir um futuro melhor para todos… E isso tenho absoluta certeza NÓS , que estamos sempre presentes nas reunioes estamos fazendo.
    Bom, espero sua presença na proxima reuniao para discutir “cara a cara” seus desconfortos em relação as diretrizes.
    Grazi

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  20. Eduardo, salve!
    Em 1986, num congresso sobre segurança de trânsito em São Paulo, falei em minha palestra uma frase que até hoje, 25 anos depois, me parece verdadeira e que causou uma polêmica enorme: educação é a principal desculpa para não se fazer nada, inclusive educação. Outro palestrante havia dito, antes de mim, que a educação só produziria resultados em 20 anos, e que esforços tinham de ser feitos em outras direções. Bom, se passaram 25 anos, nada representativo foi feito, apesar do esforço hercúleo de um grupo reduzido de pessoas, os governos continuam a não dar a menor bola para o assunto (o carnaval mostrou bem claro o resultado disso, tanto na falta de infraestrutura adequada quanto no despreparo geral dos motoristas).
    Agora o assunto da vez é o tsunami japonês, com pessoas pedindo que oremos pelas vítimas.
    Repetindo nossa conversa no facebook, lá, à primeira vista, pode-se culpar a natureza pelo ocorrido, mas aqui, ao vermos as 213 mortes apenas nos asfaltos das rodovias federais, sem contar nas estaduais e municipais e sem avaliar o que está acontecendo alguns dias após nos hospitais, a culpa é de todos nós, portanto, é melhor fingirmos que é uma tragédia natural, inevitável, e continuarmos acreditando nas estórias da carochinha.
    Causa-me pena ver o esforços dos abnegados que acreditam no que fazem, frente a posições como o contigenciamento das receitas do FUNSET ou o ensino transversal de educação financeira. Cada um tem de fazer a sua parte, mas a revolta pelos que deveriam fazer e não o fazem, apesar de terem sido eleitos para isso, ou nomeados para isso, e receberem para isso, não há como abafar.
    Um grande abraço,
    Osias

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  21. Olá, Grazi!

    Bemvinda ao blog!

    Eu não tenho desconforto nenhum em relação às diretrizes. O documento que as contem é uma leitura da realidade, não é a única, do mesmo modo que seu entendimento do presente texto é uma das leituras possíveis. Imagine o que seria se todo mundo pensasse igual!

    Sempre lemos o que podemos ler. Observe, por exemplo, que algumas pessoas entenderam que eu ignorei que o documento tenha sido fruto de muito esforço e síntese intelectual. Muito pelo contrário! Imagino quantas dificuldades de toda ordem não tiveram que ser superadas para se chegar ao documento final!, mas não escrevi nada sobre isso no texto – o que está dito acima é simplesmente que o resultado de tamanho esforço foi completamente ignorado política e conceitualmente pelo Ministério da Educação até a presente data, bem ao contrário do que aconteceu com a “Estratégia Nacional de Educação Financeira” desde o primeiro minuto. O contraste é muito impressionante, mas alguém pode até considerar que uma portaria do DENATRAN e um Decreto da Presidência da República são coisas de mesma importância.

    Por último, ao contrário do que você menciona, eu NÃO DEI AVAL às “diretrizes”, NEM ERA MEMBRO da câmara temática no ano de 2009. Quando um dia eu soube que existia o tal documento, ele não apenas já estava aprovado como impresso e grampeado. Não era propriamente um papel para discussão; era assunto encerrado. Além disso, essa conversa de “lavar as mãos” é absolutamente sem sentido. Se alguém inferiu que eu concordo com as “diretrizes” porque nunca me dei ao trabalho de comentá-las é por desinformação, mas está tudo aqui no blog: o que eu penso exatamente é público há muitos anos – é quase repetitivo. Tem que ler, é verdade; dá um certo trabalho.

    Por último, na próxima reunião não haverá nada a discutir sobre o tema do blog. A única discussão legítima se dá aqui mesmo, nesse espaço do qual você participou e poderá sempre participar, assim como qualquer um, mesmo os que pensaram bastante, ou bem pouco, mas não escreveram uma linha publicamente.

    Abraço,

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  22. Olá, Osias!

    Bemvindo!

    Pois é, há quanto tempo não ouço também a ladainha de que educação é coisa de longo prazo!, trabalho para uma geração!, e que mudar cultura não é assim de uma hora para outra! Daí passam-se 25 anos e… nada aconteceu e o pouco que se se fez foi completamente inócuo para conter a escalada da vitimização dos jovens no trânsito. O recentíssimo Mapa da Mortalidade no Brasil 2011 devia ser lido todas as manhãs até que nos convencessemos de que os jovens de 15 aos 24 anos são o vetor da mortalidade e da violência no trânsito atualmente no país. Lendo com atenção, descobriríamos que desde 2006 essa tendência estava claramente confirmada, ao passo em que declinavam as altíssimas taxas de mortalidade por homicídios. Nada como olhar para além do trânsito.

    Abraço,

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  23. Prezado Eduardo
    Creio que a sua reflexão foi extremamente equilibrada e que reflete o pensamento de muitos daqueles que dedicam as suas vidas com o intuito de promover a segurança e a educação de trânsito.
    Ao longo dos anos, me parece, tanto o MEC quanto o próprio Denatran pouco fizeram para que a educação de trânsito se tornasse efetivamente um política pública.
    Para o MEC, penso, a educação no trânsito não passa de um tema transversal a mais e que vem só a requerer um pouco mais de trabalho, mas que tem pouca importância.
    Aliás, a segurança e a educação no trânsito nunca foram efetivamente prioridade para quem quer que seja em termos de esfera pública (executivo, legislativo e judiciário).
    As mortes e as graves lesões proliferam-se desregradamente, afinal, são “acidentes”, portanto, inevitáveis…
    As mortes no último carnaval? Para que se preocupar? São coisas nornais para este momento de extrema alegria e felicidade para os brasileiros. Menos para os familiares daqueles que se acidentaram.
    Continuar trabalhando com a segurança e a educação no trânsito, só mesmo por muito idealismo.
    Somos formiguinhas tentando fazer algo de útil.
    Afinal, os países da OECD tem conseguido reduzir drásticamente a acidentalidade viária por mera sorte.
    Vários países latinoamericanos, também. Pura sorte!
    Que pena que o povo brasileiro não tem essa dorte…Afinal, Deus não é brasileiro?

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  24. Olá, Archimedes,

    Bemvindo ao blog!

    Há tempos pensava em conversar contigo. A Heloísa Martins me fala sempre do seu trabalho em São Carlos. Pois bem, espero que possamos conversar em breve pessoalmente.

    O sucesso da Educação Financeira desnuda de modo muito impressionante os equívocos políticos que mantiveram a Educação para o Trânsito no mesmo lugar de sempre: ignorada completamente pelo sistema educacional brasileiro. A educação para o trânsito é completamente inviável fora da política educacional pelo simples fato de que ela é, na melhor das hipóteses, um aspecto do processo educacional mais amplo do cidadão. Nada mais pretensioso e desfocado do que o discurso usual de que o objetivo da educação para o trânsito é “formar o cidadão”… Esse é um tema para futuros posts. Este apenas colocou em relevo a força da articulação que resultou na consagração da Educação Financeira. Deveríamos reavaliar o caminho até aqui e aprender algumas lições – mas isso não interessou realmente aos interlocutores, que se debateram em defender um projeto fracassado.

    É uma sorte que Deus seja brasileiro!! Quando saímos por aí, nas estradas, a cada esquina, a pergunta que realmente deveríamos fazer é: como é que não morre todo mundo?? Eu vejo uma senhoras apressando o passo lento, com ajuda de bengala, aqui em sampa e sempre penso isso: como é que não morrem atropeladas 20 por dia?!! Alguma sorte nós temos – pena é que paguemos tantos impostos para que não precisassemos de tanta sorte para voltar para casa vivos todo dia.

    Participe sempre. O espaço é aberto. Na primeira chance, vou a São Carlos com a Heloísa para conversarmos. Abraços,

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  25. Oi Edu

    Há muito tempo não via algo tão lúcido sobre a educação para o trânsito no Brasil. Você tocou na ferida e como canta o meu conterrâneo – Éque Narciso acha feio o que não é espelho.
    PARABÉNS pela excelente abordagem.
    Enquanto isso, vejo agora que a polícia prendeu e a justiça mandou soltar o ANIMAL QUE MATOU 3 PESSOAS.
    Assim não dá pra ser feliz.
    Cristina Aragón

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  26. Querida, Cristina,

    Espelhos são sempre um problema! Falar para ouvir o próprio eco também. Eu não tenho dúvida nenhuma do fracasso político e da fragilidade conceitual da educação para o trânsito nos últimos 13 anos. É isso justamente o que revela o contraste quase agressivo da trajetória da Educação Financeira. Chega da ladainha choramingosa de que ninguém se importa com a educação para o trânsito, de que nunca há recursos para a educação para o trânsito etc. etc. etc. É sempre mais fácil mistificar a realidade, mas essa desculpa geral eu, pelo menos, não engulo mais.

    Quanto ao Edmundo-animal… melhor nem dizer nada, não é?

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  27. Oi Eduardo, parabéns pelo nível de elaboração das informações sobre a situação antagônica da educação como meio, certamente a mais eficaz, para o desenvolvimento da experiência com o trânsito no Brasil. Eu não sou especialista na área, mas realmente fico estarrecido com o nível de reação da nossa coletividade para este tema, e é neste momento que sinto o grande abismo de real progresso entre as nossas classes dominantes (supostamente mais desenvolvidas e com mais recursos, inclusive poder…) com a de países realmente mais evoluídos! Também motivado pela sua lucidez nesta matéria, pesquisei sobre a sua experiência que me parece bem robusta, então aproveito a oportunidade para perguntar-lhe se não há modelo/plano já elaborado alternativamente com melhor qualidade do que estes gestores públicos estão propondo? Se positivo, onde posso acessar para aprender melhor sobre este plano, e se possível colaborar. Não seria também o caso de sublinharmos o crítico aspecto da responsabilidade corporativa social? A própria indústria diretamente envolvida neste setor deveria de apoiar mais este desenvolvimento, ainda que em alguns casos com algum conflito de interesse pois com maior esclarecimento provavelmente haverá maior eficiência generalizada que efetivamente pode vir a representar menos desperdício, gastos, faturamento….Sob uma perspectiva mais pragmática, sob a consenso que o “road map” é via educação, por que não organizamos uma campanha demonstranto efetivamente os efeitos das más práticas no trânsito, com laboratórios fixos em parques (ou outros pontos bem locaizados…) e até com unidades móveis pelo interior, educando o povo de maneira mais efetiva, sem ter que depender tanto destes agentes públicos que não estão conseguindo entregar a sua missão como deveriam neste tema? Já existe campanha/promoção equivalente? Finalmente, acho também que as nossas campanhas de comunição sobre o tema, de novo…. pelos gestores públicos ainda que supostamente bem assessorados por boa agências de comunição, estão longe de passar o tom da seriedade e grau de trauma que emerge desta “guerra de fato” que significa a experiência do trânsito para o nosso país, em contraste por exemplo da recente campanha lá na Austrália……É claro que há de se respeitar a ordem natural no espectro de prevenção a partir das políticas e legislação, estruturas organizacionais, redes de cooperação/coalizaçào etc, consciência dos atores do setor; porém enquanto isto “não anda”, entendo que temos de empreender e promover medidas bem objetivas para consciênca coletiva e também para treinamento/condicionamento dos indíviduos, não é? E neste plano mais tático, terminaremos desenvolvendo habilidades das pessoas…Então se cria uma força de baixo para cima, também requerendo melhor desempenho do topo, não? A discussão e esclarecimento democrático tem que acontecer, ainda que sujeito a possível notória ineficiência/burocracia, porém neste interim a nossa grande dádiva de Deus que é a vida, pelo menos neste nível de existência, é disperdiçada…..inclusive de maneira ainda mais trágica com as nossas crianças e jovens….Esta nossa negligência coletiva tem que parar. De novo há algum planejamento estratégico que você “leva fé” atualmente sendo implementado no Brasil? E quanto a este programa educacional com povo…? Continue com esta sua bela iniciativa, que é eficaz, olha quanto que já escrevi sem nunca ter sequer elaborado muito sobre isto! além da frustração usual de vários outros milhares de Brasileiros…..Abraço e fica com Deus, pode contar com o meu apoio no trilhar do seu caminho. Carlos Mattos

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  28. Olá, Carlos,

    Bemvindo ao blog!

    Muito obrigado pelo longo comentário – se valeu o tempo de sua reflexão e expressão, então é mais do que eu poderia desejar. O blog é uma plataforma de diálogo, que acontece de muitas maneiras como eu fui aprendendo ao longo do tempo: poucas pessoas escrevem aqui, embora essa possibilidade de exposição pública e de comentários cruzados seja o potencialidade mais sedutora desse meio de comunicação; outras falam pessoalmente, outras comentam e disseminam idéias e opiniões completamente alheio do meu conhecimento. Fui aprendendo que isso aqui é muito mais um ponto de passagem, é um movimento que eu inicio, mas depois disso pode tomar qualquer direção ao longo do tempo (ainda hoje há textos escritos em 2008 que recebem comentários e são lidos).

    Esse post foi um dos mais polêmicos (muitas vezes agressiva, mas democraticamente publicada) dessa trajetória de 4 anos do blog e certamente foi o que mais me tomou tempo de análise. No contraste impressionante com a trajetória da “educação financeira”, o texto expôs uma compreensão aguda do fracasso do projeto da “educação para o trânsito” na história recente do Brasil.

    Existe um abismo impressionante, como você bem percebeu. É um abismo do Poder Público e, claro, também do setor privado – segurança viária NAO É um tema de responsabilidade social corporativa, longe disso no Brasil.

    Precisamos reinventar a roda? Nossas pedagogas de plantão acham que sim – muita gente pensa que educação para o transito é educação para a cidadania e faz disso uma espécie de plataforma de transformação moral, ética e social da sociedade… andaram lendo Paulo Freire, pena é que entenderam pouquíssimo. Primeiro porque não entendem o que é cidadania, segundo porque ignoram o que ingleses, espanhóis, australianos, e franceses já experimentaram ao longo do tempo. Bom ponto de partida: os ingleses. Pragmáticos, inteligentes, com os dois pés no mundo real dos dados objetivos das pesquisas e estatísticas.

    Em uma escala municipal, é mais ou menos o que você encontrará na experiência de anos de São José dos Campos. Em escala nacional, não é nada do que voce encontrará.

    Buenas, voce colocou várias questões que prometo comentar em outra ocasião, mas já agradeço seu cuidado e interesse. Vou adiantar o seguinte: não há resposta para todas – há apenas a urgência de buscar essas respostas. Há cada vez mais urgência… abraço

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  29. Como vc mesmo já disse em uma ocasião: não dá para falar de trânsito pensando só em trânsito e esse é o papel de um tema transversal, ir além das fronteiras das especialidades. Onde a Educação para o Trânsito tem pecado que não se torna tão atrativa para os Imperadores? Qual o lucro de difundir e concretizar essa ideia? Será que a Educação Financeira decolou mesmo, conforme vc desenha? Será que a Educação Financeira tem alguma lição a nos dar? Ou é pura domesticação?

    A Educação sozinha jamais resolverá os problemas do mundo, mas nenhuma solução surge sem passar por um processo pedagógico.

    Nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco, por isso o trabalho de formiguinha sempre trará perguntas e respostas inusitadas!

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