Maria de Lourdes. A voz e a vez.


Quando tudo aconteceu, já não havia mais toda a gente que lotara o Auditório Nereu Ramos por quase 3 horas. Políticos de todos os partidos, Senadores e Deputados, já haviam gravitado pela sala, no entra-e-sai exasperante, cada vez mais desatento, que é o cotidiano da Câmara dos Deputados.

O lugar não é para amadores: toda vez que vou ao Congresso Nacional penso que Niemeyer desenhou aquele labirinto com todo o desprezo pela política – a política burguesa – que cabia no traço. Aquilo não é um lugar para se encontrar; é para se perder; não é lugar de reverberar; é de calar o eco.

Pois ali dentro, no dia seis de abril, ocorreu a  instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro da atual legislatura (2011-2014) – uma importante coalizão política que tem à frente o chamado para uma Década de Ações pela Segurança no Trânsito, o movimento global capitaneado pela ONU que se estenderá até 2020 com o objetivo de reduzir pela metade a mortalidade no trânsito no mundo.

Não era lugar nem hora para ações, porém. Tudo ali é verbo, é discurso: o parlamento é a casa da fala. Falas, aplausos, falas, aplausos – tudo segue um protocolo, uma ordem e, sobretudo, uma hierarquia: falam primeiro os mais poderosos, representantes dos representantes, depois os representantes simplesmente, nobres deputados e senadores. Não é uma casa da fala dos representados.

Depois de bem educadas, as pessoas aplaudem até sem ouvir, desde que isso não atrase demais o almoço; mas ninguém sairia dali naquele dia sem ouvir Maria de Lourdes, de Ipatinga, Minas Gerais:

Acabou ali a solenidade da ocasião: 1 minuto não!

A pequena Maria de Lourdes reivindicou todos os minutos para expandir sua dor e sua indignação. Coube a ela apenas unir o que todos antes haviam separado burocraticamente:  a urgência que move a fala, o gesto que completa a idéia, a emoção que transporta a comunicação entre nós, os humanos. 

Aquele simples jaleco branco, coberto de nomes escritos à mão, foi uma das expressões mais poderosas e autênticas que eu presenciei em muitos anos. Era Maria de Lourdes e muitos mais: ela falava em coro, como no antigo teatro grego, e afundou todos em suas cadeiras; houvesse buracos no carpete verde, restaria enterrar as cabeças até o pescoço. 

Que Maria de Lourdes tenha transbordado seu coração para tão poucas pessoas na platéia, esvaziada de representantes do Poder Executivo, de diretores dos Departamentos Estaduais de Trânsito, de intelectuais e tecnocratas, e demais autoridades da hora, diz muito do estado em que nos encontramos. Quem soube ouvir, terá (re-)descoberto o quanto custa cada centavo sequestrado do FUNSET e do DPVAT há tanto tempo.

Passei anos demais nos Hospitais da Rede SARAH, assistindo a jovens chegarem para suas longuíssimas reabilitações. A gente perde a lágrima depois de um tempo. É defesa e é impotência – mas não perdi a sensibilidade. Tivesse esquecido dela, não teria almoçado muito mais tarde naquele dia, ruminando a vergonha de que não fui, nem você, nem todos nós juntos – NÃO FOMOS capazes de avançar o bastante nos últimos 15 anos. Seremos daqui por diante?

Bemvindo à “Década de Ações pela Segurança no Trânsito”.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

24 comentários em “Maria de Lourdes. A voz e a vez.”

  1. Eduardo,

    Voce expressou o meu sentimento.

    Antes da Maria de Lourdes, Fernando Diniz da Ong TRANSITOAMIGO falou oficialmente em nome das vitimas. De sua fala destaco duas afirmativas muito fortes. A primeira, classificando a recorrente omissão das autoridades no enfrentamento da questão como um ato de “cumplicidade” pelas centenas de milahres de mortes nos últimos anos. A outra, tão bem representada pela Maria de Lourdes, o aviso de que as verdadeiras autoridades naquele recinto eram eles, as VITIMAS. A expressiva parcela da população que pagam o mais elevado preço de tanto descaso com a segurança no trânsito.

    Por fim, por absoluto dever de justiça, é preciso registrar (e isso o filme mostra) o momento que o Deputado Hugo Leal, que presidiu toda a cerimônia, me chama à mesa e pede que eu oriente a equipe técnica para que o microfone não fosse cortado e que deixasse a Sra. Maria de Lourdes extravasar toda a sua emoção no tempo que quisesse.

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  2. Bom dia, Fernando,

    A omissão é um dever calado, muitas vezes surdo e cego também. TODOS os gestores do Sistema Nacional de Trânsito deveriam ser um dia acusados de muito mais do que isso: eles deveriam ser responsabilizados pela incivilidade com que lidaram com o cargo que lhes foi confiado pelo verdadeiro pagador de seus salários: o cidadão brasileiro.

    Devemos ao Deputado Hugo Leal, é a mais absoluta verdade, o tsunami moral da Maria de Lourdes. Nada disso teria acontecido sem o comando, o espírito democrático e a humanidade com que ele a tratou. Nada que eu desconhecesse, mas ali, naquele dia, ele se ergueu acima de todos e fez valer seu mandato.

    Muito obrigado, Biavati

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  3. Grande Eduardo,

    Só você mesmo para dar amplitude a esse depoimento carregado de significados. Morei muito tempo em Ipatinga e conheço a realidade de lá. O grande medo fica na BR 381, que liga a cidade a Belo Horizonte.

    Não consegueirei reproduzir fielmente, face ter passado muito tempo, mas certa vez numa palestra o fotógrafo também mineiro Sebastião Salgado, ao cobrir guerras civis no leste europeu, nos chamava a atenção para o fato de o ser humano se adaptar muito rápido às situações.

    Dizia ele que no início dos conflitos as pessoas passavam horrorizadas pelos corpos caídos nos confrontos. Com o passar do tempo, essa rotina não assustava ninguém, nem gerava comoção. Crianças iam para a escola normalmente, saltando os mortos.

    A fala da D. Lourdes salta essa pasmaceira do discurso do poder público e traz sentimento, emoção, comoção, indignação. Saiu recentemente relatório de seguradora dando conta de 160 mortes/dia no Brasil e ninguém diz nada. Não sabidos os altos números de mortos ao ano. Dias atras, a Folha de S. Paulo publicou matérias sobre os pontos de concentração de acidentes nas rodovias e a falta de um tratamento especial para tais locais.

    As ações mais comuns de intervenção para segurança tem sido as implantações de radares eletrônicos, com sérios problemas de motivação para arrecadação e não para segurança, o que mostra muito o tipo de interesse dos governantes.

    Outro ponto que merece reflexão é o de como os chilenos demarcam os pontos de mortes nas rodovias. O comum aqui no Brasil é colocar uma cruz no local. Lá, eles fazem jazigos, com muros, grades, capelas, enfeitam com flores e bandeiras. É uma forma de demonstrar a dor e uma maneira de chamar a atenção de que ali se foi alguém.

    O que D. Lourdes conseguiu e você amplifica, é o fato da urgência em chamar a atenção e não deixar algo tão sério nas mãos dos políticos tradicionais e nas suas ligações com as pequenas empresas e os grandes negócios.

    Abraços,
    Marcos Evêncio.

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  4. Eduardo,
    Palavras pungentes, dolorosas e verdadeiras.

    Na Ilha da Fantasia os çábios (como bem a propósito grafa Élio Gaspari) dos tribunais e do congresso se esmeram em criar e utilizar brechas nas leis, em nome de uma pretensa segurança jurídica, deixando que milhares de Marias de Lourdes surjam a cada dia nas nossas ruas e estradas.

    Quando os legisladores e os juízes se identificarem com as vítimas do trânsito, e não mais com os causadores das mortes, talvez isso mude. Quando eles não se sentirem mais ameaçados no seu “direito” de beber e dirigir, talvez tenham coragem para mudar alguma coisa. Enquanto insistirem em relativizar as leis, nada mudará.

    E não é só em relação à bebida, mas em relação à tudo que mata no trânsito. Para eles, matar é uma fatalidade, chegam a dizer que o assassino também é vítima. E a imprensa promove jogadores, cantores, políticos que sofreram a “fatalidade” de matar ao dirigirem depois de beberem. Ninguém se lembra mais das vítimas, ninguém sabe o que aconteceu com suas famílias, mas os bacanas continuam cada vez mais bacanas, servindo de exemplo e de desculpa para milhares de assassinos em potencial.

    Quem pisa num acelerador bêbado é tão mau quanto quem puxa um gatilho apontando a arma para um semelhante. E quem o deixa fazer isso e sair impune é tão conivente com a morte quanto os maus policiais, advogados e juízes que protegem o crime organizado.

    Osias

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  5. É bem emocionante mesmo o discurso dela! Vamos ver se a coisa anda pois é muito evidente a falta de vontade que existe em melhorar as leis e tributos de uma forma geral. No trânsito a coisa é grave mesmo, não exite educação nem punição eficaz. Se os adolescentes já fossem educados desde crianças talvez se tornassem adultos mais conscientes…isso da uma longa discussão…
    Boa sorte!
    e um grande abraço,
    Rico

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  6. Olá, Marcos!

    Esse, sim, é um leitor fiel! :)

    Essa capacidade humana de superar a dor, suportar a desumanidade e a violência se chama RESILIÊNCIA. É aquilo que nos move para a vida, mesmo quando o mundo inteiro desaba sob nossos pés e acima de nossas cabeças. Nem todo mundo é tão resiliente assim e, de certo modo, penso que somos cidadão e contribuintes também para que não tenhamos que arregimentar a força de nossa resiliência, ao menos diante do previsível e estúpido mundo do trânsito. Abraço, Biavati

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  7. Prezado Eduardo

    O desabafo da Maria de Lourdes é aquele de todos nós, de todo o povo brasileiro atingido diariamente pela guerra no trânsito.

    Quantas outras marias de lourdes ou josés, gostariam de poder ser ouvidos pelos nossos deputados e senadores. E também as autoridades executivas.

    Quantas dessas pessoas ecoam seus sentimentos de perda, de tristeza, de profundo sentimento de imobilidade e que são representados pela Maria de Lourdes.

    É incrível ver toda essa matança e constatar que os “nossos” representantes ficam lá em Brasília dicutindo o “sexo dos anjos” sem resolverem nada de importante para o povo brasileiro.

    Aliás, não sei se a Ilha da Fantasia brasileira fica no território brasileiro ou se é no espaço.Os moradores da ilha (não sei se o são, pois lá permanecem o mínimo possível) não se sensibilizam com os grandes problemas brasileiros: o trânsito, a saúde, segurança, educação… Aliás, eu mesmo nem sei para que que existe Brasília.

    Creio que tudo vai continuar a ser como sempre foi. Só vai mudar o dia em que nós, o povo brasileiro, deixarmos de votar nestas pessoas totalmente descompromissadas com a reais necessidades da população. Apesar do apelo da Maria de Lourdes, somos nós os culpados, pois em vez de elegermos verdadeiros representantes, escolhemos jodador de futebol, palhaço, boxeador, estilista, gatunos, mensaleiros… E, veja, não tenho nenhum preconceito em relação às profissões lá representadas, desde que se dispusessem a trabalhar pelo povo.

    Acho que quem precisa mudar relamente somos nós……..
    Abraços

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  8. Senhores,

    Uma atividade tão importante como aquela e os Políticos de todos os partidos, Senadores e Deputados, já haviam gravitado pela sala, no entra-e-sai exasperante, cada vez mais desatento, Mostra que não estão nem ai para as trajedias que acontece hoje no transito Brasileiro. Atè quando?

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  9. Olá Eduardo

    Sou jornalista aqui no RS e recentemente tive o privilégio de conhecer a dona Dilurdes. Na busca por cases para um reportagem especial sobre como fazer a diferença no Brasil para um projeto vencedor do Prêmio Jovem Jornalista de direitos humanos pude encontrar o site do Movet. Minha expectativa era encontrar apenas um grupo que buscasse assinaturas para emenda popular e assim complementar minha matéria que falava de uma gaúcha que inseriu sua lei na Constituição sendo apenas uma dona de casa. Tamanha foi minha surpresa em ver a força desses pais mineiros que transformaram a dor em luta. Tenho certeza que irão conseguir e não só por MG ser o estado com maior número de mortes no trânsito ou por esta ser a década da luta contra violência no trânsito mas porque quem luta, alcança. Parabéns pelas belas palavras escritas neste blog. Envio dois links: um de uma matéria especial que fiz ao Movet e outro da grande reportagem da gaúcha que mencionei. Abraço.

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  10. Caro Biavati, “um grito de uma mãe que não queria ficar preso na garganta” foi o que fez a Diza Gonzaga, criar o VIDA URGENTE, que busca na mobilização social as mudanças que os legisladores não fazem.

    Entendemos perfeitamente o desabafo da Maria. O MOVET contará com nosso apoio na coleta destas assinaturas, e o Brasil com a nossa força na defesa da vida dos nossos amigos, filhos, pais, etc. …quem sabe faz a hora, não espera acontecer – e sabemos que a hora é agora, que a vida é agora – que não existirá futuro para muitos, se não fizermos um presente melhor.

    Um grande abraço a você e em especial a Maria de Lourdes – de todos nós da Fundação!

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  11. Olá, Eliza,

    Bemvinda ao blog!

    Parabéns pelas matérias! Elas reportam o quanto ecoa pelo país, nas cidades e nas famílias, a violência do trânsito em nossa sociedade – somos todos vítimas!

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  12. Querida Ana Maria,

    E não ficou mesmo preso na garganta! Quando as famílias ainda se recolhiam à resignação privada das perdas imensas e numerosas, a Diza saiu às ruas para dizer que as coisas não ficariam como antes. A Diza desbravou o caminho da expressão de tantas outras mães e pais pelo Brasil afora e soube galvanizar os jovens para cuidarem de si e do outro – jovens que cuidam de jovens.

    Talvez não houvesse Maria de Lourdes sem Diza, mas é certo que estamos aprendendo a cobrar cada gesto de voto, cada compromisso de eleição, de cada representante popular. É um aprendizado de cidadania imperfeito, dificílimo: ainda é preciso gritar.

    Em junho, parto para Porto Alegre. Vamos pensar em novos horizontes juntos.

    Obrigado, Biavati

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  13. É isso, Tania. Eu teria escrito que todos nós, que lidamos com essa realidade estúpida e violenta do trânsito, deveríamos dedicar 10 minutos de cada dia e assistir de novo e mais uma vez ao grito de Maria de Lourdes, apenas para nos lembrar a quem devemos verdadeiramente servir.

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  14. Lanço aqui um novo movimento que proponho chamarmos de “O Grito da Dilourdes”!

    Simplificadamente, podemos classificá-lo como as ações de não conformismo e de reação à acomodação de todas as esferas de poder no trato da questão da violência no trânsito.

    O que acham?

    Fernando

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  15. Boa, Fernando! E se todas associações de vitimas e o Instituto Sou da Paz sr cotizassem para alcançar o total de assinaturas que faltam para o Projeto de Lei Popular? Eu enterraria no Congresso Nacional e derramaria copias volumosas em frente do Palácio do Planalto e ao DENATRAN

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  16. Boa tarde, Eduardo.

    Estava presente neste evento e assim como você bem relatou, observei os olhares incrédulos, a vergonha estampada na cara de muitos e principalmente como nosso comodismo e conformismo diante de uma carnificina anunciada deixa milhares de pais e mães órfãos todos os dias, já que, infelizmente, grande parte da população acredita ser o “acidente de trânsito” uma fatalidade e não se dá conta que a violência do trânsito atinge a todos, não havendo distinção de cor, credo, sexo, posição social, nada que diferencie uma pessoa da outra nessa questão.

    Para estes não basta os números, não basta as notícias diárias sobre as centenas de mortes no trânsito, não basta que Marias de Lourdes e Fernandos deêm seus depoimentos emocionados e extremamente reais sobre como esse sofrimento é imenso, intenso e infinito, para estes só resta ser vítima dessa violência ou ter um dos seus vitimados para perceberem o quanto esse tema é real e presente em nossas vidas.

    Naquele dia, no momento que a Srª Maria de Lourdes nos dava aquele choque de realidade, aconteceu um fato que me deixou extremanente ofendido e, principalmente, envergonhado por ter me calado e aceitado que um comentário feito por uma “autoridade” presente, que inclusive teve seu nome anunciado pelo mestre de cerimônia, e que estava em uma poltrona logo atrás da minha fosse feito e eu para evitar criar problemas, principalmente para mim, pois se expusesse tal comentário estaria colocando a tal autoridade em uma situação constragedora me calei e mudei de lugar.

    Quando a mesma pegou o microfone e passou a relatar sua história e sua indignação diante de quinze anos de inércia, como você bem diz, esse comentou com uma pessoa que estava ao seu lado “mais uma maluca”, minha vontade naquele momento foi me levantar e o questioná-lo em público, de fazê-lo explicar a todos nós presentes como uma “autoridade” que a princípio teria que zelar pela segurança no trânsito e pela preservação da vida faz um comentário de uma mãe que em sua infinita dor a deixava exalar por todos os poros de seu corpo toda sua indignação. Mas como relatei, me faltou coragem e hoje depois de muito pensar resolvi relatar tal fato para que todos tenham mais uma prova de como funciona a gestão do trânsito em nosso país, pessoas que a princípio teriam que zelar por nós e que para isso recebem seus gordos salários, pagos com nosso suado dinheiro, nos tratam assim, como loucos, como números de uma fria estatística.

    Trabalho com trânsito há dezoito anos e durante todo esse tempo sempre tive provas reais do tamanho do descaso com este tema pelas autoridades responsáveis em todas as esferas governamentais e este fato só veio o comprovar o que sempre digo, a questão do trânsito em nosso país sempre foi relegada a segundo plano e tratada com amadorismo. Espero que esse evento seja o começo de uma nova era, e apesar de tudo minha luta continua incessante e diária em prol da vida.

    Desculpe utilizar seu espaço para meu desabafo, mas desde daquele dia estava entalado com esse fato e encontrei em seu texto o incentivo para relatar e demostrar toda minha indignação.

    Abraços,
    Rafael I. Ferreira

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  17. Olá, Rafael,

    Bemvindo ao blog!

    Não há o que desculpar: o espaço é livre e ilimitado para isso mesmo – servir de canal de comunicação e de troca de idéias.

    Eu não ouvi o que você ouviu, mas ouvi resmungos variados de que aquilo era “um absurdo”, que ela era uma “sem noção”… francamente eu nem dei ao trabalho de imaginar quem eram as figuras.

    Se fossem pessoas com um mínimo de humanidade e coragem, elas deveriam ter saído do esconderijo da voz baixa e do cochicho, para falar o que pensavam em público.

    Essa é precisamente a distância entre esse tipo de gente e a Maria de Lourdes – ela não estava ali para ser platéia; ela era protagonista.

    Visite o blog, comente os posts, divulgue. Obrigado, Biavati

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  18. Bom dia Eduardo,
    Paz e Bem!

    Certa vez estava lendo um artigo que continha os escritos de um importante pensador brasileiro – Paulo Freire – e uma frase se destacou: “Não basta ir às massas para falar delas, não basta ir às massas para falar para elas, o importante é ir até as massas para falar com elas”. De fato, o que todos nós assistimos foi um grito… Um grito de exclusão! Disponibilizar 01 minuto para a massa falar (Maria de Lourdes “falava em coro”) é, no mínimo, excluir da luta aqueles que morrem nas trincheiras de nossas estradas, de nossas leis e de nossas omissões.

    Naquele jaleco… vários projetos: o projeto em ver o netinho nascer; o projeto de se formar em medicina; o projeto de ser mãe; de ser pai; talvez, o projeto de mudar nosso país. Lamentavelmente esses projetos foram engavetados nas covas de diversos cemitérios.
    Acreditamos que educando as pessoas podemos modificar pensamentos e comportamentos na prática de dirigir. Como bem afirma Rodrigues, em Psicologia Social, “a justiça é a primeira virtude das instituições sociais, assim como a verdade o é dos sistemas de pensamento. Uma teoria, por mais atraente, eloquente e concisa que seja, tem que ser rechaçada ou revisada se não é verdadeira; de igual modo, não importa quão organizadas e eficientes sejam as leis e instituições: se são injustas devem ser reformuladas ou abolidas”.

    Parabéns Eduardo e obrigado… sua atitude renova nossas esperanças de que um dia teremos um trânsito mais seguro, educado e humanizado. Seu Blog ecoa o grito de nossa causa por todo o Brasil!

    Charles Barreto – Psicólogo Cognitivo
    Psicólogo do Instituto Raquel Barreto em Defesa da Vida
    INTRANS / MOVET

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  19. Olá, Charles,

    Bemvindo ao blog!

    A causa é ampla, Charles; ela está aí posta diante de todos – melhor que saibamos ouvir. Eu acredito que a força de tantas famílias deveria invadir as escolas, unir as igrejas, forçar a mobilização e a sensibilização. Ainda não encontramos uma forma eficiente e sustentável de fazer isso, engajando inclusive o financiamento direto dos cidadão e comunidades, como ocorre há tanto tempo nos Estados Unidos. O que temos hoje é a força vital de pessoas como Maria de Lourdes e uma espera eterna de atenção e ação do Poder Público. Essa espera tem que acabar.

    Obrigado pelos elogios, Feliz Páscoa a todos! Biavati

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  20. E quem teve coragem de impedi-la?? Tentaram com um copinho de água calar a voz do coração que, em um impulso de revolta, amplificou seu único minuto, mostrando que as leis carregam seres humanos por trás.
    Chega de brechas na lei!
    Parabéns, Maria de Lurdes!

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