A imprudência


Está no ar a nova campanha do Ministério dos Transportes para a segurança no trânsito rodoviário nacional.

Que surpresa! O gestor máximo da imensa malha rodoviária federal, aquele ao qual está subordinado o DNIT, e a quem compete, por exemplo, a implantação de radares e controles eletrônicos de velocidade, voltou a patrocinar diretamente uma campanha de prevenção de acidentes nas rodovias do Brasil – endereço da morte de METADE dos brasileiros no transito. Bem-vindo de volta, MT!!

Na tela, uma nova abordagem da velha e terrivel im-pru-dên-cia. Quem nunca a praticou, não é desse planeta. Aquela trepada na árvore alta, o salto na cachoeira, a corrida com os cadarços soltos, a cambalhota corajosa na beira da piscina, a feijoada gorda do sábado, o consumo-porre de bebidas alcoolicas, a velocidade acima, bem acima, do limite da via… tudo imprudência, tudo ato de formação de culpa.

Bom roteiro, fraquíssima interpretação e a ocultação de verdades inconvenientes. Sim, a imprudência é um crime – ainda mais quando acontece em um ambiente rodoviário miserável, inadequado e descontrolado. Rodovia no Brasil é o espaço do Deus-dará do trânsito, cada um entregue à sua propria sorte.

O texto correto, e honesto, deveria dizer: “em nossas rodovias, de pista simples, sem acostamento e sem sinalização, sua imprudência pode se tornar um crime”.

COMPARTILHAR responsabilidades – eis a lição da “Década” que primeiro ignoramos.

 

Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

16 comentários em “A imprudência”

  1. Também não gostei. E olha que o Ministério já fez coisas boas, quando ainda existia o Programa de Redução de Acidentes no Trânsito (PARE) que foi inexplicavelmente desarticulado e desmobilizado, embora seus cargos de confiança ainda estejam sendo ocupados. Isso também não seria, digamos, no mínimo incoerencia de quem tem indelegáveis responsabilidades pela segurança das vias federais?

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  2. Pois bem, mas a Mariana ainda repete o mesmo equívoco conceitual que justifica a abordagem estatal das campanhas publicas nos últimos 5 anos: NÃO É VERDADE, NUNCA FOI, que os acidentes tenham como causa em “90%” dos casos as tais “falhas humanas”.

    Quem disse que são 90%? Quem atribui o evento à “falhas humanas”? O que são as falhas humanas? Ninguém cita a fonte e nem arrisca explicar a metodolgoia do cálculo dos tais “90%”, porque não há fonte, nem metodologia – esse é apenas um dos truísmos que engolimos há tanto tempo no entendimento da violência do trânsito. O psicologismo barato das “falhas humanas” é o escape de nossa incapacidade de entender a natureza estrutural e sistêmica da violência no trânsito. Além do mais, é sempre conveniente atribuir ao sujeito o destino trágico do qual é vítima.

    É exatamente essa a operação ideológica subjacente ao roteiro e mensagem das campanhas que a Mariana critica, com razão – critica, mas concorda. A “Década Mundial de Ação pelo Trânsito Seguro” representa uma RUPTURA profunda desse paradigma antiquado em favor de uma compreensão multicausal e sociológica da violência no espaço público. Qual é o conceito-chave da “Década”? O COMPARTILHAMENTO DE RESPONSABILIDADES – essa é a essência da proposição do Vision Zero sueco (na verdade, a matriz filosófica da “Década”da OMS/ONU).

    Escrevi sobre isso há algum tempo, quando o “Parada” começava a tomar forma, mas já deixava claro que “segurança viária” entre nós era um problema dos sujeitos: https://biavati.wordpress.com/2011/07/15/eu-mudo-o-transito-muda/

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  3. Olá, Fernando,

    O cala-boca do PARE (do qual deriva PARADA, veja só!) foi uma das mortes morridas ocultas do Governo Federal. Uma política intencional, burra, mas esperta que esvaziou de sentido o papel do MT na promoção da segurança viária nacional (mas mantendo, como voce bem lembra, os cargos e as benesses de um programa sem ação, nem rumo). Não vamos falar de incoerência, porque aí a análise amarga demais – o que uma mão busca, tibiamente, em segurança, a outra tira, sem-vergonha, com isenção de IPI e PACs. O Estado Brasileiro e, por isso, todos nós, nos tornamos mantenedores (por que não sócios de vez?) da indústria automobilística nacional: quantos bilhões nós temos transferido desde a primeira redução de IPI para as grandes montadoras? Bom, eu sei que só de ônibus escolares, as compras do Governo foram de 6 bilhões desde 2009. 30% da produção nacional de onibus e microonibus hoje é bancada pelo poderoso “Caminho da Escola”.

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  4. Bom, Marina, esse é um nó histórico nacional: o monitoramento e a avaliação do uso do recurso público e ainda mais importante do que isso: a TRANSPARÊNCIA na prestação de contas do que se fez, com quanto fez, para quem fez, com qual resultado, na direção de quais metas de curto, médio e longo prazos. Em inglês, há um termo excelente para tudo isso: accountability. Os governos e os gestores dos governos são accountable pelo recurso que empregam ao público a que servem. O conceito é simples, a aplicação é complexa e altamente sensível, como sabemos.

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  5. Eduardo, concordo c vc, mas vc não fala em suas críticas sobre as crenças e valores q temos enqto sociedade e se reproduzem na questão do trânsito. Culpabilizar o indivíduo pela violência sofrida é exclusivo nessa questão? Pra mim, é mais um fruto de nossas contradições sociais, como é a Lei Seca (vamos punir qm bebe e dirige, mas nunca vamos discutir a cultura de consumo do álcool ou a falta de transporte público para dar conta dessa demanda em grande parte das cidades) e outras questões q temos sofrido no trânsito brasileiro.
    Não dá pra pensar q um programa, por melhor q seja, vá dar conta dessas questões. Pra melhorar o trânsito no Brasil, assim como outras áreas q tanto nos preocupam, precisamos formar melhor gestores e técnicos, garantir a desfragmentação das políticas públicas e dos órgãos executores (e pra isso é necessária inclusive uma reforma política), protagonismo social e envolvimento das universidades, entre outras mudanças estruturais… Precisamos começar a discutir em q sociedade queremos viver para transformar a cidade em q vivemos…

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  6. Olá, Mariângela,

    Eu não entendi muito bem seu comentário – minha crítica fala exatamente das crenças e valores que consagram há muito tempo a irresponsabilidade do Estado e de seus gestores da segurança viária, especificamente, e pela qualidade, justiça e equidade da vida social dos cidadãos a quem devem (deveriam) servir o Estado e seus funcionários, em todos os escalões e posições.

    Quem dera a operação ideológica de ocultamento desse dever, a desfaçatez cruel e indigna de atribuir a responsabilidade e a culpa pela violência e suas consequências ao indivíduo e seus comportamentos humanos, fosse uma particularidade do mundo do trânsito!

    É claro que, infelizmente, não é o caso e por isso enfatizei que nos falta a compreensão da natureza sistêmica e estrutural da questão – não me falta, que fique claro, falta a quem convém nesse caso: aos detentores provisórios do poder, aos representantes eleitos, aos gestores do espaço viário, aos gestores da fiscalização, aos educadores, a cada responsável pelo sistema nacional de trânsito. Nos falta, sobretudo, um dispositivo legal que também tipificasse como crime a AUSÊNCIA do Poder Público, a mediocridade e fracasso de suas ações em prover segurança no trânsito, tanto quanto se tipifica como crime a ultrapassagem perigosa dos “monstros” da rodovia.

    Além das vítimas, ninguém mais é responsável pela morte no asfalto, tanto como não é responsável pela criança que não aprende a escrever, ou pela falta de vacinas antes de uma epidemia de gripe. Já vi muito gestor jurando que sofre muito com cada vida perdida, cada motociclista tombado, desde, é claro, que ele próprio não tenha nada a ver com isso.

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  7. Então, foi justamente isso q quis esclarecer, sei q não lhe falta, pelo q acompanho o q vc escreve, mas muitas vezes se não tomarmos cuidado transferimos a culpa do indivíduo q é vítima para outro indivíduo (aquele q “toma as decisões” no poder público) e não levamos as pessoas a refletir sobre essa construção social e a ideologia por trás da omissão e falta de responsabilidade do Estado.
    Mas estou totalmente de acordo c vc q falta essa visão sistêmica principalmente aos técnicos da área (considerando q, dada a realidade eleitoral no país e suas implicações na gestão pública, falta muito mais a grande parte dos gestores).
    Aproveito para sugerir como um tema para até aprofundar essas questões: o q levou ospaíses do RS-10 a comporem esse triste quadro? O q temos a aprender com isso? Existem questões óbvias, como a questão de infraestrutura, mas qual a influência das questões econômicas, sociais e ideológica para esses países chegarem onde chegaram em termos de estatísticas e falta de eficiência na gestão do trânsito?

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  8. Oi, Mariangela,

    O indivíduo, simples usuário do trânsito – um pedestre, um motociclista ou um ciclista – não representa em cada ato o Estado – ele é apenas um cidadão comum, desinvestido de qualquer autoridade pública. O agente de uma Instituição do Estado, qualquer que seja sua função e posição hierárquica, ao contrário, inexiste como indivíduo: ele É a instituição. Então, não se trata de modo algum de transferir culpabilidades ou responsabilidades entre indíviduos porque não cabe essa comparação. Não disse que os indivíduos-usuários-cidadãos no trânsito estão isentos de responsabilidades, nem disse que os agentes públicos tem qualquer culpa “individualmente”.

    Não existem Instituições sem pessoas, é claro, mas as Instituições não se confundem com as pessoas, por mais que possamos dizer que fulano, com nome e sobrenome, é o “tomador de decisão”. O “tomador de decisão” só toma decisão como expressão da Instituição, não importa qual nome e sobrenome possua. Indivíduo e Instituição são entidades MUITO diferentes – não há equivalência entre ambos, muito pelo contrário, há total assimetria.

    As instituições criadas e mantidas para a gestão do espaço viário e para a gestão do trânsito respondem por funções exclusivas que não são dadas a nenhum sujeito da comunidade desempenhar: ninguém pode pintar uma “faixa de pedestre” por aí, ninguém pode construir calçadas ou acostamentos, muito menos estradas, ninguém pode asfaltar uma rua, ou mandar inventar ou confeccionar e instalar placas de sinalização, ninguém pode autuar uma infração da regra de trânsito, e, com certeza, não pode contratar uma firma para instalar radares de velocidade na esquina de casa. Essas atribuições são intransferíveis ao cidadão comum e, por isso mesmo, reunidas em instituições do Estado, mantidas por recursos de todos os cidadãos.

    Indivíduos e Instituições compartilham cotas bastante diferentes, portanto, de responsabilidades pela segurança viária – não é uma divisão entre iguais, jamais será. Por isso é incompreensível falar de violência no trânsito como mera expressão do “comportamento dos usuários” do espaço público. Esse reducionismo ridículo, mas repetido como verdade há muito tempo, é antes uma operação ideológica de ocultamento da natureza estrutural e sistêmica da violência, pela qual as Instituições têm ampla responsabilidade.

    Esse ocultamento tem uma versão sintética: “90% das causas dos acidentes são as falhas humanas” – mas, humanas de quem? De quem usa o espaço, prudente ou imprudentemente, é claro!! É notável que os veículos que transportam pessoas rarissimamente são contados como protagonistas da tragédia, mesmo sabendo do estado deplorável da manutenção da frota e da baixíssima qualidade das carroças motorizadas vendidas no Brasil. Não é impressionante que a via que serve de palco para a tragédia nem como tal é considerada, transformada em mero local, pelo qual ninguém e nada é responsável? Melhor seria dizer que o chavão dos “90%” é 90% pura ignorância e acobertamento de outras coisas.

    Os “90% de falhas humanas” é um embuste que acoberta a incompetência de análise do real. O psicologismo barato das “falhas humanas” é o escape de nossa incapacidade de entender a natureza estrutural e sistêmica da violência no trânsito. Além do mais, é sempre conveniente atribuir ao sujeito o destino trágico do qual é vítima.

    A cada morte no trânsito, desaparece instantaneamente qualquer responsabilidade do Estado – e é disso, exatamente, que trata o novo comercial: o recado de que ali na rodovia estamos sempre sozinhos, entregues à própria sorte e às ameaças de “monstros” motorizados. Patrocinada pelo Estado, a campanha diz: “vire-se viajante, cuide-se bem, calcule bem, proteja-se, porque nós, de nossa parte, fizemos o possível, e pouco mais faremos, para lhe salvar a pele. Que sua prudência compense nossa omissão“.

    Os países do RS-10 tem realidades e culturas tão diversas… isso valeria um longuíssimo texto.

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  9. Eduardo, já que você citou o meu nome, gostaria de fazer uma colocação. Apesar de ser uma citação sem dono, eu ainda acredito que 90% dos acidentes acontecem por falhas humanas. E explico. No meu entendimento, mesmo acidentes que ocorrem devido a vias mal sinalizadas e mal construídas, por exemplo, podem ser considerados causados por falhas humanas, pois alguém que deveria ter feito uma intervenção nestes locais, não o fez. As falhas humanas, pela minha interpretação, não são só as que são atribuídas aos condutores, pedestres ou motociclistas, mas as que ocorrem devido a todo o sistema, que querendo ou não, é formado por seres humanos. Não sei se consegui me expressar devidamente, mas é assim que penso…parabéns pelo seu trabalho!

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  10. Mariana. Sempre usei o seu ponto de vista, exatamente por não ter como identificar – claramente – a origem desse dado estatístico. Só que, para ser coerente, não devemos falar em 90%. Mas sim em 100%. Falham todos: Condutores, autoridades e o mercado da industria automotiva.

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  11. Oi, Mariana,

    Bem-vinda ao blog,

    Concordamos completamente, portanto, que é um erro afirmar que 90% dos acidentes acontece por falhas humanas. Por que apenas 90%, se tudo é obra humana: do Código de Trânsito ao projeto da rodovia, da fiscalização à sinalização, da industrialização do veículo ao usuário das ruas? Tanto a violência como a segurança no trânsito são obras humanas de sujeitos sociais SEMPRE – ou seja, 100% das vezes.

    Quando se afirma, entretanto, que falhas humanas são a causa de 90% dos acidentes é preciso ter claro que esse “cálculo”, cujo método jamais é demonstrado, decorre de um modelo de compreensão da realidade que pressupõe a identificação e atribuição de causalidade aos comportamentos de um sujeito BEM ESPECÍFICO: o usuário do espaço viário, condutor, motociclista, ciclista ou pedestre.

    Desde pelo menos a década de 30 do século passado, esse é um paradigma de explicação do mundo do trânsito. O modelo está à caça de desvios, erros e falhas do comportamento dos usuários em um sistema complexo de circulação e interação de máquinas e pessoas. O sistema, em si, não está em questão: exceto por uma aberração eventual, vias e veículos não matam ninguém no trânsito. É claro que o traçado mal projetado de uma rua, o péssimo estado do pavimento, a falta de sinalização etc. podem contribuir como causas para a morte no trânsito, tanto como podem contribuir o projeto mal executado de um modelo de veículo, um sistema de freios frágil, e assim por diante, mas é um pressuposto do modelo analítico de que se tratam de casos raros que não valem uma perícia exaustiva (é preciso destacar, porém, que o NHTSA mantém há décadas uma minuciosa investigação por amostragem das colisões e atropelamentos, formando um banco de dados único no mundo).

    A engenharia viária e a engenharia veicular são ciências exatas; o comportamento dos sujeitos, ao contrário, nunca é exato – é bem mais provável, a quem interessar, que se encontre ali a fonte das causas determinantes da tragédia do trânsito. E nem é preciso procurar com muito afinco: abundam causas comportamentais, tantas e tamanhas, para todos os gostos, que esgota-se qualquer necessidade de outra explicação para as mortes e lesões no trânsito.

    Nada mais conveniente do que psicologizar as origens do mal e da violência, ao invés de enfrentar o desprazer de uma auditoria de segurança nos projetos viários e dos desvios gigantescos das empreiteiras responsáveis pela execução dos projetos, além de, ainda mais chato, disseminar a dúvida entre os consumidores com recalls de erros de fabricação dos veículos e com sistemas de certificação de segurança veicular (como o LatinCap que, de 1 a 5 estrelas, reserva às carroças motorizadas nacionais 1 única, em média). Tudo convém perfeitamente, também, para ocultar as múltiplas omissões do Poder Público que detem atribuições exclusivas de sinalização e fiscalização e ordenamento do espaço viário e do uso que dele podem fazer os cidadãos.

    A afirmação de que falhas humanas são a causa de 90% dos acidentes não é, portanto, de modo algum inofensiva; ela é uma conclusão de um paradigma que despolitiza completamente o fenômeno da violência, esvaziando-o de sentido sociológico e reduzindo-o ao domínio comportamental de indivíduos isolados – o oposto do que você pretende sustentar, na minha opinião, no artigo publicado no Portal do Trânsito. Minha crítica foi que você usou a afirmação dos “90%” como uma simples idéia genérica, coisa que ela não é, e isso compromete a crítica que você elabora em relação às campanhas públicas nacionais recentes, fundamentadas exatamente na mesma idéia dos “90%”.

    Tenho mais um comentário a fazer. Esqueça esse papo furado de “falhas humanas”. Esse é um vocabulário conceitual limitado, antigo e inadequado para compreender a violência no trânsito como um fenômeno complexo, sistêmico e sociológico. Concordamos que o sistema é formado por pessoas, seres humanos, mas isso não basta para revelar que somos humanos em posições de poder MUITO desiguais. Escrevi sobre isso em outro comentário aqui no blog (https://biavati.wordpress.com/2013/05/28/a-imprudencia/#comment-1151): Indivíduos e Instituições compartilham cotas bastante diferentes, portanto, de responsabilidades pela segurança viária – não é uma divisão entre iguais, jamais será. Por isso é incompreensível falar de violência no trânsito como mera expressão do “comportamento dos usuários” do espaço público. Esse reducionismo ridículo, mas repetido como verdade há muito tempo, é antes uma operação ideológica de ocultamento da natureza estrutural e sistêmica da violência, pela qual as Instituições têm ampla responsabilidade.

    abraço,

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