Hoje no jornal Zero Hora, o retrato do Brasil inteiro


Captura de Tela 2013-12-12 às 00.21.33Há 1.095 dias não há um ÚNICO radar em operação nas estradas estaduais gaúchas.  

3 anos!

  3 anos!!   

A velocidade é a caixa de pandora da segurança viária – daquelas que nunca conseguimos abrir, que ninguém ousa questionar. Sabemos disso há muito tempo, mas temos comido pelas bordas da questão há uns 20 anos: o cinto de segurança, uma faixa de pedestre, o beber e dirigir, as cadeirinhas, o capacete, os airbags. É bem verdade que muitas vezes acabamos comidos pelas bordas, também: veja bem o caso dos airbags que deveriam estrear nos carros brasileiros em 2014 (17 anos depois de sua invenção) e agora recém-cancelados em nome da saúde econômica da indústria automobilística nacional (sempre ela). Temos avançado a duras penas, mas não avançaremos muito além disso se não transformarmos o padrão de velocidade do trânsito.

É claro que é possível fazer muita coisa pela segurança viária sem fiscalizar a velocidade dos veículos; tudo depende do que se tem por meta e prioridade da política pública. Se a meta é OUSADA e se, de fato, mira uma redução de 50% dos mortos até 2020, porém, a execução massiva da fiscalização eletrônica da velocidade é

INDISPENSÁVEL,

CRUCIAL,

um DEVER DO ESTADO.

Viajantes do verão 2014 cuidem-se MESMO porque nós não cuidaremos, diz o Estado.

Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

3 comentários em “Hoje no jornal Zero Hora, o retrato do Brasil inteiro”

  1. Caro Eduardo! Lastimável essa possibilidade de se prorrogar a colocação de air bags e abs nos carros a partir de 2014. Num dia o ministro da saúde diz que em 2010 houve mais de 40 mil mortes no trânsito, que o problema é de saúde pública. No outro aparece o ministro da fazenda e, na maior desfaçatez, justifica a não inclusão de dois grandes itens de segurança nos novos veículos sob o argumento de aumento dos preços, o que faz descumprir acordo firmado há 5 anos atrás.

    Nem parece que esses ministros estão no mesmo governo e são responsáveis por grandes áreas! Onde está o ministro da saúde para defender a manutenção do acordo? Ou o ministro das cidades?

    O argumento econômico é de uma pobreza enorme. Qualquer gasto hospitalar com atendimento a acidentados passa fácil dos R$ 10 mil reais quando se trata de cirurgias. Isso sem contabilizar cirurgias complementares, retornos, acompanhamentos, tempo de fisioterapia – se conseguir fazer, e mais outros tantos custos financeiros. Fora os custos familiares e sociais. Fora os que não têm preço, para fazer um merchandising de cartão de crédito!

    A sensação de quem está na área de segurança no trânsito é a de ficar a enxugar gelo. Será que essa cegueira se deve a algum motivo oculto de Força Maior?! Depois vêm com aquela lenga lenga de que a causa principal dos acidentes decorre de fatores humanos! Ninguém merece! Abaixo ao postergamento! E também ao Fluminense, oras!!

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  2. Po! Marcos!

    Agora voce pegou pesado com o meu pobre Fluminense! Voltaremos!!!! Pode ter certeza! rarararaa
    Falando sério, por que será que não me surpreendo? Por que será que temos certeza cada vez mais profunda da (DES)importância e (DES)prioridade da Segurança Viária? Tudo marketing, tudo marketing – a tal “Década”.

    O Ministério da Fazenda assumiu o CONTRAN ???? Não, o CONTRAN é quintal da ANFAVEA desde sempre, como é sabido por todos nós, o Ministério da Fazenda também. Os únicos trouxas dessa história fomos nós que acreditamos que havia alguma autonomia e algum poder, e alguma política pública. Do CONTRAN não sai coelho – nenhum conselheiro vai sair por aí dizendo coisas. O CONTRAN é somente o que o Ministro das Cidades disser que é, e ele não disse a com b até o momento. Talvez não tenha mesmo o que dizer, governo é governo – é bom não perder isso de vista, estamos diante de um movimento de GOVERNO; não é um CONTRAN que dirá o contrário.

    O balao furado dos airbags é um caso, mais um, de união de interesses muito poderosos: os interesses corporativos dos sindicatos de trabalhadores metalúrgicos e os interesses corporativos dos fabricantes de automóveis. Não tem pra ninguém, deu no que deu.

    Aproveitando a oportunidade, resgatei do fundo do baú de 2009: https://biavati.wordpress.com/2009/04/09/airbags/

    To pensando em reeditar esse post

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  3. Sorry! Fogo amigo! Sabe que pensei nessa possibilidade antes de cometer a gafe? O problema não é só o de jogar pra frente uma decisão guardada e aguardada há 5 anos. A cada dois anos vive-se em função de calendário eleitoral. Talvez pensem que o argumento de salvar vidas não tenha valor no mercado de votos.

    No fundo no fundo tem aquela cultura de desleixo com a prevenção e segurança. Também acredito que dizer para a namorada que o carro tem abs e airbag não a excitará como se houvesse um som bacana.

    No caso de o dito pelo não dito partir de uma autoridade pública, ou significar prioridade política de governo, torna estrago imensurável, muito além de uma opção individual.

    No caso de o fator dinâmico da economia se pautar pela indústria automobilística, pouca coisa avançará em relação à mobilidade. Isso para não falar na falência ambiental dos grandes centros.

    Penso que todos os movimentos contrários à violência no trânsito tem de explicitar suas opiniões e reverter essas decisões que se misturam com a gurda baixa nessa época de festividades de final de ano. Mil reais por veículo, que é o que dizem, não impede alguém de comprar carro, mesmo porque ganha-se um benefício. E olha que a indústria fatura também sobre esses itens a mais.

    Grande abraço.

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