Somos todos um só, e tão diferentes


Captura de tela 2014-05-29 09.24.14“Educação para o trânsito” é uma daquelas raríssimas certezas absolutas que compartilham leigos e técnicos, cidadãos comuns e gestores públicos. Sem ela como construir uma cultura de paz e conquistar um trânsito mais equânime, saudável e seguro?

Queremos “educação para o trânsito”, mas a contagem crescente de mortos e feridos no trânsito brasileiro, confirmada mais uma vez pelos novos dados nacionais de 2012, aponta que entre a unanimidade e a realidade a distância tem sido enorme, e cada vez maior.

A “educação para o trânsito” é ineficiente ou simplesmente insuficiente no Brasil? Estamos mesmo tão distantes de outros países? Quais são nossas lacunas, à luz da experiência de outras sociedades? 

Respostas para essas e várias outras questões são o resultado de um survey conduzido pela Criança Segura do Brasil entre diversas organizações internacionais, membros de da rede global Safe Kids Worldwide, dedicada à prevenção de acidentes com crianças, representando 22 países. 

Colocado em perspectiva comparativa internacional, o Brasil vai muito bem, responde, em síntese, a sondagem. Estamos entre os países que possuem um currículo nacional de educação para o trânsito, desenvolvem educação para o transito desde a infância até o final da Educação Básica, formam docentes para implementar educação para o trânsito, possuem um sistema de habilitação nacional, contam com campanhas públicas de prevenção sistemáticas. 

É um resultado surpreendente: muito pouco parece nos faltar em comparação com a Alemanha ou a Austrália e, em muitos aspectos, com os Estados Unidos da América. E se fazemos o mesmo e quase tudo igual, restaria-nos, então, investigar a qualidade do que fazemos aqui para compreender por que chegamos a resultados tão díspares e, principalmente, tão pouco sustentáveis ao longo do ciclo de vida dos sujeitos: a partir dos 15 anos de idade, a mortalidade no trânsito quadruplica no Brasil e não para de se agravar até o final da terceira década de vida dos cidadãos.

A sondagem tem o mérito, portanto, de nos colocar, mais uma vez, nus diante de velhos problemas: temos várias peças de um mesmo quebra-cabeças, mas pouquíssimo sabemos como essas peças se encaixam, ignoramos se elas sequer “costuram” um quadro interinstitucional e intersetorial coeso e, mais ainda, se a imagem final é apenas uma miragem que tem salvo a infância, mas não ultrapassa o final da adolescência.

Publicado por

biavati

Sociólogo, escritor, palestrante e consultor em segurança no trânsito, promoção de saúde e juventude.

Um comentário em “Somos todos um só, e tão diferentes”

  1. Cada nação tem seu contexto e sua realidade, não dá para usar a mesma fórmula mágica para tudo e para todos na área de humanas, dotada de variáveis e complexidades sem fim.

    Cultura precisa de tempo para maturação, é construída, não é dada. As transformações sociais que o trânsito requer, demanda tempo e não são consensuais.

    Quem viver, verá!

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