Mobilidade e cidade em questão

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na América Latina se costuma esquecer dos pedestres. Uma boa política pública para a bicicleta deveria começar com condições para pedestres” | uma boa política pública de MOBILIDADE, de SAÚDE, e de JUSTIÇA SOCIAL | ótima entrevista na Folha de São Paulo com Ricardo Montezuma, urbanista colombiano, para começar a semana

O Brasil de olho nas ruas de São Paulo

Texto publicado em 03 de setembro, edição Estadão Noite

Desde a introdução das mudanças no Código de Trânsito para a fiscalização do beber e dirigir, em 2008, com penalidades mais rigorosas para o hábito generalizado do consumo de bebidas alcoólicas por condutores de veículos automotores, não testemunhávamos um debate tão intenso sobre o trânsito.

A redução dos limites de velocidade nas marginais do Tietê e Pinheiros arrastou para a arena todas as atenções: engenheiros e especialistas, advogados, gestores públicos, jornalistas, associações civis, profissionais liberais e muitos cidadãos comuns, ocuparam os meios de comunicação e as redes sociais para expressar seu entendimento sobre uma questão que, há seis semanas, cabia em uma placa redonda, geralmente ignorada, espetada em um poste ao longo das ruas e avenidas. Para quem mal falava de velocidade, foi uma avalanche.

A gestão das velocidades é fundamental para a segurança viária, todos concordam. Ninguém duvidou que a chance de sobrevivência em uma colisão ou em um atropelamento depende diretamente da velocidade do impacto: quanto maior, mais severas as lesões. O que muita gente não esperava é que além de fiscalizar o limite de velocidade nas vias, fosse possível ao Poder Público mudar esse limite nas mesmas vias, submetendo-o à prioridade da segurança viária.

Para quem a considerou uma ameaça ao direito individual de circulação na cidade, mero modismo colonizado, mais um factoide midiático, a iniciativa da Prefeitura apresenta, enfim, os primeiros resultados e eles são muito positivos: comparando-se as primeiras seis semanas após a implementação da medida com igual período em 2014, ocorreu menos 27% acidentes com vítimas. Menos mortos e menos feridos, unicamente em função da redução da velocidade, exatamente como previsto e ocorrido em qualquer outra cidade no mundo que tenha decidido assumir a responsabilidade pela segurança na mobilidade. Mobilidade que, aliás, vista sob o aspecto da fluidez que tanto preocupava muitos críticos, aumentou moderadamente em 12%, como também era de se esperar: menores velocidades, permitiram, de fato, uma ocupação otimizada do mesmo espaço viário. Não há notícia, por outro lado, de que a decisão da Prefeitura tenha provocado uma explosão do número de infrações e, por conseguinte, de arrecadação com as multas por excesso de velocidade nesse período, indicando que a maioria absoluta dos condutores simplesmente ajustou seu modo de dirigir à nova regra.

Ao invés do caos, da inviabilidade e da imobilidade na cidade, os resultados iniciais do monitoramento de acidentes e vítimas nas marginais com velocidades reduzidas indicam que é possível avançar na direção de um trânsito mais seguro para TODOS, inclusive para quem se desloca em um automóvel ou motocicleta. Será preciso acompanhar esses resultados ao longo dos meses e é possível, desde já, reforçar a política de gestão das velocidades, abrangendo os motociclistas e, sobretudo, ampliando a comunicação do sentido da ação para toda a população.

Falar sobre as velocidades com que nos movemos foi uma conquista, o começo do enfrentamento de um barreira ideológica e cultural que custou a vida de muitos cidadãos em São Paulo e no Brasil. Melhor do que abrir o debate, foi agir, reassumindo a responsabilidade pela gestão da segurança de todos no trânsito, assim como aconteceu há sete anos quando começamos a nos perguntar qual era o problema em dirigir depois de beber.

Nossa mobilidade conectada: resumo da conversa

Eduardo Biavati e Luis Felipe Pondé conversaram com Felipe Solari sobre Celular e Direção. Um papo que aconteceu dia 05/08, ao vivo via Periscope, no escritório do Twitter, em São Paulo. Veja aqui um pouco do que rolou e assista aos melhores momentos dessa conversa.

Dia 19/08 15h – Gustavo Gitti e Xico Sá conversam sobre Celular e relacionamentos

Dia 02/09 15h – Luis Fernando Correia e Luiz Felipe Pondé conversam sobre Celular e pequenos acidentes

Dia 16/09 15h – Phelipe Cruz e Rafael Cortez conversam sobre Celular e momentos

Dia 30/09 15h – Bia Granja e Daniella Freixo de Faria conversam sobre Celular e criança

Educar para a segurança nas ruas: um projeto para os novos tempos da mobilidade urbana

Essa tem sido uma aventura particular nos últimos tempos – e que aventura não se torna deliciosa ao lado do Ziraldo? Educar para o trânsito ficou pequeno ao lado de quem educa para a rua e para a cidade inteira. Eis o projeto que criamos com a Editora Melhoramentos.

transito.escola-2014-para png.011Para saber um pouco mais, visite a página dedicada ao projeto.

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Ruim da cabeça e doente do pé. Breves notas sobre mobilidade e saúde no Brasil

 

7o ano da Escola Benedito Mattarazo, da rede municipal de São José dos Campos/SP
7o ano da Escola Benedito Mattarazo, da rede municipal de São José dos Campos/SP

O Ministério da Saúde publicou recentemente o relatório final da oitava edição (2013) do VIGITEL (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico),  pesquisa anual realizada desde 2006 em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

O VIGITEL é uma das muitas fontes de conhecimento epidemiológico e de investigação empírica, cientificamente estruturada, sobre a saúde da população que costumam passar ignoradas, quase sempre invisíveis aos olhos dos profissionais e gestores do trânsito. Propomos aos quatro ventos o compartilhamento de responsabilidades, promovemos a formação de comitês intersetoriais mas, de fato, mantemo-nos ainda em nossos universos particulares de preocupações: o trânsito fala de trânsito, o transporte fala de transporte, e assim por diante. Os resultados do VIGITEL, ao contrário, ensinam que a compreensão sincrônica e complexa da realidade é uma necessidade que antecede a intervenção e, especialmente, a política pública. É a lição, também, que ensinam as Pesquisas Nacionais da Saúde do Escolar (PENSE), realizadas pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE em 2009 (comentada aqui há alguns anos) e 2012, ambas leituras obrigatórias para qualquer um interessado em promover a segurança viária e a saúde dos nossos jovens adolescentes. Continuar lendo Ruim da cabeça e doente do pé. Breves notas sobre mobilidade e saúde no Brasil

de joelhos, de novo

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Pobre das montadoras, vivem num sufoco!

O que seria de todas elas sem um Estado forte (debaixo do braço), amigo fiel, sócio de todas as horas?

Pois é,  nossa indústria automobilística está de joelhos – de novo. A isenção generosa de muitos bilhões de reais do IPI foi minguando, o crédito encolhendo, os juros subindo, a Argentina cavando fundo a cova do Mercosul, a classe média emergente emergiu o que dava para emergir, a inadimplência é crescente, e o resultado é que alguém tem que pagar pelo mico do volume de carros em estoque.

Trocando em miúdos, o mico é o seguinte: ou pagam os trabalhadores que perderão seus empregos ou pagamos todos, coletivamente. Não existe a hipótese de a indústria pagar com seu próprio capital.

Tudo se resolverá até maio, segundo notícias recentes, e algumas medidas estão sendo pensadas para restabelecer prazos mais longos de financiamento, um fundo de garantias, além de um aperto nos Argentinos para abrirem as porteiras.

O Governo, parceirão mas durão como sempre, afirma que exigirá uma contrapartida: a indústria terá que reduzir suas margens de lucro dessa vez! É isso aí, vamos acreditar no discurso, mas não seria menos fantasioso se a contrapartida fosse o compromisso de investirem alguns bilhões na implantação de corredores exclusivos de transporte coletivo?

É pedir demais?