Uma segunda chance: Adolescentes e Saúde

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O que precisamos fazer para proteger nossos adolescentes?

A Organização Mundial da Saúde acaba de colocar na rede um grande relatório global interativo sobre a saúde do 1 bilhão de adolescentes no planeta.

Do que morrem nossos jovens? VIOLENCIA NO TRANSITO, o que mais poderia ser? Essa é a 1a causa de morte de adolescentes e, sem novidades, os meninos são desproporcionalmente atingidos, com mais de três vezes a taxa de mortes das meninas

Beber e dirigir, excesso de velocidade, hiperdistração, insegurança de pedestres e ciclistas: ninguém precisa reinventar a roda para proteger nossos jovens, mas há um roda que desconhecemos no Brasil: a habilitação graduada pode reduzir drasticamente os riscos Continuar lendo Uma segunda chance: Adolescentes e Saúde

O quinquênio que se foi e o quinquênio que virá – tempo de resultados

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Em 10 de abril de 2014, a Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução para a “Melhoria da segurança viária global”. A resolução foi patrocinada pela Federação Russa e co-patrocinado por dezenas de outros países. Entre as principais decisões, a resolução saudou a oferta do Governo do Brasil para sediar a 2ª Conferência Global de Alto Nível Mundial sobre Segurança Viária, em 2015.

A Conferência, que será realizada em Brasília, nos dias 18 e 19 de novembro, reunirá cerca de 1.500 delegados, entre eles Ministros dos Transportes, Saúde e Interior de muitos países, altos funcionários de agências das Nações Unidas, representantes da sociedade civil e líderes empresariais. Juntos, os delegados examinarão o progresso da Década de Ação para Segurança Viária 2011-2020; definirão os próximos passos a nível global e nacional para alcançar a meta da Década de Ação de salvar 5 milhões de vidas; e olharão além de 2020, visando as ações urgentes necessárias para implementar as metas de desenvolvimento pós-2015 relacionadas com a segurança viária.

O Governo do Brasil gostaria de ter um documento final robusto como resultado da Conferência – a Declaração de Brasília sobre Segurança Viária – por meio de um processo de negociação que envolva a consulta de amplo espectro de interessados. Estados-Membros, organizações das Nações Unidas, organizações intergovernamentais, ONGs e entidades do setor privado são convidados a compartilhar seus comentários e sugestões relativos ao esboço inicial (zero draft) da Declaração de Brasília, que foi elaborado preliminarmente por meio da consulta aos “Amigos da Década de Ação para a Segurança Viária 2011-2020”, em Novembro de 2014 e Março de 2015.

Esta consulta pela internet permanecerá aberta até 2 de Maio de 2015, após o que o processo de negociação prosseguirá com base intergovernamental durante Junho, com a finalização do texto prevista para Setembro/Outubro de 2015.

Para mais informações sobre como enviar os seus comentários e sugestões relativas ao esboço inicial (zero draft) da Declaração de Brasília, visite os links relacionados abaixo.

UN General Assembly resolution A/RES/68/269:

2nd Global High-Level Conference on Road Safety in 2015

Friends of the Decade of Action for Road Safety 2011-2020

Zero draft of the Brasilia Declaration in Portuguese

Educar para a segurança nas ruas: um projeto para os novos tempos da mobilidade urbana

Essa tem sido uma aventura particular nos últimos tempos – e que aventura não se torna deliciosa ao lado do Ziraldo? Educar para o trânsito ficou pequeno ao lado de quem educa para a rua e para a cidade inteira. Eis o projeto que criamos com a Editora Melhoramentos.

transito.escola-2014-para png.011Para saber um pouco mais, visite a página dedicada ao projeto.

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Ruim da cabeça e doente do pé. Breves notas sobre mobilidade e saúde no Brasil

 

7o ano da Escola Benedito Mattarazo, da rede municipal de São José dos Campos/SP
7o ano da Escola Benedito Mattarazo, da rede municipal de São José dos Campos/SP

O Ministério da Saúde publicou recentemente o relatório final da oitava edição (2013) do VIGITEL (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico),  pesquisa anual realizada desde 2006 em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

O VIGITEL é uma das muitas fontes de conhecimento epidemiológico e de investigação empírica, cientificamente estruturada, sobre a saúde da população que costumam passar ignoradas, quase sempre invisíveis aos olhos dos profissionais e gestores do trânsito. Propomos aos quatro ventos o compartilhamento de responsabilidades, promovemos a formação de comitês intersetoriais mas, de fato, mantemo-nos ainda em nossos universos particulares de preocupações: o trânsito fala de trânsito, o transporte fala de transporte, e assim por diante. Os resultados do VIGITEL, ao contrário, ensinam que a compreensão sincrônica e complexa da realidade é uma necessidade que antecede a intervenção e, especialmente, a política pública. É a lição, também, que ensinam as Pesquisas Nacionais da Saúde do Escolar (PENSE), realizadas pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE em 2009 (comentada aqui há alguns anos) e 2012, ambas leituras obrigatórias para qualquer um interessado em promover a segurança viária e a saúde dos nossos jovens adolescentes. Continuar lendo Ruim da cabeça e doente do pé. Breves notas sobre mobilidade e saúde no Brasil

Hipótese natalina sobre um balão furado

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um Brasil na Kombi

Dezembro é tempo de soluços de segurança viária – novas campanhas, novas operações de fiscalização, mais radares, mais bafômetros, e até algum rebuliço legislativo.

O bolero da hora envolveu o anúncio de que airbags e freios ABS, novos itens de segurança obrigatórios nas carroças, digo carros, nacionais, não valeriam para todos os veículos fabricados a partir de 1o de janeiro de 2014, conforme acertado em março de 2009. É o que defendeu o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, para surpresa geral e deleite de todos os meios de comunicação.

Não houve editorial que tenha perdido a oportunidade de apontar a completa falta de sentido ético e econômico na intenção ministerial, cavando um pouco mais fundo o descrédito geral do “comandante” da economia nacional.  

Em meio a muita indignação e perplexidade, tudo se resolveu em menos de uma semana, ficou o dito pelo não dito, e as manchetes estamparam o grande recuo do governo.

Recuo? Assim como dois passos atrás?

Vamos considerar a hipótese, nada remota nem absurda, de que o “Governo” NUNCA afirmou que adiaria airbags ou abs. O tema inexistiu para o “Governo”, exceto para um único dignatário que, aliás, JAMAIS teria poder para adiar coisa alguma.  A “ameaça” poderia ter emplacado momentaneamente, mas eu duvido muito que alguém no ministério da fazenda foi tão boboca assim de imaginar que ninguém perceberia nem levantaria a voz. Não acho que esse é um jogo de gente ingênua nem de principiantes. Reparem que ninguém viu, nem mencionou, uma portaria ou qualquer ato semelhante que transformasse o palavrório do boquirroto em fato consumado. Podia ter colado, é verdade, mas duraria pouco o atropelamento das resoluções de 2009 do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito). 

Reparem, também, que o “Governo”, como a imprensa gosta de dizer, ignorou completamente o dito: ninguém tomou conhecimento, ninguém comentou, nenhuma declaração pública, nem da Presidenta, nem da Casa Civil, nem do ministro das cidades, nem da saúde, nem da justiça, nem dos transportes.

Por isso,  pode bem ser um equívoco concluir que o “Governo” recuou. Recuou do que? 

De modo que demonstramos força, a sociedade civil que se organiza, e certamente reforçamos nossas alianças com os meios de comunicação, unânimes em seus poderosos editoriais, mas vai uma boa distância em concluir que “vencemos” uma batalha porque não houve batalha alguma; ao contrário, o episódio demonstrou que o núcleo de poder central do “Governo” está, como sempre esteve, alinhadíssimo com o avanço da “Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito”. É uma hipótese.

Brevíssima nota sobre um veto presidencial

5263815401_25cb0eaa18_oAntes que se levantem vozes críticas, expressões de alta indignação, palavras ácidas e algum xingamento esquentado, vamos entender o que a Presidência da República quis dizer com o o veto integral à lei aprovada no Senado Federal que tornava obrigatória a pintura de faixas de pedestres no raio de um quilômetro em torno de escolas públicas e privadas situadas em área urbana. O projeto previa, ainda,  a construção de passarelas ou passagens subterrâneas para dar mais segurança a alunos e demais pedestres que circulam nas proximidades das escolas.

É verdade que o veto parece uma contradição, um passo atrás, quase uma afronta aos esforços nacionais dedicados ao sucesso da “Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020”, conclamada pela ONU e da qual o Brasil é um alvo central, dada a conhecidíssima e vergonhosa alta mortalidade do trânsito em nossas ruas e estradas. Não se deixe enganar pelas aparências, contudo.

O veto é um recado muito simples aos outros entes da Federação (somos uma República FEDERATIVA, convém não esquecer disso). O recado é que faixa de pedestre na porta de escola é matéria deles, dos Estados e Municípios.

Além do mais, repare que se nem sequer um currículo e um piso salarial nacional dos docentes o Executivo da União consegue impor aos Executivos dos Estados e Municípios, tornar obrigatórias faixas de pedestre em torno de escolas que não lhes compete é mesmo um pó de pirlimpimpim.

A contribuição do Governo Federal à segurança das crianças no caminho da escola tem sido motorizar essa mobilidade, eliminando desse modo o risco de serem pedestres, distribuindo microônibus e ônibus amarelos maravilhosos ao custo de mais de 4 bilhões de reais nos últimos anos. Apenas em 2012, foram entregues 9.283 coletivos, ao custo de R$ 1,8 bilhão – contando-se somente os investimentos federais, um recorde absoluto.

O investimento tem sido grande, como se pode concluir, em uma certa política de geração de renda, produção industrial e mobilidade que, talvez, seja também uma política de segurança no trânsito, a longo prazo.

Registre-se com louvor que, desde 2011, o programa “Caminho da Escola”, comandado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), vem doando bicicletas, também, para municípios com até 5 mil alunos matriculados na rede pública de educação básica. Havia uma promessa de que 100.000 bicicletas seriam doadas em 2012 – bicicletas e capacetes, é claro, para reforçar a segurança dos estudantes, vejam que bacana – mas tudo isso a depender da AÇÃO das Prefeituras. Ou seja, bicicletas, capacetes, microônibus e ônibus não caem do céu como brindes da União: o poder municipal, se assim bem entender, tem que solicitá-los ao FNDE. Dá um certo trabalho, tem que querer para acontecer.

O veto foi uma resposta, portanto, a algumas velhas questões que nos assolam há tempos e, no caso da segurança viária, um cutucão no misterioso (des)uso dos 95% do total de multas arrecadas no país:

POR QUE Estados e Municipios são incapazes de pintar e manter pintadas faixas de pedestres no entorno de suas escolas, se isso é tão barato e tão normatizado pelos manuais há tanto tempo? 

Baladeiros paulistanos

Alo! Alo! galera da segurança no trânsito

Nova pesquisa do CEBRID/UNIFESP (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas) afirma que mais da metade dos baladeiros paulistanos que vão a casas noturnas em sampa tem por objetivo ficar bêbado.

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Tanta gente bêbada não teria muito critério em escolher um motorista sóbrio, confere?

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Sim, confere, tanto entre os marmanjos como entre as marmanjas da hora: 6 entre 10 baladeiros afirma que já foi carona de condutor embriagado na saída das baladas.

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Deveríamos ficar surpresos?

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