Formar condutores é educar para o trânsito?

Existe um elo fragilíssimo do trânsito no Brasil: a formação dos condutores de veículos. Isso não é assunto novo. A educação para o trânsito é filha legítima dessa necessidade primária de formar o condutor do veículo automotor e de formar todos a compreenderem a linguagem e a lógica de condução da máquina.

O Código de Trânsito vigente prometeu uma revolução conceitual nos processos de formação dos condutores e, de fato, transformou as antigas auto-escolas nos atuais Centros de Formação de Condutores (CFC), submetidos a um maior controle do Estado, por meio dos DETRANs. Houve revisão de conteúdos e de práticas e maior profissionalização das antigas auto-escolas, tudo isso de maneira muito desigual entre os estados da federação.

Continuar lendo Formar condutores é educar para o trânsito?

Anúncios

Violência, trânsito e jovens

O Ministério da saúde acaba de publicar um estudo que indica que a violência no trânsito está se deslocando das maiores cidades para as menores.

Em 1990, a taxa de mortes no trânsito nos municípios com até 20 mil habitantes (13 mortes por 100 mil hab.) correspondia à metade da registrada naqueles com população com mais de 500 mil pessoas (26 mortes por 100 mil hab.).

Em 2006, a situação se inverteu. Nas grandes cidades, a taxa passou para 15,8 mortes por 100 mil habitantes, enquanto nas pequenas, a taxa elevou-se em mais de 50% chegando a 19,7 mortos por 100 mil habitantes. Continuar lendo Violência, trânsito e jovens

Os cabeças-nuas

Nascemos com um capacete natural chamado crânio – uma caixa de ossos firme o suficiente para proteger o que realmente interessa, a central de comando da vida, que é o cérebro.

Cabeças duras quebram a cara com algum regularidade, mas nao saem por aí rachando por qualquer impacto. Nada mais compreensível, portanto, que as pessoas tenham uma grande dificuldade de entender para o que serve um capacete, desses que se vendem em lojas, quando montam uma motocicleta para ir de um lado para outro em… Assu, Rio Grande no Norte, por exemplo.

Para quê um capacete em Assu? Eis a questão.

O tempo e o bombom

Eduardo Biavati
artigo publicado em Correio Braziliense em 25/09/2008

Não há cultura que dure para sempre, nem histeria sem fim. Há dez anos, muita gente julgava impossível que um motorista parasse diante de uma faixa de pedestre simplemente porque havia alguém atravessando-a ou sinalizando a intenção de fazê-lo. Isso não era coisa de Brasil, menos ainda de Brasília, onde reinava absoluta a cultura do automóvel. Nao é que mudamos essa cultura? O que dizer, então, da nova lei impondo a proibição de qualquer quantidade de álcool pelo condutor de veículos automotores?

Há poucas semanas, um Juiz (!) argumentou que a lei era uma agressão à cultura nacional, uma verdadeira afronta à união sagrada do “sol, futebol e cerveja”. Nisso o magistrado acertou: a nova lei ela exige uma revisão profunda de nossos hábitos de lazer e a verdade é que eles sempre incluíram o consumo de bebidas – MUITO CONSUMO. Sejamos honestos: antes dessa lei, ninguem bebia “socialmente”, “civilizadamente”, com “muito bom senso” – a não ser que estivesse doente. “Bom senso”, aliás, é uma daquelas coisas que vão justamente para o ralo quando se consome bebida alcoólica. Isso pode ser ótimo para quem bebe mas é inaceitável para quem terá que assumir a direção de um veículo motorizado.

Continuar lendo O tempo e o bombom

Lucky 13. Caminhos perigosos para duas rodas

 

O segundo episódio da nova campanha pública de segurança para motociclistas da Associação Européia de Fabricantes de Motocicletas [ACEM] acaba de ser disponibilizado online.

A campanha foi lançada em 13 de outubro de 2008 e escolheu a linguagem dos quadrinhos para aumentar a consciência de motociclistas e, principalmente, de jovens pilotos de scooters, acerca dos riscos potenciais relacionados com a infraestrutura das vias.

É estranho imaginar que as rodovias europeias estejam tao ruins assim, ou que as ruas de Roma e Paris estejam em tão mal estado de conservação, mas o fato é que 8% dos acidentes são causados por falhas na infraestrutura, de acordo com o superestudo MAIDS.

Como se não bastassem esses problemas, as necessidades especificas dos veículos de duas rodas sao geralmente negligenciadas na engenharia viária, que na Europa e em toda parte existe APENAS para os veículos de quatro rodas.

A campanha foi desenvolvida com instrutores de motocicletas e é composta de 13 episódios, que serão lançados mensalmente. Os cartoons estão disponíveis para download gratuito [arquivo PDF, em inglês].

Continuar lendo Lucky 13. Caminhos perigosos para duas rodas

Scooter mortal

A Associação Prévention Routière e a Federação Francesa das Seguradoras (FFSA) lançaram no dia 30 de outubro uma campanha de sensibilização para os riscos de pilotagem de ciclomotores (scooters), dirigida aos jovens e, em particular, aos homens de 14 a 18 anos.

Na França, acidentes com scooters tem atingido bastante esse grupo etário (105 mortos e 5.750 feridos em 2007), os mais suscetiveis a adotar comportamentos de risco nesses ciclomotores e, também, os mais reticentes aos discursos “clássicos” de prevenção.

A campanha tem por objetivo combater o sentimento de invulnerabilidade dos jovens e confrontá-los com a realidade, mostrando-lhes as conseqüências de certos comportamentos no trânsito. O princípio é relatar os fatos, apresentar o testemunho dos jovens – sem discursos moralizantes.

No site da campanha o jovem tem acesso a videos curtos com depoimentos de 4 jovens vítimas, incapacitadas físicas, de um acidente com scooter, falando de suas vidas após o acidente. Há, ainda, os depoimentos de profissionais de saúde que lidam cotidianamente com esses acidentes e os testemunhos espontâneos de internautas que relatam suas experiências.

Continuar lendo Scooter mortal