Somos todos um só, e tão diferentes

Captura de tela 2014-05-29 09.24.14“Educação para o trânsito” é uma daquelas raríssimas certezas absolutas que compartilham leigos e técnicos, cidadãos comuns e gestores públicos. Sem ela como construir uma cultura de paz e conquistar um trânsito mais equânime, saudável e seguro? Continuar lendo Somos todos um só, e tão diferentes

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Segurança, mobilidade e juventude: novas alianças

Resumo da nova palestra apresentada ao “Seminario Nacional sobre Advocacy para ONGs com foco em Segurança no Trânsito, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Global Road Safety Partnership (GRSP), em Brasília, nos dias 12 e 13 de agosto.

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participantes do seminário

O foco da palestra é a idéia de que segurança no trânsito é um hábito de saúde que pode ser promovido no contexto do Programa Saúde na Escola do MEC/MS. Transito NÃO É um novo tema transversal; transversal já é o tema da Saúde.

Os dados nacionais de mortalidade e morbidade em acidentes de trânsito, referentes a 2011 e a longas séries históricas, abrem caminho para a apresentação dos novos (e, muitas vezes, ruins) resultados da PENSE e comparações pontuais com dados de 2009 da mesma pesquisa. A quem interessar, escrevi um longo post em 2009, a ser reescrito em breve, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez: “Vocês sabem com quem estão falando? Hábitos e Riscos dos jovens no Brasil“.

Nessa segunda edição da pesquisa, a abrangência foi grandemente ampliada e, agora, além da situação dos jovens nas capitais e DF, os dados são representativos, também, do universo nacional e por Grandes Regiões, de alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, da rede pública e privada.

A PENSE nos fornece pistas extraordinárias de novas alianças com a promoção de saúde. Ela ensina a pensar sociologicamente questões que são de natureza sistêmica, histórica e social. Sobretudo, a PENSE indica que devemos pensar além da “segurança no trânsito” e a reconquistarmos a SEGURANÇA NAS RUAS.

Para ler com máxima atenção e toda gravidade possível.

Desigualdade gera desigualdade. Para repensar o ensino médio

O jornal Estado de São Paulo publicou hoje uma entrevista com o físico alemão Andreas Schleicher, responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Em pauta, o abismo no desempenho entre as escolas públicas e privadas, comprovado mais uma vez pelos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Não é exatamente uma novidade que a as desigualdades sócioeconômicas filtrem (com um poder quase determinante) quem chega ou não ao ensino superior de qualidade no Brasil (quase sempre localizado nas universidade públicas).

Aliás, é bom guardar que o Brasil é o 3o país com maior grau de desigualdade entre ricos e pobres no mundo. De acordo com a ONU, a desigualdade de Continuar lendo Desigualdade gera desigualdade. Para repensar o ensino médio

A escola e seu umbigo

No último domingo, 10 de maio, o jornal O Estado de São Paulo publicou no Suplemento Aliás uma excelente entrevista do pedagogo Lino de Macedo, professor titular de Psicologia do Desenvolvimento da USP e membro da Academia Paulista de Psicologia, à jornalista Flávia Tavares.

Macedo foi um dos formuladores do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e identifica as várias dimensões desse imenso e desconfortável descompasso entre a escola e o aluno. Para o autor de Ensaios Pedagógicos – Como Construir uma Escola para Todos? (Artmed), “a escola está voltada para o próprio umbigo, não olha para o aluno real, que está na sala de aula, e não tenta compreendê-lo“.

Aproximar o conteúdo programático do cotidiano do jovem é uma das soluções possíveis e acredito que é justamente esse o potencial de uma nova educação para o trânsito, que transforme o tema em eixo de problematização do mundo em que se vive, da violência sistemática que nos atinge e, mais ainda,  o jovem real em seus movimentos de exploração do mundo e de constituição de suas redes sociais, reais e virtuais.

Não há porque esconder a violência se ela é constitutiva do universo em que está mergulhado o jovem. Ao contrário, é preciso falar dela, das rupturas iminentes do corpo que ela representa e de seu limite máximo, que é a morte, para abrirmos a perspectiva de uma abordagem transversal sobre o trânsito, como procurei apontar no post Cubo Mágico.

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