de joelhos, de novo

Captura de tela 2014-04-29 18.48.58

Pobre das montadoras, vivem num sufoco!

O que seria de todas elas sem um Estado forte (debaixo do braço), amigo fiel, sócio de todas as horas?

Pois é,  nossa indústria automobilística está de joelhos – de novo. A isenção generosa de muitos bilhões de reais do IPI foi minguando, o crédito encolhendo, os juros subindo, a Argentina cavando fundo a cova do Mercosul, a classe média emergente emergiu o que dava para emergir, a inadimplência é crescente, e o resultado é que alguém tem que pagar pelo mico do volume de carros em estoque.

Trocando em miúdos, o mico é o seguinte: ou pagam os trabalhadores que perderão seus empregos ou pagamos todos, coletivamente. Não existe a hipótese de a indústria pagar com seu próprio capital.

Tudo se resolverá até maio, segundo notícias recentes, e algumas medidas estão sendo pensadas para restabelecer prazos mais longos de financiamento, um fundo de garantias, além de um aperto nos Argentinos para abrirem as porteiras.

O Governo, parceirão mas durão como sempre, afirma que exigirá uma contrapartida: a indústria terá que reduzir suas margens de lucro dessa vez! É isso aí, vamos acreditar no discurso, mas não seria menos fantasioso se a contrapartida fosse o compromisso de investirem alguns bilhões na implantação de corredores exclusivos de transporte coletivo?

É pedir demais?

Anúncios

um bem imóvel é, ainda assim, um bem simbólico

ETO5845-Editar

Thomas Schmall, Presidente da Volkswagen do Brasil, exultante com o lançamento vindouro do novíssimo fusca do Século XXI, o moderno, econômico e compacto UP, um carrinho sob medida para um país inteiro que virou classe média – e quer viver como tal:

“A ideia é levar mobilidade para muitos brasileiros que ainda não têm condições de comprar um automóvel”.

Na boa, a única idéia da Volkswagen, das auto, é salvar o futuro e a alta margem de lucro da matriz. O capital busca sempre essencialmente sua reprodução ampliada. O resto pouco importa, muito menos a tal da mobilidade. A Volkswagen não vende mobilidade; isso é problema de quem comprou das auto dos seus sonhos.

TODA a verdade e verdade NENHUMA

Perguntado sobre o crescimento da venda de carros em paralelo aos gargalos de infraestrutura, o Presidente da FIAT, disse ao jornal Estado de São Paulo:

“nós (montadoras) temos um grande sócio (o Estado brasileiro) que fica com 35% da receita bruta. Esses recursos deveriam ser para mobilidade e isso não acontece”.

Cledorvino Belibi

Sócio?!! Pois é, bom saber.

Que sirva de alerta ao comodismo dos gestores do Estado que adoram jogar pra platéia, dizendo que “ouvem o rugido das ruas e dos jovens”, e proclamam que a indústria do carro está matando as cidades, que a motorização nos sufoca, que a prioridade máxima é a bicicleta e o transporte público blá blá blá, nhem-nhem-nhem, etc. e tal.

Fica faltando explicar como é que se equilibram as contas públicas depois que realmente conseguirmos reverter o consumo (e a produção) de carros e motos – se for verdade, ainda que um fiapo de verdade, que seja esse o objetivo último.

Dizer que o “sócio” arrecada mas não usa para “resolver” a mobilidade, por outro lado, é de um cinismo sem fim – pura sacanagem, um pezão no traseiro dos demagogos de plantão.

um gráfico, toda a tragédia

Captura de Tela 2013-07-13 às 15.31.43

Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens. O perfil desses jovens, vítimas dos vários tipos de mortes violentas, é em sua maioria homens, pardos, com 4 a 7 anos de estudo, mortos nas vias públicas, por armas de fogo. Esse é um dos dados que consta no estudo Custo da Juventude Perdida no Brasil, de autoria de Daniel Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Ipea.

O estudo indica que a morte prematura de jovens devido às violências custa ao país cerca de

R$ 79 bilhões a cada ano

que correspondente a 1,5% do PIB Nacional. Cerqueira alerta que não só mortes com armas de fogo foram dignas de destaque, a taxa de óbitos em acidentes de trânsito envolvendo jovens aumentou em 44,6% na última década.

17 anos. Ora, o que são 17 anos?

airbag deployment Nosso subdesenvolvimento nem sempre é uma coisa ruim.

Recolhidos a uma posição periférica em termos científicos, culturais e econômicos, temos a sorte de assistir ao sucesso ou fracasso das inovações tecnológicas d’além mar com tempo bastante para tomar uma decisão bem fundamentada, bem filtrada, depurada mesmo, sem essa de maria-vai-com-as-outras. Estamos sempre muitos passos atrás e isso nos permite amolecer os rigores, arredondar as formas, adocicar a polpa das idéias. Que boa coisa!

Vejam só o caso dos airbags. Em 1993, quando se iniciaram os trabalhos da Comissão Especial, na Câmara dos Deputados, que daria forma ao futuro Código de Trânsito, airbags eram uma revolução saída dos laboratórios da Volvo Sueca e da Mercedez-Benz. Coisa de carro de luxo, obviamente. Como mal usávamos cinto de segurança por aqui, pensar em airbag como equipamento de segurança obrigatório soava bem estranho e, assim, a idéia morreu cedo nos debates.

Em poucos anos, o equipamento inovador já havia se disseminado pela indústria automobilística mundial e, em 1999, tornou-se ítem de série obrigatório nos carros norte-americanos, depois de anos de teste e pesquisa patrocinados pela poderosa National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA).

Começamos o novo milênio descobrindo que os airbags eram sensacionais, que eles realmente suplementavam a segurança proporcionada pelo uso do cinto de segurança, que eles reduziam com grande eficiência lesões faciais e de cabeça – coisa de primeiro mundo!, se dizia na época. Mas para quê sair por aí imitando europeus, japoneses e americanos? Quem éramos nós para arcar com o custo altíssimo de tanta tecnologia?

Continuar lendo 17 anos. Ora, o que são 17 anos?