Segurança, mobilidade e juventude: novas alianças

Resumo da nova palestra apresentada ao “Seminario Nacional sobre Advocacy para ONGs com foco em Segurança no Trânsito, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Global Road Safety Partnership (GRSP), em Brasília, nos dias 12 e 13 de agosto.

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participantes do seminário

O foco da palestra é a idéia de que segurança no trânsito é um hábito de saúde que pode ser promovido no contexto do Programa Saúde na Escola do MEC/MS. Transito NÃO É um novo tema transversal; transversal já é o tema da Saúde.

Os dados nacionais de mortalidade e morbidade em acidentes de trânsito, referentes a 2011 e a longas séries históricas, abrem caminho para a apresentação dos novos (e, muitas vezes, ruins) resultados da PENSE e comparações pontuais com dados de 2009 da mesma pesquisa. A quem interessar, escrevi um longo post em 2009, a ser reescrito em breve, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez: “Vocês sabem com quem estão falando? Hábitos e Riscos dos jovens no Brasil“.

Nessa segunda edição da pesquisa, a abrangência foi grandemente ampliada e, agora, além da situação dos jovens nas capitais e DF, os dados são representativos, também, do universo nacional e por Grandes Regiões, de alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, da rede pública e privada.

A PENSE nos fornece pistas extraordinárias de novas alianças com a promoção de saúde. Ela ensina a pensar sociologicamente questões que são de natureza sistêmica, histórica e social. Sobretudo, a PENSE indica que devemos pensar além da “segurança no trânsito” e a reconquistarmos a SEGURANÇA NAS RUAS.

Para ler com máxima atenção e toda gravidade possível.

Jeitos imbecis de morrer

A essa altura do campeonato todo mundo já conhece, mas tenho que compartilhar uma das campanhas mais inteligentes sobre segurança que assisti nos últimos tempos.

A campanha foi encomenda pela companhia Metro Trains, gestora do serviço de trens metropolitanos de Melbourne, Austrália. A Metro comanda uma rede de 15 linhas de trem, 215 estações a serviço de 415.000 usuários/dia e se apresenta como “uma parte crucial do tecido social e econômico de Victoria no século 21“. A Metro faz sua parte, pelo visto, e ousa publicar na primeira página relatórios diários de performance de sua operação: no dia 9 de julho, os trens da Metro apresentaram 92,7% de pontualidade. Nada mal.

A campanha explora a incrível desatenção e desprezo que Continuar lendo Jeitos imbecis de morrer

Segurança rodoviária: questões para o debate | Entrevista

Em agosto, uma mesa redonda, da qual serei mediador, discutirá diversos aspectos da operaçao de rodovias durante o 8o Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessoes (CBR&C) que acontecerá em Santos. E como pensar em uma operaçao moderna e sustentável alheia à promoçao da segurança dos usuários? Essa é a questao central de uma entrevista que concedi à Associaçao Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

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Agência ABCR – No livro “Rota de colisão”, de sua autoria, o senhor defende a criação de mecanismos de controle de velocidade como uma das formas de se diminuir a violência do trânsito nas ruas e estradas. Qual a realidade desse cenário hoje no Brasil?

Eduardo Biavati – O controle da velocidade é uma ferramenta fundamental da segurança viária. O que ainda evitamos reconhecer é que não dominaremos a violência, nem reduziremos as mortes e lesões no trânsito, de modo sustentável, enquanto não implantarmos uma rede extensa de monitoramento eletrônico dos limites de velocidade em nossas cidades e rodovias, a exemplo do que fizeram a França e a Espanha na primeira década do século XXI. Sofremos, porém, de uma profunda resistência política e cultural em dar esse passo, principalmente no espaço rodoviário nacional. As estradas brasileiras são, de modo geral, um deus-dará da velocidade e não é coincidência que metade das mortes no trânsito aconteça justamente em rodovias. É preciso controlar a velocidade, mas isso não basta: teremos que enfrentar, mais cedo do que imaginamos, o debate público e político de revisão e redução dos limites de velocidade nas vias urbanas, se quisermos realmente proteger os usuários mais vulneráveis e integrar a bicicleta ao compartilhamento das vias. É o que os países europeus estão colocando em discussão atualmente – um limite de 30 km/h nas áreas urbanas.

Agência ABCR – O grande volume de acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras está  mais relacionado com a falta de fiscalização ou com a má formação dos motoristas?

Eduardo Biavati – A tragédia humana que acontece repetidamente há tantas décadas nas rodovias nacionais está relacionada diretamente à Continuar lendo Segurança rodoviária: questões para o debate | Entrevista

Entrevista RadioLab | mobilidades, cidades, velocidades e outras polêmicas

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Tá na mão o podcast do primeiro RadioLab, o programa de rádio do TransLab, que foi ao ar, mês passado, na minima.fm.

Nossa “Long Short walk” | em defesa da segurança dos pedestres

A Long Short walk é uma atividade divertida com um objetivo sério de promover a SEGURANÇA DOS PEDESTRES – tema da Semana Mundial de Segurança no Trânsito da ONU, de 6 a 13 de maio.

A ideia é simples: convocar pessoas para uma pequena caminhada, com cartazes dizendo ?Estou caminhando para/por… (complete com o motivo da sua caminhada ? p. ex. : ?…um trânsito mais humano/ respeito aos pedestres etc.?). Pode ser uma caminhada para a escola ou trabalho, o seu passeio favorito, ou ao comércio próximo.

Foi o que fizeram os alunos do 7o ano da Escola Benedito Mattarazo, da rede municipal de São José dos Campos/SP na tarde de 7 de maio. A escola é participante de um projeto sensacional de protagonismo para a segurança no trânsito (o “Escola Amiga do Trânsito”) da Prefeitura de São José dos Campos. Foi dia de caminhar para o auditório e assistir uma palestra sobre fragilidade do corpo, responsabilidades compartilhadas e ATITUDE, aprendendo a defender o direito `a vida.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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“Temos que reequilibrar a distribuição do espaço público” – Entrevista ao DETRAN | RS

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Todos somos pedestres: a maioria de nossas viagens diárias começa e termina a pé. Pedestres correm risco de morte, ferimentos e incapacitações, entretanto, por causa da desatenção às suas necessidades e do favorecimento de meios de transporte motorizados. A cada ano, 270.000 pedestres perdem a vida nas ruas e estradas no mundo. Milhões sobrevivem com ferimentos ou sequelas permanentes. Vamos tornar a caminhada segura para todos? Que tal começar entendendo que a segurança é uma RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA?

Acontece de 6 a 12 de maio, a II Semana Mundial de Segurança no Trânsito das Nações Unidas (ONU), dedicada `a seguranca dos pedestres. A Semana visa chamar a atenção para as necessidades dos pedestres; gerar ação sobre as medidas para protegê-los e contribuir para alcançar a meta da “Década de Ação para Segurança Viária 2011-2020” para salvar 5 milhões de vidas.

Sob o lema “fazendo um caminhar com segurança” (making walking safe), a II Semana da Segurança no Trânsito das Nações Unidas mobiliza uma serie de eventos no Brasil e, no Rio Grande do Sul, o DETRAN|RS comandará atividades publicas, campanhas especiais e a participaçao de diversas organizacoes da sociedade civil. Contribuindo para esse esforço, elaboramos uma conversa, em forma de entrevista: Continuar lendo “Temos que reequilibrar a distribuição do espaço público” – Entrevista ao DETRAN | RS

O pé e suas frutas

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O Sistema Nacional de Trânsito é um sistema, certo? É natural que tudo nele funcione de modo idêntico e previsível, como se um sistema fosse: a gestão municipal do trânsito, nos aspectos que lhe compete, é moldada pela gestão estadual de trânsito, que é moldada, nos aspectos que lhe compete, pela gestão federal do trânsito. Frutas nunca caem longe do pé, diz o ditado.

A racionalidade sistêmica se revela, por exemplo, na dependência, cada vez mais profunda, do monitoramento eletrônico na fiscalização do trânsito brasileiro. Decorrem desse fato dois fenômenos: (a) um perfil praticamente idêntico das principais infrações registradas nas diversas capitais e cidades do país e (b) o forte crescimento do volume de autuações, e, por conseguinte, da arrecadação de multas de trânsito, ao longo da primeira década do Século XXI.

Em 2012, assim como em anos anteriores, tanto na cidade do Rio de Janeiro como na de São Paulo, mais de 50% das infrações foram Continuar lendo O pé e suas frutas