O transporte urbano no Brasil, por Eduardo A. Vasconcellos

5541_631998516829888_2036998028_n
publicado em 18 de junho de 2013: Eduardo A. Vasconcellos: O transporte urbano no Brasil – Le Monde Diplomatique Brasil.

Uma política diferente de mobilidade deveria reduzir os benefícios e subsídios ao transporte individual, garantir espaço nas vias públicas para que as formas não motorizadas e o transporte público tenham qualidade, segurança e prioridade na circulação, e incentivar novas formas de ocupação e desenvolvimento urbano

As maiores cidades brasileiras, assim como muitas grandes cidades de países em desenvolvimento, foram adaptadas, nas últimas décadas, para o uso eficiente do automóvel, o que correspondeu a um projeto de privatização da mobilidade, fortemente associada aos interesses das classes médias formadas no processo de acumulação capitalista. Vários esquemas de financiamento e incentivo mercadológico promoveram grande ampliação da frota de automóveis no Brasil e, mais recentemente, da frota de motocicletas, neste caso atendendo a um público mais jovem e novos grupos em ascensão social e econômica.


Paralelamente, o sistema de transporte público foi crescentemente negligenciado, em uma pedagogia negativa para afastar a sociedade do seu uso como principal forma de transporte motorizado. O transporte público, apesar de alguns investimentos importantes em locais específicos, permaneceu insuficiente e de baixa qualidade e tem experimentado crises financeiras cíclicas, ligadas principalmente à incompatibilidade entre custos, gratuidades, tarifas e receitas, bem como às deficiências na gestão e na operação. Adicionalmente, ele experimentou um declínio na sua importância, eficiência e confiabilidade junto ao público, passando a ser visto como um “mal necessário” para aqueles que não podem dispor do automóvel ou da motocicleta.

A motorização privada da mobilidade trouxe consigo grandes impactos negativos, na forma de aumento dos custos de operação dos ônibus, dos acidentes, da poluição e dos congestionamentos (ANTP, 2011). Como o uso do automóvel requer o consumo de grande espaço físico nas vias, o congestionamento cresceu e rebaixou a velocidade dos ônibus para 12 a 15 km/h, quando o desejável e possível com tratamento adequado é 20 a 25 km/h. Isso levou ao aumento dos custos operacionais dos ônibus entre 15% e 25%, sendo o custo adicional repassado aos usuários pagantes, na maioria com baixo nível de renda: embora o vale-transporte limite o gasto do trabalhador a 6% do seu salário, mais da metade dos usuários não tem acesso a esse benefício. Apenas na cidade de São Paulo, o congestionamento provocado pelo uso do automóvel é responsável por R$ 1,5 bilhão de custos extras repassados por ano aos usuários de ônibus, valor suficiente para construir uma linha de metrô ou dez corredores de ônibus.

Continuar lendo O transporte urbano no Brasil, por Eduardo A. Vasconcellos

Anúncios

Maria de Lourdes. A voz e a vez.

Quando tudo aconteceu, já não havia mais toda a gente que lotara o Auditório Nereu Ramos por quase 3 horas. Políticos de todos os partidos, Senadores e Deputados, já haviam gravitado pela sala, no entra-e-sai exasperante, cada vez mais desatento, que é o cotidiano da Câmara dos Deputados.

O lugar não é para amadores: toda vez que vou ao Congresso Nacional penso que Niemeyer desenhou aquele labirinto com todo o desprezo pela política – a política burguesa – que cabia no traço. Aquilo não é um lugar para se encontrar; é para se perder; não é lugar de reverberar; é de calar o eco.

Pois ali dentro, no dia seis de abril, ocorreu a  instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro da atual legislatura (2011-2014) – uma importante coalizão política que tem à frente o chamado para uma Década de Ações pela Segurança no Trânsito, o movimento global capitaneado pela ONU que se estenderá até 2020 com o objetivo de reduzir pela metade a mortalidade no trânsito no mundo.

Continuar lendo Maria de Lourdes. A voz e a vez.

Jingle bells

No glorioso, embora confuso e, afinal, completamente ignorado capítulo da “Educação para o Trânsito” do Código de Trânsito Brasileiro (se houver curiosidade, trata-se do capítulo VI), lê-se que:

Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desporto, do Trabalho, dos Transportes e da Justiça desenvolverão e implementarão programas destinados à prevenção de acidentes.

Para tão nobres responsabilidades, a lei prevê uma mordida no total arrecadado mensalmente do Prêmio do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, mais conhecido como:

Seguro D P V A T

Continuar lendo Jingle bells