Segurança rodoviária: questões para o debate | Entrevista

Em agosto, uma mesa redonda, da qual serei mediador, discutirá diversos aspectos da operaçao de rodovias durante o 8o Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessoes (CBR&C) que acontecerá em Santos. E como pensar em uma operaçao moderna e sustentável alheia à promoçao da segurança dos usuários? Essa é a questao central de uma entrevista que concedi à Associaçao Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

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Agência ABCR – No livro “Rota de colisão”, de sua autoria, o senhor defende a criação de mecanismos de controle de velocidade como uma das formas de se diminuir a violência do trânsito nas ruas e estradas. Qual a realidade desse cenário hoje no Brasil?

Eduardo Biavati – O controle da velocidade é uma ferramenta fundamental da segurança viária. O que ainda evitamos reconhecer é que não dominaremos a violência, nem reduziremos as mortes e lesões no trânsito, de modo sustentável, enquanto não implantarmos uma rede extensa de monitoramento eletrônico dos limites de velocidade em nossas cidades e rodovias, a exemplo do que fizeram a França e a Espanha na primeira década do século XXI. Sofremos, porém, de uma profunda resistência política e cultural em dar esse passo, principalmente no espaço rodoviário nacional. As estradas brasileiras são, de modo geral, um deus-dará da velocidade e não é coincidência que metade das mortes no trânsito aconteça justamente em rodovias. É preciso controlar a velocidade, mas isso não basta: teremos que enfrentar, mais cedo do que imaginamos, o debate público e político de revisão e redução dos limites de velocidade nas vias urbanas, se quisermos realmente proteger os usuários mais vulneráveis e integrar a bicicleta ao compartilhamento das vias. É o que os países europeus estão colocando em discussão atualmente – um limite de 30 km/h nas áreas urbanas.

Agência ABCR – O grande volume de acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras está  mais relacionado com a falta de fiscalização ou com a má formação dos motoristas?

Eduardo Biavati – A tragédia humana que acontece repetidamente há tantas décadas nas rodovias nacionais está relacionada diretamente à Continuar lendo Segurança rodoviária: questões para o debate | Entrevista

Como ser a favor da Lei Seca (desde que ela não exista)

Quem mal pensa, mal escreve – esse é o resumo da poeira de idéias de David Coimbra, que ocupou a segunda página do Zero Hora de hoje, dia 18 de novembro, a pretexto de criticar o “espírito” pouco civilizado da Lei Seca.

David acredita que existem sociedades inteligentes – como a Grécia, que em nome da democracia rejeitou um referendo popular sobre a entrega completa da soberania econômica ao sistema financeiro europeu, e muitos outros países de “democracia consolidada” em que o Estado que confia tanto no indivíduo que lhe dá a liberdade de marcar o tiquete da própria passagem do ônibus (uau!!!).

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Fantasmas, cambalhotas e alguma malícia no Dia de Finados

Véspera de Finados é sempre um bom momento para falar de trânsito: é feriado nacional, muita gente na estrada, e mal teremos terminado de orar pelos mortos quando soubermos que outros tantos ficaram pelo caminho. O Dia de Finados no Brasil é cada vez mais um dia dos mortos no trânsito.

Não é preciso muita criatividade jornalística para juntar os assuntos. É o que fizeram o jornal O Globo, na edição de primeiro de novembro de 2009 e, agora, a revista Veja, na edição do dia 2 de novembro de 2011, Continuar lendo Fantasmas, cambalhotas e alguma malícia no Dia de Finados

Você pagaria a conta de beber E dirigir? Pagaria MESMO?

Como fazer as pessoas pensarem duas vezes antes de dirigir depois de beber, quando ninguém acha isso importante? Mostrando que isso É MUITO IMPORTANTE.
Em 2010, a Ogilvy Brasil realizou uma experiência sensacional em dois bares em São Paulo. Os clientes, jovens em sua maioria, depois de horas de balada e muita bebida, eram surpreendidos ao receber uma conta de até R$73.000, que contabilizava, além de bebidas alcoólicas, todas as despesas referentes aos acidentes causados por motoristas embriagados, como ambulância, UTI, procedimentos cirúrgicos, equipe médica, reabilitação e até cadeira de rodas.

 

O impacto é imediato, divertido, força as pessoas a encararem o preço de suas atitudes e, de quebra, envolve os donos dos bares e os garçons em uma ação proativa de prevenção de acidentes e conscientização dos consumidores. Golaço!!

Retratos do risco quando jovem

Em 2009, o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) promoveu um ciclo nacional de palestras dirigidas aos jovens. Essa foi a terceira ação do projeto Trânsito Consciente, que se iniciou com a produção de 20 filmes tratando de diversos temas do trânsito e tomou a forma de um caderno distribuído às milhares de escolas e aos alunos em todo país.

As palestras envolveram cerca de 5.300 estudantes do Ensino Médio das redes pública e particular de seis Continuar lendo Retratos do risco quando jovem

Lei Seca não reduz mortes de jovens!

calçada | Ipanema - Rio de JaneiroDomingão, primeiro de novembro, véspera do Feriado de Finados. Céu azul, calorzão de 35 graus. A praia promete. Pais e Mães, lêem, então, na capa, manchete principal, do jornal O Globo:

Lei Seca não reduz número de mortes de jovens no trânsito

As mortes de jovens cariocas no trânsito cresceram quase 27 %, comparando-se o período de janeiro a agosto de 2008 (quando a Lei Seca inexistia, na prática) com os primeiros oito meses de 2009 (quando já estava a todo vapor a fiscalização na ruas, através da “Operação Lei Seca”).

Conclui-se, portanto, que o mundo era melhor ANTES da Lei Seca… Ter entre 15 e 29 anos no Rio de Janeiro é mesmo uma barra, brother!!!

A situação nunca foi boa, é verdade. Acidentes de trânsito e agressões por arma de fogo sempre encabeçaram as principais causas de morte da galera. Aliás, não apenas na Cidade Maravilhosa – jovem brasileiro morre de violência. E agora mais essa! Como se não bastasse todo o resto, ainda tem essa Lei Seca para piorar as coisas!  Pais cariocas realmente não têm motivo para dormir tranquilos.

A questão é: o que isso tem a ver com a Lei Seca ?

N-A-D-A

A denúncia de que a Lei é um fracasso justamente entre seus alvos mais importantes, os jovens, NÃO decorre nem das estatísticas, nem de qualquer outra informação, apresentadas pelo O Globo. Por que a Lei deveria ter impedido a morte desses 8 jovens (esse é o número absoluto que corresponde ao crescimento de 27% no período comparado)?

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O sopro da Justiça

Justiça - Alfredo Ceschiatti
Justiça – Alfredo Ceschiatti

Há alguns dias escrevi um comentário ao artigo  O Scorpène é nosso! que, agora, torno um post independente por um motivo especial – o editorial do Jornal Folha de São Paulo, publicado hoje, sobre mais um fracasso da “Lei Seca” nos tribunais do país.

Reproduzi o o editorial abaixo, para facilitar a leitura de quem se interessar por mais um capítulo de uma linha de pensamento que vem se repetindo em todos os meios de comunicação no ultimo ano. Tratei disso no artigo sobre o primeiro ano da “Lei Seca” (Mas, entretando, todavia… o primeiro ano da “Lei Seca”), e tudo ganhou novas cores desde então, graças à revelação de que a Justiça Brasileira absolveu praticamente todos os condutores que se recusaram a soprar o bafômetro…

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