Baladeiros paulistanos

Alo! Alo! galera da segurança no trânsito

Nova pesquisa do CEBRID/UNIFESP (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas) afirma que mais da metade dos baladeiros paulistanos que vão a casas noturnas em sampa tem por objetivo ficar bêbado.

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Tanta gente bêbada não teria muito critério em escolher um motorista sóbrio, confere?

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Sim, confere, tanto entre os marmanjos como entre as marmanjas da hora: 6 entre 10 baladeiros afirma que já foi carona de condutor embriagado na saída das baladas.

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Deveríamos ficar surpresos?

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Segurança, mobilidade e juventude: novas alianças

Resumo da nova palestra apresentada ao “Seminario Nacional sobre Advocacy para ONGs com foco em Segurança no Trânsito, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Global Road Safety Partnership (GRSP), em Brasília, nos dias 12 e 13 de agosto.

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participantes do seminário

O foco da palestra é a idéia de que segurança no trânsito é um hábito de saúde que pode ser promovido no contexto do Programa Saúde na Escola do MEC/MS. Transito NÃO É um novo tema transversal; transversal já é o tema da Saúde.

Os dados nacionais de mortalidade e morbidade em acidentes de trânsito, referentes a 2011 e a longas séries históricas, abrem caminho para a apresentação dos novos (e, muitas vezes, ruins) resultados da PENSE e comparações pontuais com dados de 2009 da mesma pesquisa. A quem interessar, escrevi um longo post em 2009, a ser reescrito em breve, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez: “Vocês sabem com quem estão falando? Hábitos e Riscos dos jovens no Brasil“.

Nessa segunda edição da pesquisa, a abrangência foi grandemente ampliada e, agora, além da situação dos jovens nas capitais e DF, os dados são representativos, também, do universo nacional e por Grandes Regiões, de alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, da rede pública e privada.

A PENSE nos fornece pistas extraordinárias de novas alianças com a promoção de saúde. Ela ensina a pensar sociologicamente questões que são de natureza sistêmica, histórica e social. Sobretudo, a PENSE indica que devemos pensar além da “segurança no trânsito” e a reconquistarmos a SEGURANÇA NAS RUAS.

Para ler com máxima atenção e toda gravidade possível.

Dois passos adiante


Por que as campanhas públicas de segurança no trânsito são tão fracas no Brasil? Por que lhes falta a força e o impacto emocional das campanhas estrangeiras? Quantas vezes assistimos a mais uma nova campanha, para concluir que “isso não serve pra nada!!”?

O desconforto com a suavidade e o bom-mocismo das campanhas tupiniquins foi aumentando nos últimos anos por causa do Youtube – santo Youtube! Os produtores de conteúdo descobriram rapidamente que bastava disponibilizar seu Continuar lendo Dois passos adiante

Isto é uma regra

Deveríamos celebrar o importantíssimo avanço da introdução da obrigatoriedade de uso dos mecanismos de retenção de crianças nos carros; mas só temos a lamentar a irracionalidade tecnocrática e esse espírito rococó, sempre pronto a torcer os fatos em nome de privilégios e excessões.

Queríamos a segurança das crianças, ganhamos um labirinto que inviabiliza a universalidade de qualquer regra.

Clique na imagem, amplie, arrepie-se


Infográfico Simon Ducroquet/Folhapress 08/09/2010
Infográfico publicado pela Folha de São Paulo, Cotidiano, em 08/09/2010 Simon Ducroquet/Folhapress

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2011.

Uso não autorizado e/ou publicação desse material, em qualquer meio, sem permissão expressa e escrita do autor do blog e/ou proprietário é estritamente proibida. Trechos e links podem ser utilizados, garantidos o crédito integral e claro a Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com e o direcionamento apropriado e específico ao conteúdo original.

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Para falar da violência no trânsito. Lições from “down under”

Como se mede o tamanho da violência no trânsito? Pelas perdas humanas de cada colisão ou atropelamento: quantificamos os mortos e os feridos. É uma conta que deveria somar zero, ao menos a conta dos mortos, mas está sempre muito longe disso, indicando nossa incapacidade de controlar um fenômeno altamente previsível e, sobretudo, de transformar a realidade que gera o fenômeno.

A bem da verdade, temos conseguido algum avanço. Desde 2004, não somamos menos do que 35.000 mortes por ano no trânsito no Brasil, Continuar lendo Para falar da violência no trânsito. Lições from “down under”

Ata-nos! A segurança dos ocupantes

Uma simples fita de nylon, fixada em três pontos na estrutura do veículo, que passa de um lado a outro da linha do quadril e diagonalmente ao longo do tórax do ocupante, com um único objetivo: retê-lo no assento, em caso de colisão. Conhecemos essa fita pelo nome de cinto de segurança, uma das maiores invenções da indústria automobilística no Século XX.

O cinto de segurança salva vidas e, sobretudo, contribui decisivamente para a redução da gravidade das lesões do motorista e dos passageiros em um acidente de trânsito. A chance de sobrevivência torna-se 50% maior, mas requer uma decisão e uma ação concreta do ocupante do veículo: usar o cinto.

Por muito tempo, o uso do cinto foi uma opção das pessoas e quase não lembramos mais que praticamente ninguém escolhia usá-lo nos veículos brasileiros até 1997. O novo Código de Trânsito Brasileiro catalisou, então, a transformação da letra morta da obrigatoriedade do uso do cinto em uma realidade que se impôs firme pela fiscalização e penalidades rigorosas, somadas à uma ampla campanha de educação. Aprendemos a usar o cinto e, mais do que isso, adotamos um hábito que é repetido hoje por mais de 90% dos motoristas e passageiros do banco dianteiro no país.

O cinto de segurança foi o objeto de uma revolução cultural que salvou a vida de milhares de brasileiros e de mais de 1 milhão e meio de pessoas em todo mundo. A revolução estancou, porém, quando chegou ao terreno do banco traseiro. Pouquíssimos brasileiros o considera importante quando viajam lá atrás – apenas 1 pessoa em cada 10 decide não viajar solta; o resto segue ignorante de que suas chances são 2 vezes maiores de sofrer lesões graves ou fatais e, além disso, agravar os ferimentos do passageiros da frente, mesmo quando estes estão usando o cinto.

Esse é o desafio proposto pela Semana Nacional de Trânsito de 2010 – universalizar a adesão ao cinto de segurança por todos os ocupantes dos veículos. Devemos conquistar os jovens para o uso consciente do cinto, reforçando suas atitudes de autocuidado, e, antes deles, conquistar as crianças, que agora contam com regras precisas para viajar como passageiras no banco traseiro.

A introdução dos dispositivos obrigatórios de transporte de crianças até 7 anos e meio demanda o aprendizado de novas habilidades pelos pais, mas sobretudo os torna objetivamente responsáveis pela segurança da criança no veículo ao longo do seu crescimento. É preciso fomentar essa responsabilidade, torná-los vigilantes das novas regras e, afinal, formadores de futuros jovens para os quais será inquestionável usar o cinto no banco traseiro, nas noites de balada que virão.

Temos a oportunidade, assim, de preencher antigas lacunas e dar um passo além na disseminação do entendimento de que a segurança de cada um depende da segurança de todos – partilhamos juntos uma mesma viagem.

São Paulo, Junho de 2010

Eduardo Biavati

[texto de apresentação da Semana Nacional de Trânsito de 2010, de 18 a 25 de setembro, publicado pelo DENATRAN]

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De volta ao ponto de partida

Os sensacionais ingleses do programa THINK! acabam de tornar pública sua nova campanha visando aumentar o uso do cinto de segurança na Grã-Bretanha.

Segurança no trânsito é uma coisa que não acontece por acaso nem se faz por etapas cumulativas. Desde 1973, muito antes de se tornar obrigatório na Inglaterra, o Departamento de Transporte promove campanhas sobre o mesmo tema. Por que voltar ao assunto? Simplesmente porque educação para o trânsito não é uma herança que se transmite de geração para geração nem se perpetua ao longo do tempo.

Na Inglaterra, em 2007 morreram 1.432 ocupantes (motoristas ou passageiros) em acidentes, dos quais 34% nao estavam utilizando o cinto de segurança. 34% !!!! As pesquisas indicaram que poucas pessoas admitem viajar regularmente sem o cinto, mas 24% dos passageiros confessaram que nao o utilizam quando estão no banco traseiro e 10% deles nao o utilizam no banco dianteiro. Nao utilizar o cinto é mais frequente, ainda, em viagens curtas, trajetos conhecidos ou quando o veículo está em baixa velocidade.

A queda no uso do cinto de segurança não é um fenômeno inglês. Em levantamento feito com 1.034 estudantes de faculdades públicas e privadas de São Paulo e Rio, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) verificaram que, em 2006, 93% dos passageiros do banco dianteiro usavam a proteção, mas em 2008, esse índice sofreu uma redução para 85%.

A Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) de São Paulo reforça a constatação dos cariocas por meio do crescimento de multas por falta de uso de cinto de segurança: entre 2006 e 2007, o número de multas desse tipo cresceu 9%, passando de 110.315 para 120.058 – uma média de 13 por hora. Podemos supor, por conseguinte, que o uso do cinto de segurança vem caindo em São Paulo porque simplesmente nao há fiscalização dessa infração grave do Código de Trânsito – 13 multas por hora em uma cidade em que circulam 4 milhões de veículos por dia é NADA.

Vale destacar que a pesquisa não observou o uso do cinto no banco dianteiro, nem há a informação de quantas multas foram aplicadas aos passageiros do banco traseiro sem cinto em São Paulo, porque para isso não é preciso pesquisa nenhuma no Brasil: o número de usuários é tão insignificante que é melhor afimar que NINGUÉM usa o cinto lá atrás.

A verdade é a seguinte: a chance de morrer em uma colisão é 2 vezes maior quando não se usa o cinto de segurança.

Estratégia da Campanha

A estratégia da nova campanha do THINK! utiliza um comerciais para TV e radio, e um recurso online interativo – um simulador de colisão utilizando-se ou não o cinto de segurança, demonstrando os efeitos reais do nao uso em diferentes velocidades.

O público-alvo da campanha são os condutores e passageiros, com ênfase especial nos homens jovens e nas mulheres na faixa etária de 17 a 34 anos. Esse grupo tem a menor taxa de uso combinada com a mais alta incidência em acidentes.

O problema é o uso irregular do cinto. Essas pessoas tomam decisões, conscientes ou nao, ao entrarem no carro e usar ou deixar de usar o cinto. Em viagens curtas a velocidades baixas, por exemplo, é mais provável que não se perceba a necessidade de usar cinto de sergurança.

A campanha tem por objetivo convencer esse público que é necessário usar o cinto em todas viagens no carro e sensibilizá-lo para a vulnerabilidade quando não se utiliza o cinto. Isso é feito mostrando-se as conseqüências dramáticas do não uso do cinto e, para isso, empregam-se recursos gráficos poderosos nos anúncios de TV.

O comercial “Three strikes”

O vídeo ” Three Strikes” (três colisões) é uma excelente demonstração que se você não usar o cinto, você sofrerá lesões fatais mesmo a baixas velocidades [clique no link para download do vídeo]

O video mostra uma colisão envolvendo o personagem “Richard”, que está dirigindo dentro do limite de velocidade. No instante da colisão, ele é arremessado para frente e seu corpo experimentará três colisões:

  1. seu veículo colide com o outro carro;
  2. seu corpo se choca contra o volante o parabrisa;
  3. seus órgão internos são esmagados contra a estrutura torácica e se rompem.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2011.

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