O sopro da Justiça

Justiça - Alfredo Ceschiatti
Justiça – Alfredo Ceschiatti

Há alguns dias escrevi um comentário ao artigo  O Scorpène é nosso! que, agora, torno um post independente por um motivo especial – o editorial do Jornal Folha de São Paulo, publicado hoje, sobre mais um fracasso da “Lei Seca” nos tribunais do país.

Reproduzi o o editorial abaixo, para facilitar a leitura de quem se interessar por mais um capítulo de uma linha de pensamento que vem se repetindo em todos os meios de comunicação no ultimo ano. Tratei disso no artigo sobre o primeiro ano da “Lei Seca” (Mas, entretando, todavia… o primeiro ano da “Lei Seca”), e tudo ganhou novas cores desde então, graças à revelação de que a Justiça Brasileira absolveu praticamente todos os condutores que se recusaram a soprar o bafômetro…

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Breve nota sobre a vitória do mototaxi

Assunto encerrado

O Presidente da República sancionou a lei que regulamenta a atividade de mototaxista e, por extensão, a prestação do serviço de transporte de passageiros sobre duas rodas no país.

Dissolveu-se a última barreira – a exclusiva prerrogativa da União de legislar sobre trânsito. O Código de Trânsito incorporou o mototaxi (e o motofrete também, vale dizer). Os Poderes Municipais estão, finalmente, liberados a decidir se autorizam ou não, definindo quaisquer critérios adicionais que julgarem pertinentes, a prática de ambas atividades em suas jurisdições.

Contra a uníssona intelligentsia da segurança no trânsito no país e a recomendação de veto de um Ministro de Estado, venceu a força montante Continuar lendo Breve nota sobre a vitória do mototaxi

Violência no trânsito: como mudar comportamentos?

Em 2009, a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) promoveu um seminário intitulado “Desafios para o trânsito no Brasil”, realizado em Campo Grande/MS.

Nem precisamos lembrar que não são poucos e é claro que a educação para o trânsito estava mais uma vez lá, na velha lista dos “A FAZERES“, sempre incomodada, acossada com uma velha cobrança:

“e aí?

Vão fazer o que com a violência no trânsito? Dá pra contribuir? Como mudar os comportamentos?”
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Cubo Mágico

Rubiks_CubeNo final do século passado foi lançado um brinquedo sensacional – um simples cubo de plástico com cores diferentes para cada um dos seus lados. O cubo era feito de partes que giravam, embaralhando completamente as cores. Era irresistível misturar tudo e mais ainda vencer o desafio de reconstituir cada lado com uma única cor. Nunca vencia quem olhasse apenas um lado do cubo, caçando as peças daquela única cor; o cubo ensinava a pensar de vários ângulos simultaneamente e a encontrar uma solução coordenada e sincrônica para o problema. O desafio do cubo é exatamente o que está em jogo hoje quando pensamos a “educação para o trânsito”.

Durante muito tempo, o esforço da “educação de trânsito” foi o de formar bons seguidores de regras – as regras do código. Por mais inventivas que sejam ainda hoje as atividades com as crianças – teatro, fantoche, jogos, mini-cidades – tudo converge para esse aprendizado da regra. Se todos soubessem a regra desde pequenos, não teríamos problemas no futuro, pensava-se olhando sempre para um único lado do cubo.

O que aconteceu com aquela criança aos 15 anos? Esse jovem questionará a regra do uso da faixa de pedestre ali onde não houver faixa alguma para atravessar, assim como questionará a obediência ao sinal vermelho que ninguém respeita de noite. Ele perceberá inevitavelmente que muito pouco impede a transgressão das regras e a imposição do interesse individual sobre o ordenamento coletivo – o uso do celular, a velocidade, o uso do cinto, a moto no “corredor”.  Para que serve, afinal, obedecer a regra?

É bom pensarmos rapidamente como abordar essa questão porque as motocicletas massificaram a motorização dos jovens em todo país. Para eles, será necessário um novo discurso. Que tal revelar que a regra tem um fundamento superior, que é a proteção do corpo, da integridade de todos e cada um, que somos reféns de uma mesma fragilidade humana? Então, passaríamos da discussão da regra para a apresentação do que é essa fragilidade, falando, por exemplo, do nosso Sistema Nervoso Central, do cérebro, da medula espinhal, do que é uma lesão cerebral ou uma lesão medular. E desembocaríamos, assim, na questão da incapacitação física que a violência do trânsito produz e poderíamos falar de nossa responsabilidade na inclusão do incapacitado físico.

Esse é um caminho, há outros, mas vale a lição de que devemos aprender a falar de trânsito olhando para além dele, conectando outras dimensões do problema, assim como fazíamos quando tínhamos o cubo nas mãos.

artigo publicado em Correio Braziliense , Caderno Especial Educação no Trânsito [arquivo em PDF], em 09/04/2009.

© Eduardo Biavati e biavati.wordpress.com, 2008/2013.

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