TODA a verdade e verdade NENHUMA

Perguntado sobre o crescimento da venda de carros em paralelo aos gargalos de infraestrutura, o Presidente da FIAT, disse ao jornal Estado de São Paulo:

“nós (montadoras) temos um grande sócio (o Estado brasileiro) que fica com 35% da receita bruta. Esses recursos deveriam ser para mobilidade e isso não acontece”.

Cledorvino Belibi

Sócio?!! Pois é, bom saber.

Que sirva de alerta ao comodismo dos gestores do Estado que adoram jogar pra platéia, dizendo que “ouvem o rugido das ruas e dos jovens”, e proclamam que a indústria do carro está matando as cidades, que a motorização nos sufoca, que a prioridade máxima é a bicicleta e o transporte público blá blá blá, nhem-nhem-nhem, etc. e tal.

Fica faltando explicar como é que se equilibram as contas públicas depois que realmente conseguirmos reverter o consumo (e a produção) de carros e motos – se for verdade, ainda que um fiapo de verdade, que seja esse o objetivo último.

Dizer que o “sócio” arrecada mas não usa para “resolver” a mobilidade, por outro lado, é de um cinismo sem fim – pura sacanagem, um pezão no traseiro dos demagogos de plantão.

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RELOADED: o “Estadão”, sem demagogias

Visto durante anos como símbolo de liberdade e de status, o automóvel passa por lento desmanche de prestígio, especialmente nas grandes cidades.

Como pode sentir-se LIVRE e DIFERENCIADO o proprietário de um veículo que permanece engaiolado durante horas nos gigantescos congestionamentos de trânsito; que está sujeito a RESTRIÇÕES EXASPERANTES de circulação, como os rodízios e os corredores exclusivos de ônibus impostos pelo prefeito paulistano, Fernando Haddad; e que se sente VÍTIMA DE UMA INDÚSTRIA IMPLACÁVEL DE MULTAS?”

Celso Ming, dando singela e cristalina lição de coesão editorial, hoje, no Estadão

* ênfases adicionadas pelo autor desse post

Transporte individual 10 x Tranporte público 0

da série “simples gráficos que iluminam o mundo”

inflacaotpxti

a alta inflação do transporte público, a minima inflacao do transporte individual em 11 anos | produção primorosa do Estadão

Transporte público e saúde: nexos sistêmicos

Alo! Alo! Gestores públicos do Brasil!

Já que é sempre mais fácil ler APENAS o que interessa e descartar o que não convém, vou repetir, antes da leitura, o que o entrevistado diz 3 vezes:
Quanto mais espaço dedicado ao transporte público eficiente e rápido, ESPAÇO PARA CICLISTAS E PEDESTRES, menos carros, menos acidentes, menos poluição do ar, mais atividade física durante a vida diária e consequentemente mais saúde“.

Transporte público é bom mas não basta se a cidade inteira humilha os pedestres e escanteia seus ciclistas. Continuar lendo Transporte público e saúde: nexos sistêmicos

Segurança, mobilidade e juventude: novas alianças

Resumo da nova palestra apresentada ao “Seminario Nacional sobre Advocacy para ONGs com foco em Segurança no Trânsito, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Global Road Safety Partnership (GRSP), em Brasília, nos dias 12 e 13 de agosto.

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participantes do seminário

O foco da palestra é a idéia de que segurança no trânsito é um hábito de saúde que pode ser promovido no contexto do Programa Saúde na Escola do MEC/MS. Transito NÃO É um novo tema transversal; transversal já é o tema da Saúde.

Os dados nacionais de mortalidade e morbidade em acidentes de trânsito, referentes a 2011 e a longas séries históricas, abrem caminho para a apresentação dos novos (e, muitas vezes, ruins) resultados da PENSE e comparações pontuais com dados de 2009 da mesma pesquisa. A quem interessar, escrevi um longo post em 2009, a ser reescrito em breve, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez: “Vocês sabem com quem estão falando? Hábitos e Riscos dos jovens no Brasil“.

Nessa segunda edição da pesquisa, a abrangência foi grandemente ampliada e, agora, além da situação dos jovens nas capitais e DF, os dados são representativos, também, do universo nacional e por Grandes Regiões, de alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, da rede pública e privada.

A PENSE nos fornece pistas extraordinárias de novas alianças com a promoção de saúde. Ela ensina a pensar sociologicamente questões que são de natureza sistêmica, histórica e social. Sobretudo, a PENSE indica que devemos pensar além da “segurança no trânsito” e a reconquistarmos a SEGURANÇA NAS RUAS.

Para ler com máxima atenção e toda gravidade possível.

Planos municipais de transportes: o que? onde? quando?

A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic 2012), do IBGE, mostra que a maior parte das cidades brasileiras simplesmente não conta com planos de mobilidade, obrigatórios desde 2001 para as grandes cidades. Dos 1.669 municípios com mais de 20 mil habitantes, somente 10% contam com um plano municipal de transportes e em apenas 7,19% o plano foi desenvolvido com participação dos cidadãos.

O fato é que as políticas de transporte navegam entre o lobby dos fornecedores de tecnologia, produtos e serviços de transporte, pressões dos sindicatos do setor e possíveis contabilidades eleitorais do mapa dos beneficiados“, Raquel Rolnik em http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/07/11/plano-de-transporte-para-que/

Jeitos imbecis de morrer

A essa altura do campeonato todo mundo já conhece, mas tenho que compartilhar uma das campanhas mais inteligentes sobre segurança que assisti nos últimos tempos.

A campanha foi encomenda pela companhia Metro Trains, gestora do serviço de trens metropolitanos de Melbourne, Austrália. A Metro comanda uma rede de 15 linhas de trem, 215 estações a serviço de 415.000 usuários/dia e se apresenta como “uma parte crucial do tecido social e econômico de Victoria no século 21“. A Metro faz sua parte, pelo visto, e ousa publicar na primeira página relatórios diários de performance de sua operação: no dia 9 de julho, os trens da Metro apresentaram 92,7% de pontualidade. Nada mal.

A campanha explora a incrível desatenção e desprezo que Continuar lendo Jeitos imbecis de morrer